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Althea Maloley

Ok, o dia não poderia estar mais estranho. Aquele garoto mexeu comigo. Todos os meus pensamentos são voltados a ele. Por que é tão bonito? Os olhos escuros, a pele bronzeada, a boca, a estrutura. Tudo. Ele é diferente. Definitivamente não era do meu "tipo". Sempre preferi os tons claros, o azul, os cabelos loiros. Mas hoje já não tenho mais a certeza. Não sei se azul é a cor mais quente. Só sei que seus olhos castanhos derretem até meu coração congelado. Ele me hipnotizou. Fiquei abismada. E por que não disse nada? Nem uma palavra. Se desfez de mim com tamanha facilidade quando eu nem ao menos consigo tira-lo de meus pensamentos.

Continuo caminhando pela imensidão daquela praia. Não queria voltar para casa. Meus olhos estão sempre fixos nas pequenas pegadas deixadas na areia, observando como são facilmente deixadas para trás, e então apagadas pela maré que vem. Simples assim. Deletadas. Como se jamais existiram. Seria assim também com as pessoas?

Sinto o baque do meu corpo contra a pele quente e suada, mas não sinto nojo. Desvio de meus veraneios e encaro o que há em minha frente: Um garoto. Outro. Dessa vez é loiro, bastante magro. Os óculos escuros não me permitem ter visão de seu rosto completo, mas ele sorri para mim.

– Perdão, não a vi andando. Estava concentrado na música. - Ele pega em seu fone, o tirando dos ouvidos e mostrando para mim, ainda com um sorriso brincando em seus lábios. Sorrio também.

– Tudo bem, eu que deveria prestar atenção por onde ando. - Olho para o chão novamente, levando minha mão ao braço contrário. Como sempre faço quando estou envergonhada.

Olho para o menino e sorrio novamente. O vejo pensar por alguns segundos, estático, e resolvo seguir em frente. E então ele me chama.

– Huh, eu sei que vai ser estranho mas, você vai fazer alguma coisa agora? - Ele morde o lábio inferior, como forma de mostrar que está um tanto constrangido.

Penso em dizer que sim. Penso em fingir que tenho um compromisso. Penso em voltar para casa e deixar o desconhecido. Penso.

– Na verdade, não. - Mas minha boca me trai. Não sei o que estou fazendo. - Por quê? -

– Ahn, eu estava procurando meu amigo. Mas já andei grande parte dessa praia e ainda não o encontrei. - Ele começa, sorrindo enquanto profere as palavras. - Se importaria de fazer companhia a um estranho? - Ele solta uma gargalhada adorável, e imediatamente ganha minha confiança.

– E-Eu - Começo indecisa. - Tudo bem. - Sorrio para ele.

O garoto sorri novamente, e retira seus óculos. A luz do sol bate contra seus olhos. Azuis. O sorriso sapeca e seus olhos claros franzidos me transmitem conforto. Ele estende sua mão.

– Sou Jack. - Estendo a minha também, sentindo o contraste de sua mão áspera e quente contra a minha sempre tão fria e suave.

– Thea. - Não consigo evitar de sorrir. Adoro o jeito como a sonoridade de meu nome dança em meus lábios.

– Bonito nome. -

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Ok galera, agora a história começa de verdade. Espero que estejam gostando, me deixem saber o que vocês estão achando.

- Luiza

do better + jack johnsonOnde histórias criam vida. Descubra agora