Capítulo 11

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Abri meus olhos e o quarto permanecia escuro. Já era familiar o calor do braço do Miguel em minha barriga, mesmo que tenha uns dias sem. Havia uma fresta de luz vinda de um pequeno espaço da cortina, e ela mirava no rosto do Miguel. Ele estava tão sereno e tranquilo. Seu cabelo estava um pouco maior e sua barba já começava a se amontoar em seu rosto. Acariciei de leve seu cabelo. De perto ele é ainda mais bonito. Eu irei o ouvir, depois que ele chegou à minha porta, sua aparência destruída, merecia ao menos uma chance de dizer. Patrícia estava certa, estou apaixonada por ele, agora ela me deu um ponto a se pensar. Segundo ela, é melhor sofrer agora do que depois. Isso pode ter inúmeros significados na situação que nos encontramos. Eu tinha que ter a certeza de tudo. Vê-lo ai tão indefeso me fez pensar em seu lado. Ele sempre demostrou uma aversão ao seu progenitor, como muitas vezes o denominou. Aconcheguei-me mais em seu corpo, acabei por adormecer novamente.

Meus olhos abriram novamente e meu corpo não tinha peso. Havia uma luz vinda da porta e assim que relaxei meus olhos, o vi sentado na minha cama, me encarando. Apenas com seus jeans, cabelo molhado e tórax nu, era um pecado a se ver. Ele parecia cauteloso. Estavam distantes os corpos, mas conseguia sentir sua respiração. Espreguicei-me e ele esticou seu braço, tirando a mecha de cabelo que caiu no meu rosto. Sorri sem graça.

- Tomei a liberdade de pedir nosso café, ele chegou há alguns minutos. Vai fazer sua higiene, lhe espero na cozinha. – Ele esticou aquele maravilhoso corpo e beijou minha testa, logo sumiu.

Vi aquela bunda bem definida e perfeita para um homem sumir do meu quarto e bufei frustrada. Sinceramente, queria a apertar. Levantei cabisbaixa e fui para o banheiro, recolher minha insignificância e a deixa limpa. Após me higienizar, tomar um banho demorado, voltei ao minha quarta enrolada numa toalha e peguei um shortinho jeans qualquer com uma camisa de manga curta cinza. Penteei meu cabelo que estava molhado e calcei minha sandália. Não me dei o luxo de maquiagem, estava em minha casa, Miguel já havia me visto sem nada, não seria agora que iria me montar. Assim que cheguei à cozinha, ele mexia no seu notebook, que não tenho ideia de onde surgiu (Burra, provavelmente estava no carro dele, ele vivia grudado nesse seu brinquedo.), assim que me viu, ele fechou e deu um sorriso fraco. Encarei a mesa e estava farta, arregalei os olhos e o vi sorri de lado. Ele e sua tosca mania de fartura, quando se tinha apenas duas pessoas. Sentei-me e ele me serviu um suco de maracujá, que ele sabia que eu adorava, e me empurrou um sanduíche de peito de franco. Era ridícula a maneira que ele já me conhecia. Sentia-me mal com isso. Ele logo pegou seu sanduiche de queijo suíço e lá suas coisas fitness e comemos em silencio.

- Estava em Brasília. – Disse Miguel após um silêncio absurdo. Havíamos terminado o café, e fui arrumar a cozinha, quando fui à sala, estava o Miguel sentado no sofá. Ele parecia impaciente. Sentei na outra extremidade do sofá e aguardei ele se manifestar. – Toda essa confusão das fotos fez o meu pai perturbar minha paciência e fui lá para poder resolver e deixar tudo claro. – Sua voz estava numa calma e eu o olhei. – Deixei claro que as coisas entre mim e ele não mudaram, eu quero distancia desse mundo dele, Aline, e não será agora que voltarei atrás. – Suspirou. – Deixei bem claro, também, sobre você. Ele não é nada em nossas vidas. – Declarou e eu o olhei.

- Ele é seu pai. – Disse, resumindo todo o assunto.

- Ele jamais se comportou como tal, linda. – Sua voz era de descrença. – A coisa mais importante para ele é a imagem e a politica. Nem minha própria mãe ele respeita para conseguir o que quer. – Ele me olhava e eu podia sentir sua sinceridade. – Minha mãe foi empurrada para esse meio, ela é gaúcha, de uma família tradicional de politica e eles se conheceram num coquetel em São Paulo, minha mãe se apaixonou e acabou cedendo à ideia de unir as famílias, pois já estava apaixonada por ele. Mesmo com todo descaso, ela acabou se tornando a mulher que meu pai precisa. – Sua voz ia sumindo e eu me aproximei o abraçando.

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