Capítulo especial: Dia dos Namorados

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*Andrew On*

Amy estava ocupada, a basicamente, uma semana inteira com todos os preparativos da faculdade. A viagem estava próxima, então todos os documentos deveriam estar em dia como o seu passaporte ou histórico escolar. O fato é que ela era ansiosa, ainda faltava um bom tempo para que o dia da mudança chegasse, mas ela não dava a mínima em querer relaxar ao menos um pouco. Queria fazer tudo antecipadamente para que quando o dia chegasse, tudo estivesse perfeitamente preparado. Talvez eu sentisse um pouco de inveja por esse lado extremamente organizado de Amy.

Eu ajudava no que estava em meu alcance, mas ao mesmo tempo, meus dois empregos não davam-me folga.

A vida nova como humano não estava fácil.

Estava trabalhando duas vezes mais para que eu não passasse tanto sufoco. Precisava pagar as contas do meu apartamento minúsculo e o dinheiro que sobrava eu estava guardando para o futuro. Não sabia ainda o que faria, mas já era um passo ter uma poupança. E de qualquer forma, eu não tinha tempo nem disposição para gastá-lo. Exceto em alguns momentos especiais, como quando uma folga entre os trabalhos surgia — raramente — e então, Amy ia até meu apartamento e pedíamos comida. Nada muito grande, mas talvez, ainda assim significativo.

Era véspera do dia de São Valentim (ou dia dos namorados) quando resolvi pegar ao menos uma parte da quantia guardada para surpreendê-la com algo. Eu ainda não tinha nada em mente, mas como sempre, já era um passo. Sabia que ela precisava relaxar depois de tantos dias planejando a viagem e organizando sua papelada, que convenhamos, não era tanta assim. Por esse motivo, eu precisava pensar em algo que a faria descansar e esquecer por alguns momentos a ideia fixa do planejamento adiantado.

Mas o "o quê" ainda era um pensamento abstrato.

*Andrew Off*

***

Estava tudo um caos, em todos os aspectos da minha vida. Contudo, uma notícia boa veio para alegrar-me um pouco: eu havia passado! Iria cursar letras na Universidade de Nova Iorque, por isso eu precisava preparar-me para a viagem. Faltava alguns dias na verdade para que o dia da mudança enfim chegasse, visto que ainda estávamos em fevereiro e a mudança só iria ocorrer em... julho. Mas, estar sempre preparada para qualquer coisa, seja ela qual fosse, era meu novo lema. Se é que poderia considerá-lo como novo pois acho que nunca tive algum antes.

Era véspera de São Valentim e eu precisava relaxar um pouco e, consequentemente, eu só pensava em Andy. Ele já havia me ajudado muito o quanto pôde durante os dias em que resolvi me planejar para a viagem e matrícula. Porém, até nesses dias, ele pedia para que eu não ficasse tão ansiosa para a mudança e que ficássemos mais juntinhos. Mesmo pedindo tão delicadamente, eu não tinha dado ouvidos e no momento, arrependia-me um pouquinho por isso.

Passei a tentar imaginar o que eu poderia fazer por ele no dia de São Valentim. Eu não tinha tanto dinheiro no momento, mas precisava de algo memorável e significativo, afinal, era nosso primeiro dia de São Valentim juntos. O primeiro de muitos.

Uma ideia pequena passava a germinar na minha mente, por esse motivo, peguei rapidamente meu celular em mãos e quando iria começar a discar o número de Andy, o aparelho começou a vibrar, mostrando na tela que era uma chamada recebida do próprio. Respirei fundo antes de atendê-lo. Ao ouvir o seu "alô", um sorriso bobo surgiu nos meus lábios.

— Eu estava prestes a ligar para você. — eu disse.

— Como sempre, a gente é muito conectado. — ele disse e eu podia jurar que um sorrisinho bobo fez-se presente em seus lábios. Nas últimas semanas, Andy mantinha a ideia fixa de que éramos conectados ao extremo e talvez fosse verdade: sempre que ele começava uma frase, normalmente eu a completava de forma natural, então ele dizia "era exatamente o que eu ia dizer" e logo em seguida vinha "a gente é muito conectado." Nisso ele tinha razão, às vezes chegava a assustar-me o fato de como nossas mentes trabalhavam, de certo modo, em conjunto.

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