Pouco mais de uma hora tinha se passado desde que aquela garota chegou, e agora os gemidos e barulhos eram insuportáveis. Era quase como se fizessem para me deixar louca. Tendo em mente que eu não sou obrigada a passar por mais isso, levanto do sofá, procurando meu celular. Passo pelo grande corredor, checando cada quarto, e infelizmente não encontrando nada.
Já estou no último quarto do corredor, aparentemente o maior. Noto de primeira um bonito piano vertical na parede de frente a porta. Em cima dele estão equilibrados três quadros de mesmo tamanho: Os dois do canto possuem logos de hits, com o nome das musicas e "Jack & Jack" escrito em caligrafia impecável. No do meio há uma foto: Jack e o garoto dos olhos negros. Chego, finalmente, a conclusão de que o nome do garoto também seria Jack, confirmando minha teoria ao me aproximar e ver que o quadro está autografado: "Jack Gilinsky" está gravado em caneta preta sob o grande sorriso do garoto, enquanto "Jack Johnson" se refere ao Jack que eu já conhecia.
O quarto é enorme, eu diria o dobro do de Nate ou do outro Jack. Na mesma parede do piano, há também alguns instrumentos expostos na grande parede vermelha: Duas guitarras, dois violões e o que me parece ser um baixo, todos autografados e personalizados de maneiras diferentes. Num dos cantos do quarto há uma mesa, provavelmente usada para remixagem. Um macbook aberto sobre a mesa, ao lado de papeis organizados em pilhas, e um teclado eletrônico a frente, ligado a alguns outros aparelhos que não entendo.
Deslizo meus dedos sobre o teclado, ouvindo sons, criados por Jack, soando pelo quarto. Rio para mim mesma, seguindo para a parede com a cama. É uma cama grande, com lençóis, edredons e travesseiros brancos como os do outro, porém arrumados.
Este quarto tem um clima mais pesado que o de Gilinsky. O quarto de J tem três paredes pretas e uma num vermelho escuro. A iluminação é diferenciada, deixando o quarto numa vibe inexplicável. Ironicamente, me sinto mais confortável aqui do que no quarto cinzento que estive mais cedo. Este quarto era completamente cheio de personalidade, me deixando encantada.
Antes de sair do quarto, volto minha atenção mais uma vez para o piano, me lembrando das aulas de piano que minha mãe me dera quando mais nova. Sorrio, sentindo a saudade apertar em meu peito, e me sento no pequeno banco.
Há uma partitura apoiada no piano, e a pego em mãos. "Für Elise". Começo a rir, de tanta alegria que me vem ao peito. Für Elise foi a única música que já consegui aprender a tocar. Lembro-me de ficar horas e mais horas implorando a mamãe que me ensinasse. Me sentia arrepiada cada vez que a ouvia tocar. Era a melodia mais bela que já tinha ouvido naquela época, e hoje só me traz as melhores memórias.
Posiciono a partitura no lugar e movo meus dedos finos para as teclas do piano, respirando fundo antes de tentar. Demoro um pouco para acertar a primeira parte, mas uma vez que consigo a melodia segue escorrendo de mim para o piano, e toda a paixão que um dia eu senti volta a tona. Como senti falta disso.
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do better + jack johnson
Hayran Kurgu[Onde J se apaixona pela inocência de T.] "Quando você vê tanto amor, quando já não me cabe no peito, não importa se estamos em outra galáxia. Você sempre está aqui." Iniciada em 24/02/17
