Bosque

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Apesar do dia quente a floresta se mantia fria. Galhos balançavam para todos os lados provocando uma canção medonha. O chão era ligeiramente húmido com folhas secas e galhos quebrados. Uma terra fértil onde flores estranhas nasciam e floresciam, o ar era limpo e fresco. Uma pequena brisa havia passado por seus cabelos fazendo com que ela fechasse os olhos. Seus passos eram firmes e vagarosos evitando o máximo possível de barulho. Tudo estava acontecendo como havia planejado e isso era algo aliviador.

- Gustavo, meu lindo Gustavo. Veja sua nova casa, olha que natural. nem sei o por que de ainda pensar na noite passada, ou como tudo aconteceu.

Lunna adentrou ainda mas na floresta não preocupando-se com as cobras peçonhentas que poderiam estar em baixo das folhas secas no chão. Um lugar calmo e inacreditavelmente bonito, onde insetos e pequenos roedores transitavam diariamente. Os raios de sol já não conseguiam ultrapassar as folhas das árvores aglomeradas. Tudo o que continha ali dentro eram sombras contando-se com Lunna também. Uma árvore de tronco largo e firme mais a frente chamou sua atenção , seus galhos eram altos e grandes parecendo estar indo em encontro com o sol.

- Aqui esta ótimo.

Lunna soltou o lençol que continha o corpo de Gustavo e as ferramentas, abrindo-o por completo deixando o corpo sem vida ali de qualquer maneira. Pegando uma pá e um enxadão ela golpeou por diversas vezes o solo deixando visível uma formato de cova.

- Sabe Gustavo, você errou ao me procurar. Errou ao me querer na cama como todos os outros faziam. Eu estava muito bem sozinha ate você aparecer.
Sempre me sentia sozinha e isso era maravilhoso mas você despertou esse odio que estava adormecido. Sei que não foi sua culpa, mas eu ter sido estuprada também não foi minha culpa. Foi de Regina e ela também irá pagar não se preocupe. Trarei companhia logo logo para você.

Lunna parou por um estante limpando o suor de seu rosto e amarrando seu cabelo em um coque simples. Havia deixado seu celular em casa e saber que horas seria era algo desafiador. Nem mesmo um relógio do sol ela poderia fazer pois os raios de sol não atravessavam as folhas. Lunna continuou cavando, agora com mais pressa para voltar para casa sem deixar rastros. A floresta parecia não ter fim e os sons de galhos quebrando trazia a falsa sensação de que alguém estava chegando. Minutos depois uma cova já podia ser vista por completo. Amarrando o lençol ainda mais forte no corpo de Gustavo Lunna empurrou-o na cova sem nem uma delicadeza. Um som abafado do corpo caindo fez com que ela olhasse para todos os lados garantindo que ninguém estava ali a observando. Jogou toda a terra com a pá para dentro da cova novamente não deixando nem um pouco sobrar. Algumas folhas secas estavam próximas, junto com galhos de árvores e pequenas pedras que foram usados para disfarçar o local da cova. Não que ela já tivesse feito algo parecido antes mas era quase impossível notar que o solo daquele lugar fora mexido. Sem olhar para trás Lunna pegou as ferramentas e tomou seu caminho para casa. Era o mesmo trajeto, praticamente a mesma quantidade de passos e estava claramente exausta. Um longo caminho depois de um trabalho braçal e a casa de sua tia a esperava para suas tarefas do dia. Quando havia saido para enterrar o corpo de Gustavo eram exatamente 06:20 h da manhã e agora seriam 11:30 h horário que Vitoria chegava em casa para almoçar.
Minutos mais tarde Lunna chegou a porta dos fundos. Colocou a pá e o enxadão emcostados em uma pedra já desgastada pelos anos que haviam se passado na esperança de depois lavá-los muito bem e com todo cuidado.
Abriu vagarosamente a porta tomando todo o cuidado para não ver Vitória a sua espera. Algo chamou sua atenção, pendurado entre os imãs da geladeira havia um bilhete escrito em folha amarela.

" Lunna, precisamos conversar assim que eu chegar do trabalho. Ass: Vitória. "

Lunna estremeceu, suas mãos gelaram e seu coração ficou acelerado. Vitória teria visto as marcas de sangue em seu quarto ? Ou achado o bisturi ? Correndo para o quarto Lunna subiu as escadas tropeçando nos degraus. A porta estava fechada como ela havia deixa. Seu celular estava em cima da cama e ao pegá-lo Lunna percebeu que tinha 4 ligações perdidas. O desespero em seu rosto foi notável. Sua tia teria descoberto ?
Entre o sim e o não Lunna decidiu se recompor e fazer suas tarefas antes que Vitoria chegasse e tudo piorasse.
A tarde havia chegado e junto com ela Vitória.
Abrindo a porta Vitória adentrou na casa juntamente com seu namorado.

- Lunna, esta ai ?

Ouvindo a voz de Vitória Lunna desceu as escadas encontando ela e Matheus sentados no sofá aparente nervosos .

- Ande Lunna, sente aqui ! Temos que conversar.

Lunna sentou-se no outro sofá abaixando a cabeça e esperando as palavras de sua tia.

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