Capítulo 3

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Brooklin, Nova York – 5 de Setembro de 1972.

Era uma noite bonita. A primavera se aproximava. Podia ser vistas as estrelas brilhando naquele céu imenso. Como são diferentes as cores em todos os lugares quando entra essa estação. A estação em que o amor floresce. Isso é o que os poetas nos dizem, mas não era bem isso que Rita sentiria com a sua chegada.

Os passos eram dados rápidos como o usual. Quanto mais depressa chegasse ao seu destino menos agonia sentiria e medo também. Desde o dia em que fora atacada acabou sendo dessa forma que vivia, sempre sentindo que havia alguém a espreita.

Naquela noite em especial, outra sensação se misturava ao seu medo. O Bebê estava mexendo nos últimos dias de forma diferente do habitual, ficando longos períodos parado e de repente sua barriga endurecia e a criança ali dentro dava sinais de vida e nesses momentos se movimentava constantemente fazendo com que Rita diminuísse seus passos e em um momento de calmaria sentiu que já não estava mais sozinha. A mesma sensação de alguns meses atrás a assombrou, as semelhanças eram excruciantes estava como exatamente como antes desamparada, desprotegida e tudo isso a poucos metros da sua segurança. Voltou a apertar o passo algo que acabaria se revelando inútil.

— Não adianta correr moça é melhor parar e passar tudo o que tem! – a voz vinha áspera a suas costas, quase podia sentir o cheiro do seu hálito.

Rita não obedeceu à ordem o seu instinto de proteção falou mais alto, apesar de odiar aquela criança que carregava mesmo sem ter culpa alguma de estar ali, sentiu que deveria a proteger do que fosse.

O destino que daria a aquele bebê já estava traçado. O abandonaria no hospital para que fosse adotado por uma família que não soubesse como foi concebido. A verdade era que não tinha muito interesse em saber o que realmente aconteceria com aquele bebê, porém isso não a impediu de comprar-lhe algumas roupinhas era por conta delas que estava chegando mais tarde do que o usual até o seu refúgio.

— Mandei a moça parar! É surda? – e os passos aumentaram em sua direção e Rita percebe que o rapaz que gritou não estava sozinho.

— Veja isso, Bruce. A moça tem uma faca! – o rapaz debochou ao ver Rita lhe empunhar um canivete velho em seu sinal de desespero.

— Que faca! É apenas um canivete velho. Vamos mostrar a ela o que é uma faca de verdade. – Bruce nesse momento segura a sua faca de caçador.

— Por favor! Deixem-me em paz eu estou grávida. – Rita deixou que eles vissem sua barriga imensa de um bebê que estava prestes a nascer a qualquer momento.

— Então seja boazinha e passa logo a droga dessa bolsa que não lhe faremos mal.

— Isso é tudo o que tenho se der a vocês não terei mais nada.

— Terá a sua vida já não é o bastante? – o mais falante fica mais irritado – Chega dessa conversa e passa a porcaria dessa bolsa logo!

— Não!

Rita levanta a mão em sinal de defesa no mesmo momento em que um dos rapazes vai a sua direção desviando de suas investidas até que consegue a imobilizar desarmando-a. Agora era ele que tinha em sua posse o seu canivete velho.

— Vai, Bruce, pega a bolsa dela, anda logo!

No momento em que Bruce retirava a bolsa da mão de Rita, recebe uma mordida muito forte que no reflexo da dor a esfaqueou na barriga duas vezes. Rita amoleceu o corpo e este caiu ao chão e os homens tomados pela raiva de terem sidos desafiados pela pequena garota começam a chutar aquele corpo que carregava outra vida.

— Vamos, Bruce, vamos embora daqui!

Covardes! Covardes!

Rita gritou, esbravejou enquanto os via se afastando e sumindo no mundo com tudo que possuía possivelmente fugiam com a sua vida e daquele bebê nas costas.

Ai! – gritou alto.

A barriga de Rita nesse momento endureceu de tal forma que a garota não aguentou e quase desmaiou. As dores se misturavam. Foram os pontapés, as facadas e agora sua barriga que se contraía de tal forma que estava lhe tirando o ar.

— Agora não! Não pode nascer agora!

Sentiu suas calças ficarem encharcadas e não era pelo sangue que perdia e sim pela bolsa que rompeu. A chegada do bebê fora antecipada devido ao estresse e o trauma que a mãe havia passado. O sangue escorria. Suas pernas mal tinham forças, Rita praticamente se arrastou sem receber ajuda por uns dois quarteirões até que um taxista a viu.

— Moça o que aconteceu?

— Preciso de ajuda! Tenho que ir para um hospital meu filho irá nascer... – não conseguiu dizer mais nenhuma palavra e cai desfalecida na calçada suja.

O taxista corre e a coloca dentro do carro ignorando totalmente todas as orientações recebidas pelo seu contratante que era de jamais se meter nesse tipo de situação, mas como deixar a moça ali prestes a morrer? 

Praticamente voou até chegar ao hospital mais próximo, ignorando os sinais de transito e tudo mais. Chamou por ajuda que veio rápido e assim que levaram o corpo da garota abandonou o local antes que tivesse que prestar qualquer declaração o seu ato de bondade terminava ali agora a menina estava nas mãos dos médicos.

Pouco podia se fazer por Rita. A concentração estava no bebê que ainda tinha chances de sobreviver. E dela saiu um lindo, saudável menino com cinquenta centímetros pesando quatro quilos e trezentas gramas. Um verdadeiro bebezão como foi chamado pelos médicos e enfermeiros daquele pequeno hospital: o guerreiro de setembro.

xXx

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Amargos Segredos [Completo]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora