Capítulo 5

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E o tempo passou, até que Theo deixou de ser um bebê e se tornou uma criança, e não menos bonito. Ele sempre se destacava. Forte, mais alto que os outros e muito esperto.

Um dia, Clair o viu chorando em um canto:

— Venha aqui, Theodore, e me conte o que aconteceu.

— Me bateram. — Theo, com seus quatros anos, começava a entender o que era ser um garoto ao mesmo tempo abandonado e invejado.

O amor de Clair por ele era tão evidente que as outras crianças percebiam que havia uma predileção e isso fez que o menino fosse perseguido. As crianças sabem ser cruéis, e Theo vivia arranhado ou mordido.

Dessa forma uma de suas colegas chamou Clair em um canto:

— Clair, já que Theo é seu protegido tem que ensinar a ele a se defender, só tamanho não basta — disse Margot, sua colega há muitos anos — Sei que quer que ele seja um bom garoto, mas para sobreviver aqui ele vai precisar aprender a se impor.

— Não quero que ele vire um menino brigão como todos os outros.

— Eu sei que não quer, nenhum de nós quer, mas quer que ele vire saco de pancadas? Não, né? E pense, logo ele será transferido, e aí você não terá mais como protegê-lo.

— Ainda falta muito tempo para ele ser transferido.

— E se ele for adotado? Aliás, não entendo como até agora ele não foi, é o mais bonito de todos aqui.

— Deve ter sido falta de sorte. — disse Clair, virando o rosto, sem jeito.

— Então ajude Theo a não ser um garoto revoltado, porque ele está indo para esse caminho.

— Não vejo como.

— Não vê porque é doida por ele. Theo anda se isolando e ficando mais quieto, não ouvimos mais as suas risadas. Ele só ri quando está com você. Por que você não adota esse menino, Clair?

— Eu bem queria, mas Michael não quer.

— Bom, proteger Theo dessa forma não vai ajudar em nada esse menino. Ele precisa aprender a se virar sozinho, por que é assim que eles são: sozinhos.

— É tão pequeno ainda, tem apenas quatro anos.

— E já sofre discriminação. E nós duas sabemos como é isso.

— Vou conversar com ele.

— Faça isso, pelo bem dele. — Margot enfrentou Clair: — Se você não fizer, eu faço. Não posso mais ver esse menino perder todo o seu brilho dia após dia: o guerreiro tem que voltar a merecer esse nome.

Clair refletiu muito sobre que a colega havia lhe falado. Margot sabia mais sobre como as crianças eram, tinha três filhos em casa. Ela também acabava protegendo um mais do que o outro e, quando isso acontecia, o ciúme tomava conta das crianças eram inevitáveis. E mesmo sendo os três irmãos, ela os ensinou a se defenderem. Afinal, segundo Margot, "hoje a briga é em casa, amanhã sabe-se lá onde será...".

Não era apenas Clair que havia se afeiçoado ao Theodore: todos ali o adoravam. O menino era cativante, estava sempre com um sorriso no rosto; amoroso e inteligente. Ninguém entendia o porquê de ele ainda não ter sido adotado. Muitos desconfiavam do motivo, mas ninguém se pronunciava, pois todos gostavam muito de Clair e perceberam que, depois que aquele menino surgira, a tristeza nunca mais voltara àqueles olhos, pelo menos não quando ela estava ali.

— Theodore Isaac! — chamou Clair com a sua voz doce — venha até aqui.

O menino, que brincava num canto isolado do parquinho naquela tarde de primavera, largou tudo e correu ao encontro daquela mulher que amava tanto.

Amargos Segredos [Completo]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora