Acordei sentindo que não era minha cama. Estava escuro, mas uma fresta de luz entrava por não sei ande. Movi um pouco meu corpo e senti um peso na barriga. Devagar, minha mão alcançou um braço. As /memorias da noite anterior surgiram na minha mente e pronto, queria correr dali. Mas não farei isso, não sou uma menina que vá correr de suas responsabilidades. Com cuidado, levantei da cama e fui procurar um lugar neutro. Sai pela porta e caminhei por um imenso corredor até encontrar a escada, então desci.
Sentada no sofá me lembrei de toda noite anterior. Miguel foi bem convincente me mostrando um lado que ele não demonstrou antes. Ele estava dedicado a me convencer que ele não era aquilo que parecia. Eu dormi com ele, literalmente e ele foi carinhoso. Se demostrou preocupado, mas mostrava saber que fazia. Foi sensacional. Seria somente mais um cara na minha cama, se ele não tivesse sendo meu serviço. Estava com medo do que poderia vim, não quero me prejudicar e nem a ele, mas não sei como as coisas ficaram. Ri a reparar que vestia uma camisa de pano leve cinza, acompanhamento de alguma calça de pijama, larga ela ficava em mim. Então me senti ser observada, assim que olhei em direção à parede próxima a porta, aviste uma garota, sim aparentava ser nova, loira, me olhando curiosa.
- Oi! – Sua voz não era fina, é um pouco mais forte, um sotaque gaúcho vinha. – Você é? – Indagou e ela parecia perdida enquanto me olhava, céus quem é essa menina.
- Posso saber o que faz aqui, Larissa? – Era Miguel a fazer a pergunta e a garota olhou sorridente indo até ele e o abraçou.
- Irmão! – Ela parecia feliz e ele retribuiu. – Senti saudades também, mas não sabia que havia sossegado com uma mulher. – Seu tom era engraçado e eu ri.
- Ela não é a minha namorada, Lari. – Seu tom carinhoso enquanto a soltava e só então o reparei sem camisa, e creio que a calça que vestia acompanhava a camisa que eu estava. Engoli a seco. Ele olha para mim. – Pelo menos por enquanto. – Piscou para mim. Agora queria ser a garotinha que corre. – Vai para seu quarto e se troca, vamos conversar depois. E Aline, vai fazer sua higiene enquanto preparo café. – Ele disse e eu suspirei, teria que fazer isso mesmo. Dirigi-me ao quarto.
Assim que voltei à sala ouvi vozes vindo de outro cômodo, segui entrando numa sala de jantar aonde tinha a mesa posta. Miguel falava, enquanto a Larissa passava geleia em uma torrada. Guilherme, com o rosto, indicou uma cadeira vazia ao seu lado, e eu me sentei. Ele estava sério e sua irmã parecia despreocupada.
- Quando você vai crescer Larissa? – Perguntou o Miguel e a irmã rolou os olhos. – Se tivesse um pouco sequer de maturidade, lhe trazia para morar aqui. – Disse sério e eu nunca o imaginei assim.
- Você conhece nosso pai, sabe que ele pode ser um pé no saco. – Ela disse olhando irmão e eu colocava suco em meu copo quieta. Conversa de família e eu aqui no meio desse rolo. Parecia que ambos não gostavam do progenitor.
- Larissa, meu amor, como você quer ser levada a sério com essas atitudes? – Perguntou e agora eu sabia que essa garota era pior que o irmão. – Se meter num protesto em Brasília, você está louca. – Disse incrédulo e eu fiz uma careta. Será que o pai deles era aqueles conservadores que queriam os filhos ditados às regras?
- Mí. – A menina loira choramingou e eu fiquei com pena. – Poxa, vai dizer que concorda com essa babaquice? – Indagou e seu irmão fez careta. – Não aguento mais ter que ser conivente a tudo isso. – Desabafou e vi que o Miguel amoleceu.
- Lari, não concordo e não somos coniventes, acredite. – Disse ele calmo e eu comia uma torrada em silencio tive vontade de abraça-lo. – Mas você convive com ele e sabe quão ruim ele de ser, então se contenha.
- Se eu me comportar você me deixa vim para cá? – Perguntou esperançosa e vou confessar que até eu estava na torcida da garota loira voada.
- Posso pensar. – Ele prometeu piscando para mim e a menina sorri.
