Capítulo 11

511 92 21
                                        

Clínica de Reabilitação New Days, New Jersey – 18 de Janeiro de 2011.

Demoraria ainda para Theo entender o abismo em que se encontrava mesmo após aquela conversa que teve com Eileen que culminou na perda do seu tão sonhado emprego.

Afundou em seu vício, apenas quando acordou na sarjeta todo sujo e ardendo em febre soube que precisava de ajuda, senão aquela seria a sua nova vida e todo o esforço que aquele senhor de olhos acolhedores teve com ele a ponto de deixar as memórias mais ternas de seu passado feliz com a única mulher que amou para protegê-lo teria sido em vão. E também todo o seu próprio esforço em mudar o destino que lhe foi traçado desde quando fora concebido teria sido jogado no lixo como uma comida estragada.

— Obrigado por me receber.

— Meu Deus! O que aconteceu com você? — Eileen se espantou quando viu aparência de Theo, praticamente quase não o reconheceu — Agora entendi porque não queriam deixa-lo subir.

— Não deveria estar aqui, não nesse estado, acho melhor ir embora...

— Não vai a lugar nenhum! Entra e vai tomar um banho. — Eileen falou com autoridade — Está fedendo, o que anda fazendo com sua vida?

— Preciso de ajuda.

— Que bom ouvir isso, Theodore. Por favor, tome um banho é disso que precisa agora.

Como era bom estar ali novamente, no lar em que passou os melhores e também os mais frustrantes momentos de sua vida. Percorreu o caminho até a suíte com várias lembranças o confrontando.

A água que caia sobre o seu corpo parecia  cortar,  despedaçar e ao mesmo tempo renovar, revigorar. Ao sair encontrou sobre a cama que um dia já fora sua e uma troca de roupa limpa esperava. Ao pegá-las em suas mãos grandes e agora tão imprecisas e trêmulas; a falta do álcool começava a fazer efeito e muito em breve precisaria de mais uma dose e outra e outra...

O cheiro que vinha dessas roupas esquecidas, deixadas para trás junto com seu futuro promissor lhe aqueceu e as lágrimas foram inevitáveis, seu corpo pesado caiu ao chão e se recusava levantar.

— Meu amor! Como doí vê-lo dessa forma. — Eileen juntou-se a um Theo totalmente desprotegido suplicando por conforto.

— Estou pronto para ir.

— Era tudo que precisava ouvir. – deu lhe um beijo na testa — Ah! Theo! — ela disse o que ele mais gostava de ouvir — Está ardendo em febre.

— Estou ardendo por completo, estou entrando em ebulição se não me deter, Eileen, irei explodir. A dor está voltando e à necessidade também.

Eileen sabia que ele tremia por dois motivos. Pegou o telefone e fez seus contatos. Alimentou aquele homem teimoso que hoje estava vulnerável, nunca imaginou vê-lo daquela forma. Nada do Theodore Isaac que conheceu existia ali naquele corpo, apenas um fantasma o habitava e estava lhe sugando todas as forças.

xXx

— Para isso dar certo tem que querer. É isso que realmente quer, Theodore? — estavam parados dentro do carro estacionado na entrada da clínica de reabilitação.

— É o que preciso.

Theo olhou pela janela ainda fechada admirou a simplicidade daquele lugar, não era uma clínica qualquer que drogados comuns são encaminhados. Aqui era um local em pessoas que precisam ficar incógnitas frequentam.

— Olha para mim. – ordenou Eileen – É o que precisa isso não há dúvidas, mas se não for o que você quer não dará certo. É o que realmente quer?

— Sim. – e assim com uma resposta monossilábica Theo abandona o carro e pegou sua bagagem do porta-malas.

Eileen desce atrás, ainda não estava totalmente convencida de que ele levaria tudo aquilo a sério. A viagem até lá foi tensa. Era evidente que o corpo de Theo pedia pela substância que o acalmava. Ele suou, remexeu, praguejou e depois aquietou e essa parte foi o momento em que Eileen se sentiu mais tensa. Poderia vir uma explosão incontrolável dali. Theo nunca foi violento, aumentava seu tom de voz nas vezes que brigaram, mas jamais foi violento ou algo parecido.

— Não precisa entrar já fez muito arrumando um lugar aqui. Pergunto-me conseguirei pagar?

— Essa não deveria ser a sua preocupação.

— E não é. Obrigado.

Beijou a mulher a sua frente nas têmporas e sem olhar para trás entrou, firme e decidido como o Theodore Isaac de antes, antes de se entregar aos seus demônios. Era o que enfrentaria nos meses seguintes: todos os seus demônios e aprenderia como eliminá-los. Na verdade aprenderia a controla-los, pois eles sempre estariam ali, jamais o abandonariam por completo.

xXx

Eileen mais uma vez vem salvar nosso Guerreiro de Setembro que de nada anda merecendo esse título. Será que ele conseguirá livra-se do vício? Logo saberemos. Se estão gostando não esqueçam de deixar seu voto e comentários. Até domingo! Beijos! 

Amargos Segredos [Completo]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora