2007
Eu sei que, por mais que exista a dor, temos que continuar seguindo em frente. Depois de comprar um novo celular e mandar meu número novo pra Nina, enviei milhões de mensagens, mas não obtive resposta nenhuma. Passei os dias vendo o entardecer na varanda da casa da árvore e tentando entender o que tinha acontecido de errado. No chão da sala ainda havia as almofadas e, por vezes, eu me perdia deitado ali, sentindo o cheiro do seu cabelo. Preferia imaginar que aquilo tudo não passou de um engano e na outra semana ela subiria as escadas da casa da árvore, se jogaria nos meus braços e diria o quanto me amava, ao invés de me odiar.
Minha mãe também estava abatida e eu já não sabia dizer se era pela morte da Alexia, ou pelo vazio que aquela casa enorme havia se transformado sem a presença deles. Talvez fossem as duas coisas.
Na segunda-feira acordei esperançoso com a hipótese de ir buscá-la no aeroporto. Embora não tivesse respondido minhas mensagens, eu me agarrei a essa esperança e nada mais, seja lá o que tivesse acontecido, já havia dado tempo para que ela se acalmasse e pudéssemos conversar. No caminho, parei em uma joalheria e escolhi um anel simples, mas delicado. Eu a pediria em casamento. Mesmo que fosse minha noiva por cinco anos, eu queria a Nina oficialmente na minha vida e não aguentava mais esperar.
Fiquei feliz em ver que o voo não atrasaria e a ansiedade fez o meu coração bater descompassado. Quando vi que o avião havia aterrissado, me posicionei no portão de desembarque com uma mão no bolso e a outra segurando a caixinha de veludo. Algumas pessoas me olhavam com curiosidade, mas eu nem ligava se estava sendo ridículo demais. Alguns minutos depois, as pessoas começaram a aparecer e eu consegui ver ao longe uma cabeça baixa com cabelos negros. Sorri e senti meu corpo todo ficar tenso. Busquei seus olhos e quando levantou a cabeça, não era ela.
Meu sorriso se fechou.
Comecei a ver que todas as pessoas do voo já tinham saído e percebi que outras me olhavam com pena. Apesar de não me sentir humilhado, eu me senti completamente derrotado.
Senti uma batida nas costas e me virei para ver quem poderia ser. Não era a Nina, mas um casal de idosos.
— Não desista, meu filho! Ela pode não ter vindo naquele avião, mas se você for merecedor do seu amor, mais cedo ou mais tarde ela virá. — disse a senhora com cabelos de algodão, de braços dados com um senhor que parecia ter a mesma idade.
— Obrigada! — agradeci com um sorriso fraco.
A questão agora era saber se eu era, ou não, merecedor do amor da Nina.
Cheguei em casa e minha mãe preparava o jantar um pouco mais animada.
— Onde você se meteu, meu filho?
— Fui até o aeroporto, mãe. — falei desanimado, sentando pesadamente na banqueta da cozinha.
Minha mãe fez a mesma expressão das pessoas no aeroporto. Ela sabia que eu estava fodidamente apaixonado e completamente ferrado, mas não quis falar sobre sentimentos e eu desconfiava que ela estava tão ferrada quanto eu.
— Alex, eu falei com o Marcos mais cedo. Eles não vão voltar, pelo menos não agora. — disse ela, apertando minha mão.
— Eu acho que percebi isso, mãe.
— Eu soube que a Nina está um pouco doente.
Meus olhos se arregalaram e a minha "sirene de preocupação" foi acionada imediatamente.
— O que ela tem, mãe? — quis saber preocupado, já puxando o celular para enviar uma mensagem.
— Até onde eu sei, a gastrite dela voltou, mas irá ao médico essa semana para voltar ao tratamento. Não deve ser nada grave, fique calmo!
Minha mãe tentava passar segurança em sua voz, mas era a voz da Nina que me acalmava, então resolvi mandar mais uma mensagem.