Seguimos com o café, os irmãos conversavam sobre a vida pessoal deles e eu me sentia uma intrusa naquele meio. Comi em silencio e reparei que o Miguel às vezes me olhava preocupado. Não quis me meter no assunto particular. Larissa se demostrava mais maluquinha a casa história que contava, Miguel se tornava um careta perto da sua irmã. Assim que ela acabou de comer, disse que iria dormi, pois estava cheia de sono, eu segui para o quarto para poder me arrumar e ir embora.
- Já vai? – Terminava de me calçar e olhei a porta que Miguel estava encostado.
- Não quero atrapalhar. – Disse a verdade e ele sorri de lado.
- Não atrapalha, ao contrário. – Sempre galanteador, rolei os olhos. – Sério, Aline, seria até bom para conversarmos. – Seu tom sério me fez fazer uma careta.
- Deixa para outro dia, Miguel. Tenho compromisso. – De todo não menti, tinha pesquisa a fazer.
- Com quem? – Indagou cruzando os braços acima de seu peitoral.
- Com meus estudos, senhor não dono de mim. – Debochei e ele murmurou algo que não entendi, logo concordou de cara feia, me levando embora.
...
Em casa, sozinha, todo esse furacão Miguel vem à tona na minha. Eu estava certa que ele não me afetaria, mas bastou um jantar e eu cedi aos seus encantos? Não poderia me dar esse luxo. Longe daqueles olhos maravilhosos eu seria coerente. Ele será apenas mais um em minha lista de homens que eu dormi como eu serei só mais uma de suas conquistas. Sim, é isso, Aline. Você nunca se abalou por um homem, nem mesmo pelo Vicente que foi seu verdadeiro namorado. Não seria um homem daquele porte, com mestrado em ser cafajeste que a levaria na lábia. Ela é mais esperta que isso e iria provar a si mesma. Era isso, ela deva satisfação somente a ela.
Se Ângela guardaria sua ansiedade e suas lamúrias para depois? Claro que não. Final da tarde ela chegou despejando todo acontecimento entre ela e o Roni. Se eu havia perguntado? Não, porem ela não se importou, contou todos os detalhes desnecessários para mim. Agora, eu que sou mais reservada, fui interrogada por constante tempo e não queria falar muito, mas bem, se tratava de uma amiga. Minha melhor amiga. Tem como fugir?
- Conheceu a cunhada? – Era sobre isso que falava, ela já imaginava conto de fadas e eu era mais realista.
- Conheci a irmã do meu serviço. Uma adolescente rebelde e problemática. – Pontuei e minha amiga rolou os olhos.
- Deixa de ser assim. Eu o vi como ele te devorava, se der uma chance de ser feliz, você merece. – Pronto, agora a história entrou no pessoal vai ela querer dar lição de moral, e foi o que ela fez pelos trinta minutos arrastados enquanto eu me arrumava para irmos à sorveteria.
Chegamos à sorveteria pedindo nosso sorvete predileto. Sentamos na nossa mesa de sempre e ficamos falando sobre a vida, minha amiga sempre focando no Roni e como ele era. Não me surpreendeu ele aparecer ali com a cara mais lavada nos cumprimentando com um beijo no rosto e puxando uma cadeira para ele, com o sorriso cínico que só ele tinha.
- O tempo estar quente, não acha? – Ele disse e minha amiga sorria abobada enquanto eu rolava os olhos. – Que mau humor, Aline. Conta-me o que acontece? – Ele fingiu interesse e eu não retribui, voltei a minha atenção ao sorvete, enquanto ele engatava uma conversa com minha amiga, que nesse instante, não era tão amiga assim.
À noite, sozinha em casa, conversei pelo whatsapp com Caio que me contou suas novidades. Ele parecia radiante pelos áudios e vídeos enviados. E também muito bonito, parece modelo, mas estuda medicina e está para acabar. Ele sempre foi muito acolhedor e carinhoso, por isso tinha uma lista imensa de casinhos, incluindo a Ângela que hoje ver como amigo. Já comigo, sempre foi só amizade, como um irmão. Eu amo esse cara.
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Olá gente! Quero agradecer todos os votos e comentários. Espero que estejam gostando. Sábado tem mais.
Foto: Larissa
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Será Única
Romance- Você com esse cabelo preto sorriso sem jeito foi chegando perto chegou perto demais, três ou quatro dias tava tudo tão perfeito dos meus problemas eu já nem me lembrava mais. - Advinha de quem vinha essa voz rouca e malditamente sexy? Sim, do cara...
