thirty-three

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Althea Maloley

O infinito oceano em seus olhos fitavam os céus nos meus. A perfeita combinação. E naquele momento tudo que mais desejei era que nunca mais deixasse de me olhar. Que sentimento estranho é esse que palpita partindo de meu coração para cada único centímetro de meu corpo? Nunca senti nada nem de longe parecido.

O que sentia não era a mesma atração que sentia por Jack Gilinsky. Era muito diferente. Aqui eu me sentia segura, me sentia salva, me sentia confortável. Seus braços eram meu forte, minha casa, minha proteção. Proteção que venho precisando e procurando desde que perdi todo o amor que me restava.

Não que com G tenha sido ruim. Mas era completamente diferente. Com ele não havia sentimento, nada além de puro desejo, luxúria, tesão. Com o moreno eu me sentia submissa, me sentia excitada, me sentia suja e adorava cada único segundo de puro sexo (ou quase sexo) podre e obsceno. Com ele fora tudo baseado no jogo da sedução, no prazer, na diversão. Com Jack G jamais passaria de sexo, de foda. Era comer, era dar. E dar é dar.

Não era por amor. Amor jamais passou por minha cabeça quando estava com o par de olhos escuros.

Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido. Mas dar? Ah, dar é bom pra cacete. Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca, te chama de nomes que eu não escreveria, não te vira com delicadeza, não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom. Melhor que dar, só dar por dar. Dar sem querer casar, sem apresentar pra mãe, sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo. Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral, te amolece o gingado, te molha o instinto. Dar porque a vida de uma adolescente problemática é estressante, e dar relaxa. Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanha, ou depois de amanhã. Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinho, sem esperar ouvir futuro. Dar é bom, na hora. Durante dias. Durante um mês. Para as mais desavisadas, talvez anos.

Mas dar é dar de mais e ficar vazia. Dar é não ganhar. É não ganhar um "eu te amo" baixinho perdido no meio do escuro. É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da vida parece querer te abduzir. É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar "Que cê acha, amor?".

Dar é inevitável. E por mim eu daria mesmo, daria sempre, daria muito. Mas daria mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor. Esse sim é o maior tesão. Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar. Eu daria com certeza um espaço ao amor.

Dar é bom, mas fazer amor é receber. Fazer amor é dar e receber de volta, é uma troca. Amor é gostoso, é incrível, é maravilhoso. Mas eu não sei se o que sinto aqui dentro pelo rapaz loiro em minha frente pode ser chamado de Amor, e o que eu menos quero nessa vida é estragar qualquer chance que eu possa ter com essa tal paixão que eu tanto sonhei.

Seus lábios finos tocaram os meus e por um pequeno instante esqueci de tudo. Por pequenos segundos, tudo o que importava era aquele sentimento que me preenchia por inteira. Eram nossos lábios se esbarrando e se encontrando, eram nossas línguas se movendo no ritmo perfeito, era sua saliva com a minha, era sua respiração contra a minha pele, era seu hálito fresco transpassando pelo meu. Éramos nós e aquele sentimento morno, gostoso, aconchegante. Mas não era amor. E de dar por dar eu já estava cheia no momento.

Afastei-me dele no momento em que as coisas deram um único indício de intensidade, de desejo. Cortei o sentimento no momento em que se tornou quente, no momento em que de um simples beijo surgiu a ideia de sexo. Eu queria mesmo era ser mais que isso. E eu não precisava ser menos para não um, mas dois Jacks.

Seus olhos me fitavam, confusos, enquanto eu me afastava e me ajeitava na cama mais uma vez.

– Eu... Me perdoe. - Gaguejei, envergonhada. - Não entenda errado, eu só... -

Minhas palavras sumiram. Eu não sabia como explicar a Jack o que sentia sem parecer uma eterna romântica, estúpida e troxa.

– Você passou por bastante coisa. - Ele completou minha sentença, me fazendo sorrir de leve e assentir. Um sorriso sincero, feliz por saber que ele me entende, ou pelo menos tenta.

– Não. Quero dizer, sim, mas não é o que quero dizer. - Olho para ele.

– Você não precisa se explicar, T. - Ele sorri. - Ta tudo bem, eu entendo. -

– Não. - Ele leva uma das mãos até meu rosto, acariciando minha pele. Fecho os olhos e coloco a minha mão sobre a dele, a apertando de leve. - Eu só... Quero mais que isso. - Olho em seus olhos azuis, cintilando para mim. - Eu sei, é patético, mas venho me sentindo tão inferior. Tão pequena. E eu estou tão cansada, Jack. - Ele parece entender o que estou dizendo. - Posso estar me precipitando, mas meus sentimentos por você não são simples desejo. Eu sinto mais, tão mais. Nunca me senti assim. - Espero sua resposta, cheia de expectativa.

– Entendo o que quer dizer. - Ele diz, logo mostrando seus dentes num sorriso sincero e adorável. Imediatamente sinto confiança em suas palavras.

– E o que quer dizer? - Aperto sua mão, com mais força dessa vez, e ele logo entrelaça nossos dedos, levando minha mão a boca e a beijando, e depois erguendo a cabeça para outro beijo depositado em minha testa. Ele me olha mais uma vez, um olhar profundo e calmo, tão calmo que sou capaz de ignorar completamente todos os machucados presentes em sua pele clara. Johnson parece feliz consigo mesmo quando finalmente abre o sorriso mais sincero que já vi.

– Não sei. Mas acho que vamos ter que descobrir juntos. -

do better + jack johnsonOnde histórias criam vida. Descubra agora