Alex: "Eu tive a esperança de que você cumprisse o combinado e voltasse hoje para que pudesse me explicar o que está acontecendo. Esperei por toda tarde no aeroporto, ansioso para ver você. Passo dia e noite remoendo onde eu errei, mas eu não sei, Nina! Sinto tanto a sua falta!"
Alguns minutos depois, chegou a primeira resposta em dias:
Nina: "O grande erro foi ter confundido as coisas. Não poderia existir o "nós", apenas Alex e Carina."
Erro? Por que ela parecia tão arrependida? Eu só me arrependia de não ter me declarado mais cedo! Tinha a consciência de que ela não queria dizer que me amava, mas daí a confundir um sentimento como esse do dia para a noite, era no mínimo estranho. Comecei a me perguntar se fui apenas um amigo pra ela, se nunca passei de seu quase irmão e se ela não teve coragem de dizer isso na minha cara. Era a única explicação plausível. Me senti um completo idiota por ter me deixado levar pelos sentimentos. Agora, a Nina sapateava em cima do meu coração da forma mais cruel possível.
A tristeza tomou conta de mim de forma abrupta e senti um misto de decepção e raiva de mim mesmo, mas, ainda assim, eu estava preocupado com ela.
Alex: "Fiquei sabendo que você está doente, posso ir até aí te ver?"
Nina: "Alex, eu quero que você siga os seus planos."
Alex: "Mas você faz parte deles!"- Respondi como minha última tentativa.
Nina: "Você pode realizá-los sem mim, por favor, não venha!"
Ela estava, definitivamente, terminando algo que nem me permitiu começar. Não me deu sequer a oportunidade de tentar demonstrar o quanto eu era capaz de fazê-la feliz.
Depois de um mês sem ter mais notícias suas, cansei da minha auto piedade. Eu não a esqueceria, disso eu tinha a absoluta certeza, mas deixaria de sofrer por um amor não correspondido. Minhas aulas na faculdade haviam começado, o projeto da instituição havia sido iniciado e eu pretendia ocupar a minha mente com tudo que não me fizesse lembrar o quanto eu sentia falta do seu cheiro, seu abraço, seu sorriso, seu corpo e dela por inteiro.
Voltei a trabalhar no bar e, apesar da Rebeca viver no meu encalço, eu não quis tê-la nem para aliviar toda a minha tensão sexual. Mesmo que isso a deixasse irritantemente mais chata, eu preferia assim.
Eu estava tentando seguir em frente, viver a vida da melhor forma possível. Sobre o caso da minha irmã, foram analisadas as câmeras de alguns vizinhos do lugar onde ela foi encontrada e prenderam alguns suspeitos para o interrogatório. Apesar de ser uma longa jornada até vê-los atrás das grades, eu estava confiante sobre isso.
Minha mãe falava com o Marcos diariamente e se eu não tivesse me recuperando de uma baita dor de amor, diria que estava rolando um clima entre eles dois. Ainda assim, a Nina nunca pedia para falar comigo, nunca deixava um recado e eu simplesmente deixei de enviar mensagens. Se ela queria ficar longe de mim, então eu faria a sua vontade.
Até receber um telefonema.
— Alex, aqui é o Marcos!
Eu imaginei, pelo seu tom de voz, que o a notícia não seria boa e meu mundo começou a desmoronar quando ouvi a frase seguinte:
— A Nina... — Marcos tomou ar pra poder terminar a frase, mas eu já estava a ponto de largar o telefone e pegar o primeiro avião, carro, helicóptero, o que fosse e ir até ela. Então, ele continuou:
— Ela foi atropelada.
E aí, o que será que vai acontecer com a Nina e o Alex? Não deixem de comentar, a opinião de vocês é muito importante pra mim.
Grande Beijo!
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Para Sempre
RomanceAlex e Nina tiveram em suas vidas danos irreparáveis e lutaram para superar a dor apoiando um ao outro, mas será que essa grande amizade poderá durar com a revelação de um sentimento imensurável? O que fazer quando o seu grande amor volta...
