Abri meus olhos e o quarto permanecia escuro. Já era familiar o calor do braço do Miguel em minha barriga, mesmo que tenha uns dias sem. Havia uma fresta de luz vinda de um pequeno espaço da cortina, e ela mirava no rosto do Miguel. Ele estava tão sereno e tranquilo. Seu cabelo estava um pouco maior e sua barba já começava a se amontoar em seu rosto. Acariciei de leve seu cabelo. De perto ele é ainda mais bonito. Eu irei o ouvir, depois que ele chegou à minha porta, sua aparência destruída, merecia ao menos uma chance de dizer. Patrícia estava certa, estou apaixonada por ele, agora ela me deu um ponto a se pensar. Segundo ela, é melhor sofrer agora do que depois. Isso pode ter inúmeros significados na situação que nos encontramos. Eu tinha que ter a certeza de tudo. Vê-lo ai tão indefeso me fez pensar em seu lado. Ele sempre demostrou uma aversão ao seu progenitor, como muitas vezes o denominou. Aconcheguei-me mais em seu corpo, acabei por adormecer novamente.
Meus olhos abriram novamente e meu corpo não tinha peso. Havia uma luz vinda da porta e assim que relaxei meus olhos, o vi sentado na minha cama, me encarando. Apenas com seus jeans, cabelo molhado e tórax nu, era um pecado a se ver. Ele parecia cauteloso. Estavam distantes os corpos, mas conseguia sentir sua respiração. Espreguicei-me e ele esticou seu braço, tirando a mecha de cabelo que caiu no meu rosto. Sorri sem graça.
- Tomei a liberdade de pedir nosso café, ele chegou há alguns minutos. Vai fazer sua higiene, lhe espero na cozinha. – Ele esticou aquele maravilhoso corpo e beijou minha testa, logo sumiu.
Vi aquela bunda bem definida e perfeita para um homem sumir do meu quarto e bufei frustrada. Sinceramente, queria a apertar. Levantei cabisbaixa e fui para o banheiro, recolher minha insignificância e a deixa limpa. Após me higienizar, tomar um banho demorado, voltei ao minha quarta enrolada numa toalha e peguei um shortinho jeans qualquer com uma camisa de manga curta cinza. Penteei meu cabelo que estava molhado e calcei minha sandália. Não me dei o luxo de maquiagem, estava em minha casa, Miguel já havia me visto sem nada, não seria agora que iria me montar. Assim que cheguei à cozinha, ele mexia no seu notebook, que não tenho ideia de onde surgiu (Burra, provavelmente estava no carro dele, ele vivia grudado nesse seu brinquedo.), assim que me viu, ele fechou e deu um sorriso fraco. Encarei a mesa e estava farta, arregalei os olhos e o vi sorri de lado. Ele e sua tosca mania de fartura, quando se tinha apenas duas pessoas. Sentei-me e ele me serviu um suco de maracujá, que ele sabia que eu adorava, e me empurrou um sanduíche de peito de franco. Era ridícula a maneira que ele já me conhecia. Sentia-me mal com isso. Ele logo pegou seu sanduiche de queijo suíço e lá suas coisas fitness e comemos em silencio.
- Estava em Brasília. – Disse Miguel após um silêncio absurdo. Havíamos terminado o café, e fui arrumar a cozinha, quando fui à sala, estava o Miguel sentado no sofá. Ele parecia impaciente. Sentei na outra extremidade do sofá e aguardei ele se manifestar. – Toda essa confusão das fotos fez o meu pai perturbar minha paciência e fui lá para poder resolver e deixar tudo claro. – Sua voz estava numa calma e eu o olhei. – Deixei claro que as coisas entre mim e ele não mudaram, eu quero distancia desse mundo dele, Aline, e não será agora que voltarei atrás. – Suspirou. – Deixei bem claro, também, sobre você. Ele não é nada em nossas vidas. – Declarou e eu o olhei.
- Ele é seu pai. – Disse, resumindo todo o assunto.
- Ele jamais se comportou como tal, linda. – Sua voz era de descrença. – A coisa mais importante para ele é a imagem e a politica. Nem minha própria mãe ele respeita para conseguir o que quer. – Ele me olhava e eu podia sentir sua sinceridade. – Minha mãe foi empurrada para esse meio, ela é gaúcha, de uma família tradicional de politica e eles se conheceram num coquetel em São Paulo, minha mãe se apaixonou e acabou cedendo à ideia de unir as famílias, pois já estava apaixonada por ele. Mesmo com todo descaso, ela acabou se tornando a mulher que meu pai precisa. – Sua voz ia sumindo e eu me aproximei o abraçando.
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Será Única
Romance- Você com esse cabelo preto sorriso sem jeito foi chegando perto chegou perto demais, três ou quatro dias tava tudo tão perfeito dos meus problemas eu já nem me lembrava mais. - Advinha de quem vinha essa voz rouca e malditamente sexy? Sim, do cara...
