Jack Johnson
– Mano, eu to cheio pra caralho. - Disse Nash, fingindo que iria vomitar.
– Também, pelo tanto que tu comeu só pode mesmo. - Digo, rindo.
Nate destranca a porta do apê.
– Ué, cade a Thea? - Diz ele.
– Sei lá, deve ta no quarto. - Digo.
– Ah, a porta do quarto do Gilinsky ta fechada, as vezes ela ta lá. - Eu e Nathan nos olhamos, e então olhamos para Nash. - Que foi? É uma possibilidade. - Ele ergue as mãos em rendição e se joga no sofá rindo.
Dou as costas para os garotos e vou para o corredor, indo em direção ao meu quarto. Ao chegar mais perto, consigo ouvir o leve som de Beethoven. Penso ser coisa de minha cabeça, já que estava ensaiando essa música mais cedo.
– Mano, cadê a privacidade nessa casa? - Consigo ouvir Gilinsky gritar de dentro do quarto, arrancando um suspiro de alívio e uma gargalhada de Nathan. - Foi mal, Mad. Não sabia que estava aí. - Ele diz e fecha a porta, voltando para a sala em meio a gargalhadas. Os ignoro e abro a porta de meu quarto.
Não me reconheço. Juro, não sei que o que está acontecendo comigo. Ao me deparar com os cabelos negros caindo por suas costas até a fina cintura, e a cabeça se movendo ao som da melodia enquanto seus dedos deslizavam pelas teclas do piano, meu coração começa a bater mais rápido e me sinto flutuando. Não esperava que Thea tivesse qualquer habilidade com música, e muito menos esperava que fosse me causar esse efeito ao a ver faze-lo em meu quarto, em meu tão amado piano.
Jamais me senti assim antes, e não acho que esteja pronto para sentir. Sua calma melodia parece ser tudo o que faltava em minha vida bagunçada, e quero que fique ali para sempre. Me encosto no batente da porta, com medo que ela note minha presença. Mas ela está concentrada demais, perdida em sua música, difusa em seu próprio mundo. A observando, parece que todo o resto congela, e somos apenas eu e ela. Meu coração bate tão forte que me puxa para frente, em direção a ela, mas permaneço parado no lugar.
Ela finaliza Für Elise com um imenso sorriso no rosto, e então tomba a cabeça para trás numa gargalhada que ontem jamais imaginei que ouviria, carregada de emoção e sinceridade. Me sinto tão bem a vendo assim, que é impossível não escapar uma risada. A sua se interrompe, e ela vira assustada para trás, logo mudando para envergonhada quando me vê. Ela olha para seus pés, agora cruzados, brincando um com o outro, e vejo suas bochechas corarem. Rio ainda mais, a fazendo levar as mãos ao rosto, o cobrindo.
– Pare de rir! - Pede ela, com a voz baixa. - Sei que não sou tão boa quanto você deve ser. Não era para você ouvir isso. - Ela exclama, fingindo estar brava, mas consigo sentir o sorriso em suas palavras.
– Ninguém é melhor que eu. - Bato a mão no peito, como forma de orgulho, e dou risada. Ela ri também, quebrando o clima tenso. - Estou brincando contigo. - Digo sorrindo, ainda sem me desencostar do batente da porta.
– Eu sei. - Ela diz, com um sorriso tímido. - Então este é seu quarto? -
Solto uma gargalhada e aponto para minha foto atrás dela, erguendo uma das sobrancelhas quando digo. - O que você acha?
– Ai, não seja grosso. - Ela ri também, mas cruza os braços. - Podia ser o quarto do outro Jack.
– Hmm, vejo que alguém andou fazendo pesquisas. - Sorrio, brincando com ela, que só fica mais envergonhada. - Não é pra ter vergonha de mim T. Não precisa. -
Ela me olha e sorri. Sorrio também.
– Eu sei. - Ela diz. Olha para seus pés, e então olha para mim novamente. - Se importa se eu ficar aqui mais tempo? Fazia tanto tempo que não tinha um piano na minha frente. - Seu sorriso é adorável.
– Não precisa nem perguntar. - Pisco pra ela e me viro, na intenção de sair do quarto.
– Não! - Viro para ela, que tem um braço esticado em minha direção e uma fofa expressão tímida no rosto. – Quero dizer, quero tocar mais, sim. Mas com você.
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do better + jack johnson
Fanfic[Onde J se apaixona pela inocência de T.] "Quando você vê tanto amor, quando já não me cabe no peito, não importa se estamos em outra galáxia. Você sempre está aqui." Iniciada em 24/02/17
