Egydinha e Ruth demoraram a dormir aquela noite. Tinha sido uma noite especial e cheia de emoções para Egydinha. Ela sabia que devia isso a prima, a corajosa e idealista Ruth.
Confidenciou-lhe a alegria que estava sentido por realizar esse encontro com Arthur, mas por outro lado temia que alguém descobrisse esse romance e acabasse por contar a sua família ou ao Doutor Rudolf.
- Preciso confessar que a pela primeira vez eu pensei em estar com um homem corpo a corpo. - disse Egydia
- Como assim? retrucou Ruth
- Pensei sim em estar nua junto com meu amor. Para ser dele, pertencer só a ele. Você me entende prima?
- Nossa! Mas você não fez isso, fez?
- Claro que não! Estávamos passeando de charrete, ele me abraçou e me beijou.
- E vocês não conversaram?
- Sim, conversamos. Mas confesso que para nós bastava o barulho e o balanço da charrete. Queríamos nos beijar, nos abraçar, nos ...
- Então você tem mesmo que terminar esse namoro com Doutor Rudolf. Esse casamento seria um desastre.
- Mas eu preciso pensar no meu pai, nas dívidas que ele contraiu. O casamento com Doutor Rudolf seria uma garantia.
- Talvez seja melhor parar com esse namoro com o soldado. Não o veja mais e pronto!
Ruth era mais decidida e queria encorajar a prima a tomar uma decisão sensata, antes que a prima se colocasse em perigo. Só de pensar no Doutor Rudolf uma rusga lhe franzia a jovem testa. Ela temia por Egydinha.
- Vamos dormir, eu não quero pensar nisso agora. - Egydia encerrava o assunto.
Manhã seguinte - Domingo 23/07/1905
Senhor Otávio estava animado. Ele sentia-se orgulhoso de sua mulher e filha. E quando sua sobrinha e afilhada Ruth estava junto a eles. Era uma alegria só. Dona Inês não pode lhe dar mais filhos, por ele teria uns quatro.
- Inês, chame as meninas. Elas estão demorando muito se aprontando e eu não quero chegar atrasado para o almoço.
- Onde seu amigo marcou? Ele vai buscar minha prima?
- Pelo horário já deve estar buscando sua tia e sua prima. O restaurante é a Casa Cave. Eu já lhe levei lá, lembra?
- Um bom lugar, acho que as meninas vão gostar. Vou apressá-las!
- À propósito Inês, Doutor Rudolf irá nos encontrar lá?
- Ele acabou de mandar um postal para Egydinha se desculpando. Foi chamado a São Paulo e tem que viajar ainda hoje.
- E ela como reagiu a isso? Ficou triste ou ficou feliz? - Senhor Otávio estava sério e encarava a esposa esperando uma resposta sincera da parte dela.
- O que deu em você para me fazer tal pergunta? É claro que ela deve ter ficado triste pelo noivo não poder ir. A Ruth até mencionou que ele tinha prometido que as levaria ao teatro.
No quarto de Egydinha
- Eu mal posso acreditar Ruth, mas Rudolf viajou me deixando. um pouco livre!
Egydia entrega o postal recebido para Ruth ler.
" Querida Egydinha, quando estiver lendo esse postal eu já estarei seguindo viagem a São Paulo. Assuntos de trabalho. Volto no final da semana. Espero encontra-la com saudades. Com carinho Rudolf"
- Eu não sei se isso é bom ou ruim para você nesse momento, prima.
- Eu sei que é bom, muito bom pra mim! Que ele demore muito pra voltar e que eu possa ver o Arthur com mais paz.
- É isso que eu temia.
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Egydinha
Roman d'amourA história se passa no Rio de Janeiro no início do século XX. Com apenas dezessete anos, uma jovem é obrigada pelo pai a ficar noiva de um homem estrangeiro rico que veio trabalhar numa indústria no Brasil. Os negócios da família vão mal e ela sofr...