twenty-four

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[...]

Fora do quarto encontro com Stassie, sentada no chão junto com mais algumas garotas. Sem pensar duas vezes, me sento ao seu lado e me junto a elas.

– Oi galera, sou Thea. - Sorrio para elas, que sorriem também.

São três ou quatro garotas, não sei ao certo. Me encosto no ombro de Stass.

– Amiga. - Começo, rindo de mim mesma. - Somos amigas, né? - Olho para ela.

– Obvio que somos amigas, T! - Ela diz sorrindo.

– Ata. - Digo. - Ahn, esqueci o que eu ia dizer. - Estou confusa

– Que tal nos contar com quem estava dentro do quarto? - Uma das meninas pergunta. Seus cabelos são castanhos, e seus olhos verdes são bem destacados pelo lápis de olho escuro em volta deles. Ela parece simpática. - Não era com seu irmão, né? - Ela diz e todas rimos.

– Ew! - Digo, fingindo vomitar. - Incesto! Não. - Começo a rir, uma risada escandalosa, que puxa a risada de todas elas.

– Com quem, então? - Me pergunta Stass, passando as mãos pelos meus cabelos.

– Ahn. - Começo a pensar no que aconteceu no quarto. Um leve desespero percorre minha espinha quando percebo que não consigo me lembrar. Talvez tenha bebido muito. Começo a ficar preocupada de verdade, mas ainda estou muito bêbada para fazer alguma coisa. Olho para Stassie boquiaberta, mas logo começo a rir. - Não me lembro!

As garotas riem também, me assegurando mais uma vez que não era nada demais. É só a tequila, amanha tudo vai estar bem.

[...]

– Vai se foder Sammy! - Digo rindo para o rapaz parado a minha frente, que acaba de derrubar bebida em meu vestido. - Venha, você vai me ajudar a limpar.

Ele pega em minha mão e juntos vamos passando por toda a galera que ainda estava lá. Deviam ser por volta das 4:30 a.m., e mesmo que agora já não esteja mais tão bêbada, eu já não me lembro de boa parte do que fiz essa noite. Só sei que passei muito tempo com Sammy e Stass, e que bebi muito mais do que deveria.

– Ai! - Grito, sentindo meus olhos imediatamente se encherem de lágrimas, e uma dor intensa tomar conta de mim. Manhosa, me viro para Sam, como se perguntasse a ele o porque dessa dor.

– O que foi? - Ele soa preocupado, vendo as lágrimas rolando pelas minhas bochechas. - Ah. - Ele olha para baixo, vendo meus pés descalços sobre uma garrafa quebrada de vodka. Sangue se esvaia de minha pele, fazendo com que meu desespero só aumente. Odeio me machucar, e odeio ver sangue. Mais ainda se for o meu.

Sammy empurra os cacos de vidro para o lado, e então me pega em seus braços, me levando para a lavanderia. Ele me deixa em cima do balcão.

– Você é muito azarada, princesa. - Ele ri.

– Pare de rir! E para de me chamar de princesa. Princesa você chama as tuas putas, Samuel. - Cruzo meus braços, fechando a cara. Realmente estou chateada. A ferida em meu pé mudou meu humor, e as piadas dele não estavam ajudando.

– E você não é minha puta? - Ele pergunta, erguendo as sobrancelhas.

– É sério? - Pergunto, indignada. Sammy logo vê que estou realmente brava e para de brincar, vindo em minha frente e me puxando contra seu peito.

– Venha aqui. - Ele diz, enquanto me abraça. - Sabe que estou brincando, T. - Ele beija minha testa. - Você não é minha puta, é minha amiga. Ok? - Ele me encara, o sorriso nos lábios.

– Ok. - Falo, já não mais emburrada. - O que eu faço com o machucado? - Pergunto, preocupada, mas Sam parece calmo.

– Deixa que eu cuido de você. - Ele sorri pra mim, e eu retribuo.

Samuel coloca sobre o balcão, ao meu lado, um pouco de álcool, soro, gazes e algumas ataduras.
O observo enquanto ele limpa o ferimento com soro e gazes, calmamente.

– Ok, T. Isso vai arder. - Ele pegou minha mão e colocou em seu ombro. - Pode apertar, não tem problema. - Ele sorri tentando me tranquilizar, mas não adianta muito. No momento em que o álcool toca o corte solto um grito agudo de dor, apertando seu ombro como sugeriu.

– Pronto, pronto, já foi. - Ele olhou para mim, que já estava prestes a chorar de novo, tentando me deixar mais calma. Respiro fundo. - Agora vou enfaixar para estancar o sangue, mas quando isso aqui - ele faz sinal com o dedo para indicar a festa. - acabar, você tem que trocar. E amanhã eu te levo ao médico. Ok? -

Assinto com a cabeça, assistindo enquanto ele enfaixa meu pé.

– Obrigada, Sam. - O puxo para um abraço, sentindo ele me apertar forte.

– Ahn, gente, ta tudo bem? - Sem romper o abraço, olho para a porta. Sorrio ao ver o garoto loiro me olhando com preocupação. - Ouvi alguém gritar e, - ele leva a mão a nuca. - achei melhor vir ver o que aconteceu. -

Sammy me solta e sorri também. Aponto para o meu pé, agora enfaixado.

– Ta tudo bem, J.

do better + jack johnsonOnde histórias criam vida. Descubra agora