Quem é pior ?

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A madrugada havia adentrado a noite densa como uma faca cortando o ar. Ambas estavam em silêncio e Cássia já parecia sonolenta. Vitória deveria estar preocupada com a sobrinha que não tinha o costume de demorar tanto a voltar e isso também a preocupava. Cássia morava em uma rua aparentemente bem localizada, casas elegantes não menos que dois andares, uma praça ao lado direito com chafariz e um jardim muito bem cuidado mostravam a dedicação dos moradores.

- Cássia, chegamos.

Cássia olhou sonolenta para o vidro do carro notando que estava em frente a sua casa.

- Obrigada por me trazer ate aqui.

Lunna sorriu para ela enquanto Cássia retirava o sinto.

- Não agradeça, simplesmente sei onde você mora.

As palavras ecoaram por todo o carro se tornando um tormento para a garota que não entendia se era uma ameaça ou apenas um aviso. A porta do passageiro fora aberta e ela retirou-se.

- Se cuide Cássia. E se precisar me ligue.

Lunna entregou um papel em branco para ela.

- Não tem nada escrito.

Lunna sorriu.

- Quando realmente precisar de mim passe de leve o lápis por cima do papel e aparecerá meu número. Marquei forte o suficiente quando escrevia para aquele policial. Caso ao contrário não house revelar meu contato.

Era realmente uma estratégia ótima. Um número praticamente oculto mas revelado ao contato com uma cor dominante.

- Você é realmente louca !

Cássia sorriu em agradecimento ao saber da nova forma de encontrar Lunna.

- Ainda não me tornei uma, quem sabe algum dia desses. E nesta loucura você vem comigo.

Lunna piscou para ela fazendo com que Cássia gargalha-se.

- Adeus.

Entrando em um pequeno portão branco a garota afastou-se a cada passo, seu vestido rosa ainda permanecia com a mancha de sangue anterior e surpreendentemente seu medo por Lunna havia sumido. O automóvel voltou a movimentar-se ate o momento em que sumiu pela esquina a fora. O retorno para casa de Vitória seria longo e sua explicação ainda mais convincente do que costumava ser. Uma musica agradável tocava no som do carro e na cabeça de Lunna mil ideias surgiam.

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Bruno Olivera, 36 anos pela morena de corpo forte e rosto fino cabelos negros e olhos claros encantadores. Jeito meigo para quem não o conhecia mas classificado como cachorro para quem tinha um contato a mais como as mulheres que se relacionava. Homem de atitude e poucas palavras muito julgado pela sua bipolaridade constante . Jovem e cheio de força de vontade, separado a alguns anos de Sara sua ex esposa que havia o traido com seu melhor amigo. Havia começado a trabalhar em uma delegacia local a 8 anos e já havia se tornado o homem mas odiado por todos os policiais que ele pouco se importava em ter contato. Nada além de sua carreira o importava, como não havia tido filhos com Sara resolveu se isolar em seu mundo precario que fazia questão de que ninguém se aproximasse sentimentalmente.

- Oliveira , esta vendo aquela fumaça ?

Bruno, chamado de Oliveira por seu companheiro Marcos Nunes como formalidade e exigência do ambiente de trabalho estava dentro da viatura observando algo no céu.

- Não . Acredita que aquela mulher me deu o número do celular dela ?

Marcos olhou para Bruno sorrindo.

- Como sempre.

- Não sei, ela tem algo que me incomoda.

Marcos observou que Bruno estava incomodado com aquele pedaço de papel em suas mãos. Entrando na viatura junto com seu parceiro de trabalho Bruno guardou o número de Lunna em um bolso.

- Cara você realmente se importa com tudo ou acha defeito em todos. A mulher só foi, digamos audaciosa em entragar o número dela para você em uma abordagem.

Bruno não parecia satisfeito mas mesmo assim não se desfez do número da garota.

- Tem uma fumaça mais a frente Nunes, pode ser um acidente. Acho melhor irmos checar.

Ligando as sirenes e seguindo pelo asfalto Marcos e Bruno foram diretamente para o local do assidente sem saber o que os esperava.

- E ai, vai ligar para ela ?

Bruno estava quieto como sempre, seu lado bipolar viera atona e isso era um ótimo motivo para Marcos tentar conversar.

- Quem sabe, achei ela uma mulher linda além de parecer ser uma tentação.

Nunes continuava com as mãos no volante prestando atenção na pista.

- Como ela é ?

Bruno notou o interesse do parceiro.

- Pode pegar o número se quiser.

Nunes o olhou por questão de segundos. Seus oculos nada atrativos o deixavam com uma aparência intelectual, seu corpo magro mas bem cuidado atraia alguns olhares. Bocs carnuda e desejada por algumas garotas mas novas de sua rua.

- Não quero não. Só quero mesmo e puxar assunto. Você anda muito fechado ultimamente.

Ambos haviam chegado no local onde encontrava-se a fumaça. Um brilho vindo da margem do rio deixava claro ser um acidente.

- Comunique os outros e peça ajuda pelo rádio. Irei até lá !

Marcos assentiu parando o carro deixando que Bruno saisse. Estava escuro o que dificultava a visão e o trabalho dos policiais uma noite tumultuada e problemática que estava longe de terminar. Com a lanterna do celular Bruno iluminou o local por onde iria descer, os matos estavam remexidos e boa parte amaçados. Algumas pegadas na terra solta mostrava claramente que alguém estivera ali. Bruno desceu o pequeno morro pisando na parte plana.

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