Voltei para casa depressa com o livro em mãos. Apesar de que a capa poderia ser considerada algo um tanto sem "vida", pois era apenas de uma cor só com o título impresso em dourado, a mesma chamava minha atenção. Queria parar em um parque próximo, sentar em um dos bancos e lê-lo ali mesmo. Porém, o frio do dia impedia-me de fazer tal ato.
Cheguei em casa e passei pela cozinha. Peguei algumas torradas e olhei em volta, à procura de Lucy, pois há essa hora já era para ela estar de pé.
Vi um pequeno recado na porta prateada da geladeira: "vou à casa de uma amiga. Em seguida vou à feira. Chego antes do almoço. Com amor, Lucy".
Peguei o pequeno papel e amessei-o imediatamente, jogando-o pela janela da cozinha em seguida. Já que estava sozinha, poderia ler enquanto ouvia minhas músicas bem alto.
Mamãe não importa com as músicas que escuto, então sempre que ela está em casa, ouço o que quero sem que alguém diga algo contra. Já Lucy implica um tanto, pois diz que minhas músicas são barulhentas.
Não é atoa que a evito tanto durante a ausência de mamãe.
Peguei uma maçã e subi os degraus rapidamente. Entrei em meu quarto e liguei o som, onde tocava uma música aleatória.
Abri o livro novamente e vi mais uma vez o nome já quase apagado, devido ao tempo que esteve escrito ali. Andrew. Um calafrio percorreu meu corpo e decidi que começaria logo a leitura.
***
"Youkai (demônio, espírito, ou monstro) também escrito como yokai, é uma classe de criaturas sobrenaturais, existindo uma grande variedade no folclore japonês. O termo é ambíguo, pode ser traduzido como "sedutor", "encantador" ou "calamidade".
Comumente, o termo é interpretado como "encantamento", o que traz a conotação de algo sobre-humano, mágico e misterioso. Eles também podem ser chamados de "ayakashi", "mononoke" ou "mamono". São criaturas mágicas que incluem entre tantos gêneros: a kitsune (raposa), Kodamas (espíritos da floresta), Yuki-onna (mulher da neve) Tsukumogamis (artefatos encantados) e os Onis (ogros/demônios)."
O assunto citava os demônios da mitologia japonesa. Quanto à isso, a única coisa que pensei após ler tudo foi "não ligo". Indelicadeza de minha parte, com certeza. Porém, havia começado a leitura e de jeito nenhum poderia parar agora. Até mesmo se abordasse assuntos os quais eu não me importo nem um pouco.
Avancei alguns capítulos - um erro meu - pois, quem sabe, acharia algo que poderia interessar-me.
No fim das contas, estava ao ponto de desistir.
Frustrada, deitei-me em minha cama e em menos de segundos, adormeci.
***
Eu estava em casa, porém a mesma estava destruída: cacos de vidros espalhados pelo chão; janelas rachadas ou totalmente quebradas. Tentei levantar-me, pois estava sentada em uma cadeira qualquer, mas meu corpo não obedecia meus movimentos. Sentia-me como se estivesse em uma paralisia do sono, apesar de que nunca ficara em uma situação dessas.
Sentia algo afundar meu peito, impedindo-me de respirar. Queria gritar, mas era como se minha voz estivesse perdida em algum lugar do meu corpo.
Fraca. Eu estava fraca.
Ainda queria levantar-me, mesmo sabendo que todos meus esforços seriam em vão.
Foi então que ouvi uma voz. Poderia jurar que era até um tanto conhecida, mas seria algo impossível.
À minha frente, há poucos centímetros de distância de onde ainda encontrava-me, um lobo surgiu repentinamente. Com os pelos negros e eriçados enquanto encarava-me em silêncio, pude ver que seus olhos eram de um azul profundo e de certa forma, hipnotizavam-me. Minha boca estava seca e ao invés de sentir medo - pois um animal selvagem estava próximo o bastante de mim - senti apenas... afeto. Um sentimento estranho perante à situação. Como se nos conhecêssemos e que estávamos esperando o momento certo para que enfim, pudesse afagar seus pelos com as mãos e trazê-lo para perto.
Sentimentos estranhos. Não mereço.
- Após o solstício de inverno. - disse a voz grossa e arrastada. Por um breve momento, achei que a voz saía do lobo, porém percebi que soava por cada canto do cômodo. Não saindo de um local especificamente.
E então acordei. Sem entender bem o que aquilo significava, se é que existia algum significado naquilo tudo. Talvez fosse a leitura do livro que fez-me sonhar demais.
Sentei-me na cama antes de andar preguiçosamente em direção ao banheiro. Sentia um cheiro de comida caseira e percebi que não havia dormido tanto, o que deixava-me aliviada.
Mas se realmente é tudo coisa da minha cabeça, porque "solstício de inverno"? Ah, que besteira Amy.
Eu preciso de comida, apenas isso.
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Meu Carma
FanfictionAndrew apaixonou-se por uma humana, o que logo custou-lhe muito caro, já que esse amor é meramente proibido por distintos os seres. Porém Andrew foi criado por um propósito e tanto o Céu quanto o Inferno sabem que esse amor não deverá ser prolongado...
