Os dias seguintes que se passaram foram calmos. Nem podia acreditar que tudo o que vem acontecendo foi em apenas uma semana. Me sentia como se estivesse aqui a meses, talvez até anos. Esses garotos eram incríveis, e me fizeram sentir em casa, me fizeram sentir bem de uma maneira que nunca consegui me sentir desde que minha mãe saiu de casa. Ao menos algo bom saiu da loucura de meu pai, consegui fazer amigos maravilhosos, que levarei para a vida inteira.
Mas admito que estar aqui com Nate, Nash, Sam e os Jacks era loucura. Nem um dia sequer se passava em branco. Até mesmo quando ficávamos o dia inteiro em casa eles inventavam algo para fazer. Era ótimo, todos eles eram.
Eu amava os garotos, embora fosse um pouco solitário ser a única garota da casa. Stassie, a "namorada" de Sammy, ou seja lá o que eles fossem, passava bastante tempo aqui comigo. Eu gostava de ter a sua companhia, e foi bom ter uma garota para conciliar as coisas. Nos aproximamos muito. Eu não sentia falsidade nela, mesmo que fosse uma total louca, e eu amava esse jeitinho dela.
Gilinksy tinha deixado de ser um problema depois do dia do terraço. Uma semana já tinha se passado, e acredito que agora conseguimos finalmente ser amigos. Ao menos, é o que parece. Sei que ele e Johnson também já se resolveram. Eles são melhores amigos e fico feliz que eu não tenha estragado nada.
O sol quente do meio dia batia em meu rosto, sendo refletido pelos meus óculos de sol mas ainda sim incomodando minha vista.
– Deu de falar de mim! - Stass, ao meu lado, usando trancinhas embutidas e um biquini, diz. Deitadas no sol mais forte do dia, ao lado da piscina do prédio, a mais ou menos meia hora, eu e Anastasia conversávamos. - Tenho certeza que o seu "bestie" - ela usa os dedos para simbolizar as aspas, dizendo a palavra com ironia. - já te contou tudo sobre nós. Deu de falar do Sam. - Ela sorri, me empurrando com uma das mãos. - Eu quero é saber do Jack! -
– Ah! - Digo, revirando os olhos. Não sei o que temos, então é difícil de explicar a loira sentada ao meu lado. Quero dizer, tudo tem dado tão certo com ele ultimamente. Vem tudo sendo fácil, é tão bom, me parece certo. Mas eu sei que Johnson não é um cara para compromisso. Todos os seus amigos já me informaram disso com toda a certeza absoluta, então não é como se eu tivesse uma escolha certa a fazer. Eu sinto algo, algo forte. Disso eu sei. Mas não irá se tornar nada mais que isso.
– Ahn, amiga. - Ela tira os óculos escuros e se apoia num dos cotovelos, me olhando. - Saia de seus devaneios e diga para mim. - Ela ri.
– Huh, desculpe. - Digo, mexendo a cabeça e tirando os óculos também. - Ah, Stassie, você sabe.
Ela me olha com uma sobrancelha erguida, pedindo para que continue.
– Não há nada para dizer porque não há nada entre nós! - Digo, bastante alto, fazendo birra, e então me deito novamente, colocando os óculos.
– Não! Não ouse, T. Eu te conheço melhor que isso, não vai colar comigo essa desculpinha. - Ela se levanta de sua cadeira e vem sentar na minha, me obrigando a sentar também e a olhar nos olhos. Bufo, irritada por saber que teria que abrir a boca.
– Ta bom! - Exclamo e ela bate palminhas, animada, se ajeitando em minha frente.
Então conto a ela sobre tudo o que fizemos essa semana. Desde a primeira noite, em que na madrugada em que estive com insônia sai do quarto de Nathan e encontrei J na sala. Contei a ela sobre a caminhada que fizemos por LA, em plenas 3:10 da madrugada, e de como nos perdemos. Contei sobre o quase beijo, e sobre como eu me afastei no momento certo. Contei a ela sobre a sua raiva, sobre o modo como passou as mãos nos seus fios loiros, controlando sua respiração e se afastando de mim. Contei sobre como fiquei me sentindo culpada por o deixar bravo, e contei sobre como ele veio até mim e me abraçou, sobre quando disse que estava tudo bem. Que ele compreendia.
