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— Eu acho melhor ires embora. Está a ficar tarde. — Tirei o seu casaco do meu corpo e cobri o peito com os meus braços.
Ele agarrou no casaco e desviou o olhar para a televisão e para as colunas onde a música agora estava baixa.
— Íris, a nossa conversa ainda não acabou. Aliás, eu ainda nem falei aquilo que me trouxe aqui.
— Okay, eu vou vestir um pijama, depois iremos falar tudo o que queres falar. Mas vais embora, e eu não quero mais falar do que se passou hoje.
Subi os degraus dois a dois e assim que cheguei no quarto e fechei a porta bruscamente. Respirei fundo e vesti-me com alguma pressa. Coloquei um top e por cima uma camisola quentinha da Elsa.
Desci, com as minhas pantufas de ursinhos e com um coque mal feito.
Ele riu das minhas figuras e sentou-se no sofá assim que apontei para o mesmo.
Sentei também e olhei fixamente para ele que ainda tinha um sorriso no rosto.
— Podes começar...
Ficou sério.
— Tu disseste que me querias conhecer melhor. E aqui estou, vim te contar uma parte da minha vida na qual não me orgulho. Mas a dor de estares afastada de mim e não te poder proteger é mais forte.
Engoli em seco entrelacei as minhas mãos nervosa. Ele continuou:
— A minha vida não foi das melhores, Íris. Eu sempre vivi no meio deste mundo, no mundo dos mafiosos. Mas eu nunca quis pertencer aqui, desde os meus dez anos que o meu pai punha-me a vê-lo a troturar pessoas, a matá-las e ensinou-me a lutar... A ser como ele. Eis que chegou uma altura em que o grande Stefany queria que eu matasse. Eu tinha apenas 12 anos.
A sua voz falhou e fui ao encontro dele, ficando de joelhos ao pé de si.
— Eu fugi, naquela mesma noite em que recusei matar, Stefany mandou os seus homens prenderem-me durante uma semana numa sala escura e fria. Tudo porque eu não quis matar... E assim que a semana acabou eu fugi. Não queria viver naquele ambiente, Íris. Aquele homem que se dizia ser meu pai não tinha piedade!
Enrolei as minhas mãos nas suas.
— Consegui ficar 2 anos longe dele, quando fugi, eu fiquei cerca de 3 semanas na rua... Tive que aprender a sobreviver naquele pouco tempo, mas apareceu uma senhora, um autêntico anjo, sem qualquer dúvida. Ela manteve-me em sua casa durante esses dois anos, infelizmente, ela sofreu um ataque cardiaco e aos meus quinze anos fiquei sozinho de novo. O meu pai encontrou-me e com tamanha a tristeza que eu tinha eu não quis saber de mais nada, a única pessoa que me tinha dado amor verdadeiro tinha falecido.