thirty-eight

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Podia sentir o sol ardendo contra a minha pele branca e pálida quando finalmente acordei. Meus olhos ainda fechados, a preguiça tomando conta. É claro que dormi sob o sol, depois de conversar com Stass. Não tinha paciência para me deitar e esperar até ficar "morena". Sempre desistia nos primeiros 5 minutos, ou acabava dormindo.

Senti algo bloqueando o sol em cima de mim, a presença de alguém. Resmungo baixinho, ainda sonolenta, até sentir o perfume que tanto me encanta em contato com minhas narinas. Sorrio, tímida, sabendo que quem estaria ali era o loiro com quem tanto me apeguei.

Sua boca vai até uma de minhas bochechas, deixando um beijo melado ali, me fazendo rir. Abro os olhos, encontrando seus olhos infinitamente azuis e o sorriso carinhoso que estava acostumada. Seus braços estão apoiados nos meus dois lados, impedindo que caia sobre mim.

– Bom dia, bebê. - Ele agora encaixa nossos lábios num selinho.

– Bom dia. - Sorrio contra sua boca, rindo por já estar quase escurecendo, fim de tarde.

O olho por alguns segundos e então estico meus braços em sua direção, manhosa, pedindo para que me carregue no colo, mas convicta de que ele não o faria.

Fecho os olhos novamente, e me sinto surpresa quando meu corpo é suspenso pelos seus braços quentes e confortáveis. Rio para ele, que sorri, balançando a cabeça em desaprovação, mas ainda sim me levando em direção ao apartamento.

Mas ele não me leva para o apartamento, e sim ao famoso terraço.

Aquele terraço tão cheio de memórias, surpresas, momentos. Um terraço cheio de sol durante o dia e cheio de estrelas por toda a madrugada. O perfeito lugar para se ver o sol nascer e se pôr também. Perfeito para sentar e conversar, perfeito para dançar, rir, até mesmo gargalhar. Perfeito para gritar, berrar. Perfeito para mim. Perfeito para nós. Perfeito até para, talvez, amar.

Sentados lá, o sol já bem baixo, bem visível, o céu numa mistura linda de azul, laranja, rosa e roxo. Aquilo era a obra prima da natureza, obra prima do universo. E tudo só ficava melhor por ter Jack ao meu lado. Deitada em seu colo, suas mãos entrelaçadas em meus cabelos, minhas costas contra o chão gelado. Palavras eram ditas por ambas partes, as conversas tolas que gostávamos de ter por horas. O sol estava se esvaindo, e junto dele a claridade se ia. O azul escuro ia invadindo cada vez mais a imensidão acima de nós.

– Não seja tola. - Ele ria de mim, depois que disse a ele como achava a idéia de perfeição algo distante.

– Não estou sendo, J. - Movi meus olhos, do céu para ele. - Me diga, então, algo perfeito. -

Seus olhos focam nos meus, e sinto meu corpo todo tremer. Quem sabe eu não esteja, de fato, sentindo amor aqui dentro do peito? Talvez.

– Você. - Sua cabeça já esta bastante próxima da minha, questão de segundos para encostarmos. Tudo o que eu mais queria no momento era acabar com a distância, colar seus lábios nos meus como se nada mais além de nós existisse. - Nós. Juntos. -

Ele sorriu, e naquele momento eu soube que estava pronta. Não podia mais esperar. Não queria mais esperar, eu precisava de Jack. Precisava dele, agora.

do better + jack johnsonOnde histórias criam vida. Descubra agora