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_ O que estás aqui a fazer? — perguntei assustada assim que entrei em casa.
_ Que eu saiba ainda moro aqui. — ele estava zangado conseguia perceber isso pelas suas expressões.
_ Mas não era suposto vires só daqui a uns dias ? — eu estava nervosa, afinal de contas amanhã a Luh teria a reunião e ... meu deus, não sei o que fazer.
_ Era, mas resolvi vir mais cedo, e ainda bem que vim. — ele engoliu todo o conteúdo do copo que permanecia na sua mão à um tempo.
_ Eu ahm...
_ Não digas nada sequer. Não digas simplesmente nada. Eu já sei te tudo!
_ Como assim tudo? Thor, responde.
_ Eu sei o que se passou nos teus anos Íris King. E fico realmente desiludido por não me teres contado. Imagina se tu te ferisses Íris, porra.
_ Mas não aconteceu nada! Pensei que não fosse importante. — sentei-me no sofá e olhei para as minhas mãos inquietas em cima do meu colo.
_ Então pensaste mesmo muito mal, eu sabia que não devias ter feito nada, nem sequer sair de casa. — Ele andava de um lado para outro passando consecutivamente a mão pelo seu cabelo dourado.
Luh continuava quieta num outro canto do sofá com o seu telemóvel e a comer pipocas como se nada fosse.
_ Sabes uma coisa Thor,eu estou farta. Eu preciso viver a minha vida, preciso de saber ser independente e essencialmente saber como é não estar sempre a ser controlada. É saturante.
Levantei-me e encarei os seus olhos azuis, ele olhava agora com receio em vez de fúria.
_ O que estás a querer dizer?
_ Foi isso mesmo que ouviste! Eu vou estar uma temporada longe do teu aperto e da tua segurança. Apenas permite-me ser uma adulta e fazer as minhas coisas pela minha mente e não por ideias de outras pessoas. Deixa-me ser eu!
_ Mas Íris... — ele veio até mim e tentou segurar as minhas mãos. Coisa que não conseguiu pois afastei os meus braços e recuei alguns passos.
_ Thor, eu tenho dezoito anos... Eu só vou estar um tempo longe, mas preciso desanuviar tenta entender por favor.
Falei para ele a fui até Luh e segurei o seu braço fazendo-a quase derrubar o balde com pipocas. Fomos para o meu quarto e eu peguei numa mala gigante.
_ O que estás a fazer? — ela olhou para mim com um grande ponto de interrogação na testa.
_ Não se vê logo? Eu vou sair de casa, por um tempo.
_ Nunca pensei que fosses enfrentar o teu irmão daquela maneira, estás diferente... Sempre foste tão calada, sempre fazias tudo o que ele pedia. — ela começou a ajudar-me a dobrar as minhas roupas e todos os meus produtos.