Estava cansada de ver séries. Aquele apartamento inteiro só para mim durante algumas horas, a curiosidade bateu mais forte. Me levantei do sofá e fui em direção ao primeiro quarto: o suposto quarto do desconhecido que tanto me atrai. O quarto em que me tocou, o quarto em que senti algo que nunca tinha sentido antes. Tinha um desejo dentro de mim de descobrir quem era o garoto, e talvez em seu quarto tenha alguma pista.
Abro a porta branca, por sorte destrancada, devagar, adentrando o quarto. Com uma das mãos tocando as paredes cinzentas do quarto, observo cada canto. Desde a cama, coberta com edredons e travesseiros brancos desajeitados, até a prateleira posicionada sobre ela, com alguns porta-retratos e premiações, até a única parede preta onde encontram-se três violões, lindos, e alguns desenhos, partituras e cartas além da porta pela qual entrei, até a estante, na parede em frente a cama, com papeis e objetos pessoais, em baixo de uma grande TV fixada na parede, até, por fim, a última parede, com um armário, um grande espelho e uma porta fechada.
Caminho pelo aposento, tocando as paredes com meus dedos. Paro sobre a estante e observo os papéis esparramados. Lindos textos estão escritos nelas, letras de musicas. Pego um das folhas soltas em minhas mãos.
"Garota, você entende, me deixou tão hipnótico
Droga, eu tenho que colocar meus dedos, sim
Bebendo desta garrafa, sentindo um no outro,
Telhado, vamos nos encontrar lá, sim
Sim, ou talvez até em um jato
Ou nós poderíamos ir em algum lugar pelo oceano
Baby, você pode ter onde quiser ter
Eu juro"
A letra continua, e eu estava concentrada lendo quando alguém arranca a folha de minha mão. O garoto dos olhos negros. Ele me encara e de repente fica difícil de respirar. Está usando calças, pretas e um tanto justas, um pouco caídas de modo que deixem a mostra o logo de suas roupas íntimas brancas. Não usa camiseta alguma, deixando a mostra sua estrutura bronzeada, seu abdomen definido. Meu coração bate forte em meu peito, quase rasgando. Estava preparada para ouvir algum xingamento, alguma grosseria vinda dele, mas nada foi dito. Ele encarou a folha,que antes estava em minhas mãos, por alguns segundos e estão a colocou novamente no lugar. Pegou em meu rosto, me obrigando a encara-lo, e quando meus olhos tiveram contato com os seus, um gelo passou por meu corpo. Seu semblante era sério, como se sentisse raiva. Tinha o maxilar, aquele perfeito maxilar, trincado, e os olhos, quase pretos, me olhavam de forma tão drástica. Me sentia nervosa, envergonhada por te-lo confrontado. Tinha medo, mas acima de tudo me sentia atraída. O modo como me tratava me dava tesão, me fazia deseja-lo. Tudo o que eu queria era poder ser sua. Não achei que seria capaz de tocar em qualquer homem além de meu irmão depois do que aconteceu, mas cá estou eu, menos de 24 horas depois, tendo pensamentos sujos sobre um garoto que nem sei o nome.
Ficamos assim, nos encarando. Uma de suas mãos puxava minha cintura contra ele, enquanto a outra estava fixa em meu rosto. Ele tinha força, e eu podia sentir isso no seu toque. Minhas mãos, tão pequenas e finas, estavam agora em seu peito. Eu sentia que precisava toca-lo. Precisava sentir o calor de sua pele em minhas mãos. Estou ficando louca, tem que ser. Nunca senti algo tão intenso apenas pelo olhar. Queria que me beijasse. Queria tão profundamente sentir seus lábios nos meus. Queria tanto que o tornei real. Fechei meus olhos, com a boca entreaberta esperando pelo contato. Mas, mais uma vez, fui interrompida.
O som da campainha soou por toda a casa, que jamais estivera tão silenciosa. O garoto a minha frente deu-me um sorriso, com um tom de malícia, soltando suas mãos de mim e saindo do quarto. Hipnotizada, assustada, surpresa. Sai também, curiosa para saber quem havia cortado o que eu tanto queria.
Ele estava na porta de entrada, e eu me escorei na que dava passagem para o corredor, o observando. A porta se abriu, dando espaço a uma garota, que sorri imenso quando o vê.
– Oi, meu amor. - Diz ela, com o sorriso estampado na cara, os olhos franzidos. Ela usa calças pretas com alguns rasgos, e uma camisa branca com as mangas dobradas até os cotovelos e os 3 primeiros botões abertos, deixando seu busto exposto.
– Ei, babe. - Me surpreendo com sua voz. Ele jamais proferiu uma única palavra para mim, mas o fazia para ela. Também havia um sorriso em seu rosto, talvez até maior que o dela. Ele a puxou pela cintura e os braços dela foram para seu rosto, fazendo com que ambos os lábios se encontrassem. Conseguia sentir sua pegada em mim, sentia o desejo dele por ela como se fosse para mim. Queria estar em seu lugar. Queria que tocasse a mim.
As batidas de meu coração foram tão danificadas pela cena, que por um segundo achei que iria parar de bater. Saí do batente da porta e indo me sentar no grande sofá, respirando fundo. Fechei os olhos com força, querendo que o sentimento pare, e os abri bem a tempo para ver suas grandes mãos a conduzindo pela cintura, para o mesmo quarto que comigo estivera, e seus olhos negros piscando para mim, enquanto uma risada tão suja quanto meus pensamentos escorre de seus lábios.
Droga, que merda é essa que está a acontecer comigo?
Talvez meu pai tenha razão. Talvez eu seja mesmo uma vagabunda.
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Sentiram o impacto?
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do better + jack johnson
Fiksi Penggemar[Onde J se apaixona pela inocência de T.] "Quando você vê tanto amor, quando já não me cabe no peito, não importa se estamos em outra galáxia. Você sempre está aqui." Iniciada em 24/02/17
