Capítulo 12

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    Um início de chuva fina cai e os pingos molham o rosto de Egydinha que corre ao encontro do soldado. 

    - Meu Amor você veio! – Arthur abraça Egydinha que está um pouco tremula.

    - Eu não posso demorar. Eu nem mesmo sei se devia ter vindo... – Ela recua um pouco.

    - Por que fugir do que está sentindo? Desde que te vi, eu me senti feliz sem motivo. Só de te ver eu me sinto bem.

    - Mas nós só nos vimos duas vezes. - ela diz.

    - Para mim foi o suficiente para saber que existe algo forte entre nós e a prova que eu não estou errado é que você veio se encontrar comigo aqui.

    -Eu não sei se fiz certo em vir...

    Arthur não a deixa terminar a frase e a beija, a princípio delicadamente, depois com mais furor. Ela corresponde.

    Egydinha está usando uma capa que encobre a roupa de baixo, uma linda camisola longa rendada e de fitinhas azuis.

    Ele ao passar a mão pela face de Egydinha desce até seu colo, ela segura a mão do rapaz.

    - O que está pensando em fazer? – Ela diz temerosa do próprio desejo.

    - Nada meu amor, fique tranquila, só estou te olhando assim. Você é linda demais! Eu quero você na minha vida Egydia como minha esposa. – as mãos dele estão segurando as dela e ele vai desenrolando a fitinha azul do punho. Queria levar a fita de recordação daquele momento. Para ele um momento mágico.

    - Você sabe que eu estou noiva, não sabe?

    - Noivados podem ser terminados e nós não temos culpa de termos nos apaixonados.

    - Eu não posso terminar meu noivado.

    - Eu não entendo. Você veio até aqui só pra me dizer isso? E o nosso beijo? Não significou nada pra você. Sinta as batidas do meu coração.

    Ele coloca a mão de Egydinha em seu peito que está disparado de amor e desejo.

    - Eu tenho que ir, eu já me arrisquei demais.

   - Espere! Posso voltar amanhã?

    Ela não o ouviu, tinha saído correndo e o barulho da chuva aumentara. Egydia alcança o portão de casa sem olhar para trás.

Foi tudo tão rápido e tão vibrante. O coração de Egydinha estava acelerado. Seria medo? Ou amor?

Na Residência dos Mello

    Ciça tinha deixado o portão aberto para Egydinha voltar. Elas tinham combinado que teria uma flor amarela do próprio jardim em cima do muro como sinal verde para ela entrar se estivesse tudo bem, caso algo tivesse acontecido, a flor seria vermelha e ela teria que dar uma desculpa quando entrasse porque a mãe na certa havia descoberto toda a trama.

    Assim que chegou Egydia apanha a flor amarela no muro e entra. Ciça a vê chegando e a ajuda no que pode. Retira a boneca e os lençóis e quando consegue deixar Egydinha deitada, ela não agüenta de curiosidade e pergunta.

    - Como foi lá sinhazinha?

    - Foi muito bom Ciça, ele me beijou e eu...

    - E sinhazinha o que?

    - Eu adorei Ciça! Eu amei o beijo dele! Nem se compara com nada que eu tenha vivido. Você me entende?

    - Mais ou menos sinhazinha, eu não fui muito beijada. Foi um beijo longo?

    - Ah Ciça, foi sim, mas me deixe dormir agora que eu quero sonhar com esse encontro e com esse beijo. Mamãe não apareceu aqui no meu quarto, não é?

    - Não, eu fiquei vigiando e a sinhazinha nem demorou nada. Seus pais ainda estão com seu noivo na sala, acho que ele estava se despedindo agora.

    - Ainda bem que eu cheguei antes. Obrigada Ciça, esse será um segredo nosso.

    - Pode contar comigo, mas seria melhor que esses encontros fossem de dia, de noite eu tenho medo pela sinhazinha.

    - Eu sei Ciça, eu também tive um pouco de medo.

    - Bom, deixa eu ir antes que Dona Inês resolva vir até aqui. Até amanhã sinhazinha.

    - Até amanhã Ciça.

    Champanhe, a cachorrinha estava na cama de Egydia e assim que ela entrou recebeu os carinhos da dona e nessa noite não desceu para o tapetinho, dormiu junto aos pés de Egydinha. 


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EgydinhaOnde histórias criam vida. Descubra agora