Capítulo 14

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O almoço na casa dos Mello estava animado. Egydinha e Ruth tagarelavam sobre planos futuros. Ruth dizia:

- Então tia Inês, como eu estava dizendo, Egydinha deve retornar comigo à Petrópolis. É por conta da escola. A senhora sabe, não seria justo ela perder o ano só porque vai se casar.

- Eu não sei quando será o casamento. O noivo ficou de marcar no noivado. E se ainda for esse ano? – retrucou Dona Inês.

- Esse ano "pás question" mamãe. Eu me casarei o ano que vem nesta mesma data do noivado, quem sabe? – disse Egydinha.

- Meninas eu vou ter que me retirar, pois ainda tenho que trabalhar, mas minha palavra se é que vale de alguma coisa nessa casa é para Egydinha continuar os estudos no Sion. Rudolf pode esperar. – disse Senhor Otávio.

- Obrigada papai! Sabia que podia contar com o senhor! – Egydia sai da mesa e abraça o pai antes que ele saia. Depois retorna para a sobremesa, morangos açucarados, sua preferida.

Assim que Ciça sai da sala, Dona Inês inicia uma conversa.

- Egydia o filho de Das Dores ficará um tempo aqui nessa casa. Ele dormirá nos aposentos da mãe. É só por um tempo, ele está vendo um trabalho.

- O Tobias no Rio? Que maravilha! - Egydinha se empolgava.

- Mas o quarto de Das Dores mal dá pra ela mamãe. Acho inconveniente. A senhora pode colocá-lo no quarto do sótão. É uma saleta, mas pode servir perfeitamente de quarto e depois eu o conheço desde pequena, não seria justo.

- Lá vem você misturando as coisas. É verdade que ele apesar da cor, estudou com mérito e sempre teve boa educação, mas hospedá-lo aqui na casa conosco não sei se seria o caso.

- Tia a cor das pessoas pouco importa. A escravidão já acabou, ficou no século passado. Em Paris há muitos homens de cor como a senhora diz com carreira e casando-se com mulheres brancas. - retrucou Ruth

- Por favor, mamãe. Eu sempre cedo quando a senhora pede alguma coisa... Pense na Das Dores sempre lhe servindo e nunca ficando com o filho. - Egydinha se importava realmente com Tobias e Das Dores.

- Certamente não será agradável aos olhos de Deus termos diferenças entre nós. Não acha tia? 

A prima Ruth ajudava no que podia, era muito ligada as causas sociais. 

Dona Inês pensou um pouco antes de responder, mas acabou cedendo.

- Está bem, mas vocês é que irão arrumar esse sótão para o rapaz e nada de se meterem lá em cima com ele. Já não são mais crianças.

Ruth e Egydinha se olharam sorrindo. O olhar das duas era um olhar de vitória, haviam convencido Dona Inês a mudar de ideia, tanto nas férias de Egydia quanto na hospedagem de Tobias.

- Eu mesma vou falar com Das Dores da mudança de lugar para o filho dormir. – disse Dona Inês antes de se retirar da mesa.

Assim que Dona Inês se retirou, Ruth disse

- Agora podemos ir pro quarto, quero que você me conte todas as novidades! 

- Aqui não, precisamos sair. Vou dar uma desculpa e vou te levar pra ver a ronda dos soldados da cavalariça.

- Mas hoje é sábado, vai haver ronda?

- É por conta das obras do Prefeito, todos os dias menos no domingo há ronda dos soldados no Centro da cidade

- E por que eu gostaria de ver os soldados?

- Já já você vai saber, sua curiosa!


EgydinhaOnde histórias criam vida. Descubra agora