Capítulo 35

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O mês correu e estávamos próximo a Páscoa. Diferente de outros anos, eu não aguentava ver chocolate. Preparei lembrancinhas para ONG qual trabalhei e deixaria com Roni, mas foi uma luta. Pedro me ajudou com pacotes numa tarde. O cheiro do chocolate me dava náuseas. Não sei o que acontecia, mas procuraria um médico quando acabasse essa correria. Junto ao Miguel, compramos caixas fechadas de ovos de Páscoa que vinham com brindes para Roni distribuir, também. Para aonde estava com Jonas também teve os mesmos preparativos e contemplação. Miguel era um homem generoso, soube pelo Henrique, que ele distribuía ovos de Páscoa a orfanatos e creches. Ele tinha feito amizade com um empresário de marca de chocolate, então isso o facilitava.

- Pedrinho, quer pegar um? – Perguntei quando arrumava as lembrancinhas na caixa. Eu sempre fazia bem mais do que necessário, por precaução.

- Não, obrigado. – Ele disse me olhando. Ele tinha os olhos vidrados. Ele comeu muito chocolate e percebi sua preferência pelo ao leite que ele sorria e sempre o escolhia. – Meu Pai Miguel disse que era para eu vigiar você. – Ele apontou para mim. – Você está bem? – Ele ainda não me chamava por mãe, mas Miguel sempre seria seu pai e cumplice.

- Estou bem. – Disse e olhei no relógio. - Quer me ajudar a fazer o jantar? Amanhã você irá comigo levar essas caixas, tudo bem? – Ele assentiu e fomos para a cozinha.

Preparei macarrão com tempero de hortelã com filé de frango empanado e legumes cozidos. Miguel não demorou muito a chegar. Ele nos cumprimentou e foi para o banheiro e falei para Pedro também ir tomar banho enquanto colocava a mesa. Eles não demoraram muito e logo jantamos em família.

Conversávamos trivialidade, Miguel contou seu dia no trabalho. Contamos nossos preparativos, mas não falei sobre ir entregar as caixas amanhã. Já seria quarta e não queria atrasar mais. No fim, coloquei a louça na máquina de lavar, grande invenção que me rendi, e fui tomar banho enquanto Miguel foi por Pedro para dormi. Quando ele voltou, ele foi carinhoso e adormecemos após fazermos amor lentamente explorando um ao outro com carinho e cumplicidade.

...

Arrumei as caixas na porta mala do carro e pus o Pedro em segurança no banco traseiro com cinto de segurança Liguei para Roni, e após muito esporro por não avisar nada com antecedência e o Miguel não saber, ele concordou com minha ida. Parti para meu antigo local do trabalho, que apesar de tudo, sentia saudades e não tinha medo. Sempre fazia isso, esse ano não seria diferente. Não por motivos que com certeza foi esquecido pelo Tiago, pai biológico do Pedro.

Cheguei na comunidade e parei meu carro em frente a ONG. Roni já me esperava e lá me ajudou com as caixas enquanto Pedro ficava dentro da ONG brincando com seus carrinhos que havia trago. Roni organizou as caixas junto as outras e me mostrou todo seu projeto.

- Logo no início da rua tinha esse espaço, decidi alugar e estarei indo parta lá em um mês com a ONG. – Disse orgulhoso e sorri.

- Fico feliz. Queria tanto voltar, mas Miguel não concordaria. – Disse.

- Quem diria você fazer vontade de homem. – Ele rio, brincou lembrando das minhas resistências.

- O homem que eu amo e divide uma vida comigo, meu caro. – Disse me levantando. – Vou indo, não estou muito bem. – Fiz uma careta lembrando do enjoo matinal juntamente a tonteira.

- O que você tem. – O disse e ele arregalou os olhos. – Isso não te diz nada, tipo, um herdeiro para Miguel? – Perguntou sugestivo e sei que fiquei pálida.

- Não, impossível. Tomo remédio. – Disse convicta, mas por dentro fazia cálculos da minha última menstruação e meu consciente me deu um tapa na nuca. Não podia, isso era só coincidência.

- Anticoncepcionais falham, minha cara. – Pontuou.

- Não o meu. – Disse com certeza infundada. – Vou indo encontrar Miguel, almoçaremos juntos. – Disse me levantando.

- Me avisa quando estiver com ele, fico preocupado. – Ele pediu e sorri. O abracei forte.

- Você é o irmão que não tive, Roni. – Beijei seu rosto e ele nada respondeu.

Depois de se despedir do Pedro, Roni nos levou até o carro. O ajeitei no carro e sai. Logo que estávamos chegando no final, esperava uma menina atravessar a rua, vi pelo retrovisor Pedro encarar uma lojinha que tinha pipas. Perguntei se ele queria e ele assentiu contente. Estacionei o carro numa ruazinha e o deixei ali, indo comprar. Pedi duas e linha, também. Paguei juntamente com duas garrafinhas de agua e sai da loja. Olhei de um lado para o outro e atravessei. Perto de chegar no carro, senti um aperto no meu braço e quando pensei em gritar, mãos sujas tamparam minha boca me empurrando em direção ao carro.

- Nem pense em gritar, bonitinha. – Uma voz masculina e rouca disse no meu ouvido. – Temos conta a acertar. – E então aquele medo que havia ido embora voltou. Lembrei do Pedro e assim que fui jogada no banco de trás amordaçada e sem as chaves, ele me olhou chorando.

- Mamãe. – Disse me abraçando e retribui querendo muito falar, mas sem conseguir.

- Sua mãe morreu, filho. Essa daí só é uma aproveitadora de garotinhos mal como você, abandonado por mais vagabundas como a sua. – Disse diabólico ao entrar no carro e logo outro cara alto e magro com pele morena claro, cara de mal, entrou e colocou o carro em ação. Para meu desespero, eles saíram da comunidade e o Tiago se pendurou no banco, prendendo minhas mãos e tacando um saco de pano no meu rosto. – Assim ficou melhor. – Rio e ouvi um estalar e Pedro chorar. Eu não podia fazer nada. Estava apavorada por mim e meus filhos, um ao meu lado e outro no meu ventre. Miguel enlouqueceria ao saber do nosso sumiço.



  O que você faria se seu primeiro amor fosse embora?Tudo o que Isabela queria era que Rafael ouvisse seu pedido e que ficasse com ela, mas ele se foi, e a deixou apenas com as lembranças e a filha dos dois

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  O que você faria se seu primeiro amor fosse embora?
Tudo o que Isabela queria era que Rafael ouvisse seu pedido e que ficasse com ela, mas ele se foi, e a deixou apenas com as lembranças e a filha dos dois. Anos depois Rafael reaparece de uma forma inusitada na vida de Isabela, reivindicando tudo o que ele julgava lhe pertencer: a filha e o amor de Isabela.  

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