Contei também do dia seguinte, que passamos separados, mas que não consegui o afastar de minha mente por nem um mero segundo.
Contei sobre a noite que passamos apenas deitados naquele terraço, sob aquela magia das estrelas, observando as constelações e contando historias até que eu pegasse no sono e ele me levasse nos braços para seu quarto.
Contei sobre como acordei assustada pensando que tínhamos feito algo a mais sem que eu me lembrasse, e de como ele, calmamente, me jurou que jamais faria nada sem o meu consentimento.
Contei sobre os outros dois dias, que quase não nos desgrudamos. Ele me levou pra os seus lugares favoritos para tirar fotos num deles, e no outro me levou em todas as melhores sorveterias da região.
Contei sobre o beijo que ele não tentou me dar, e sobre a minha preocupação, que foi erroneamente despejada em Samuel, e não nela como deveria ter sido. Contei sobre a surpresa que seu namorado teve ao ouvir que Jack nem ao menos tentou, tendo em vista que com garotas nunca jamais perdeu tempo. Contei sobre como me senti mal, sobre a queda da autoestima. Que é claro, J consertou em instantes.
Contei a ela de quando ele notou que eu estava pra baixo, e contei sobre o beijo que demos apenas no quinto dia. Nossa, e que beijo. Um beijo calmo, lento, porém cheio de desejo, talvez até mesmo... Paixão? Definitivamente da minha parte.
Contei a ela do sexto e sétimo dia, que seria ontem, e sobre como nos pegamos inúmeras e inúmeras vezes. Contei que ele me levou a uma cachoeira, perto de um campo lindo. Contei sobre como foi bom o beijar debaixo daquelas águas.
Contei a ela sobre tudo, sorrindo em cada palavra, mal acreditando que aquilo realmente aconteceu, que foi tudo real e que não estava sonhando.
Contei sobre o que penso disso tudo, e finalmente, sobre os meus desejos. Queria mais que tudo entregar-me para ser dele, queria ser sua, deixar que fizesse o que fosse com meu corpo nu. Mas me repreendia, com imenso medo de ser usada e depois descartada, ou de não querer mais nada e depois ser forçada, abusada.
Contei a ela tudinho, e ela me deu apoio. Ela confirmou o Jack Johnson babaca com quem estava acostumada, mas me disse que nunca, jamais o viu tratando uma garota da maneira que me tratava. Me disse que J sendo um cavalheiro como é comigo era novidade, e que nem nunca sonhou com isso. O que só me fez ficar mais insegura e indecisa.
– Ah, meu amor, eu acho que você tem mesmo é que fazer o que o teu coração te manda fazer. - Foi o que ela me disse. - Vá até J, converse com ele.
– Eu sei, Stass, obrigada por tudo. - Digo, sorrindo para ela. - Sabe, eu realmente sinto algo por ele, e mesmo que a vontade de abrir minhas pernas e deixar ele fazer o que quiser seja enorme - sou enfase no enorme, fazendo ela rir. - eu ainda tenho medo de me machucar. Tenho medo que ele aja como Gilinsky fez, me entende? -
– Ah. - Ela diz, e entao ri. - Na verdade não. - Rio também, a empurrando de leve. - Mas eu posso te dizer que sei o que está sentindo. -
– O que? - Pergunto, bem atenta.
– Eles chamam isso de amor. -
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do better + jack johnson
Fiksi Penggemar[Onde J se apaixona pela inocência de T.] "Quando você vê tanto amor, quando já não me cabe no peito, não importa se estamos em outra galáxia. Você sempre está aqui." Iniciada em 24/02/17
