Althea Maloley
Era madrugada quando acordei, tateando a cama em busca do loiro que eu tinha certeza que havia me aconchegado em seus braços algumas horas atrás. Estava sozinha em seu quarto.
Puxei meu celular e no visor se lia "04:35". Não queria ficar sozinha com meus pensamentos naquele quarto imenso, então me levantei, indo em direção ao corredor. Quando seguia meu caminho para a sala que me toquei que estava vestindo não minha calça jeans e blusão da noite passada, mas uma camiseta preta e bastante larga, que cheirava incrivelmente bem - o mesmo perfume que eu tanto apreciava em Johnson - e caía até a metade de minhas coxas. Sorrio pensando no garoto que me protegeu noite passada.
Ah, noite passada.
Juro, não consigo entender o que estou sentindo nesse momento. O ódio e a repulsa pelo moreno dos olhos negros simplesmente desapareceu, e aquele sentimento tão esquisito retornou com tudo. O que Gilinsky tentou fazer comigo é, de fato, horrível, mas alguma coisa dentro de mim implora, grita para que lhe ouça, que lhe de uma chance. Eu sinto que ele não é assim. Sinto que é um homem bom, que ele tem um motivo para agir da maneira como age. Não sei, só sinto.
No mento em que piso na sala, a porta principal bate, se fechando. Não tem ninguém aqui, embora a luz esteja acesa. Caminho até a porta e ali está o moreno em que estive pensando. Ele entra no elevador e o mesmo se fecha, me deixando indecisa, parada a porta de casa, sem saber o que fazer.
No mais racional de minha mente, optaria por voltar para meu quarto - ou para o quarto de J - e voltar a dormir, afinal, como já dizia em How I Met Your Mother, nada de bom acontece depois das 2 da manha. Mas o coração fala mais alto, e logo me vejo dentro do elevador, indo para o terraço, onde novamente apenas "sabia" que encontraria G.
Nunca na vida vi lugar mais lindo que aquele terraço. Era literalmente perfeito. A visão da cidade inteira, Los Angeles sob a luz da lua e das estrelas, a cidade inteira só pra mim. Ou pra quem fosse que estivesse ali. O céu sem nuvens, mais estrelado que jamais vi. As estrelas brilhavam tanto que eu tinha a sensação que poderia toca-las se esticasse o braço apenas o suficiente. O som, o silêncio levemente barulhento, não aquele ensurdecedor. Aqui em cima até o vento parecia soprar certo. Era mágico, só podia ser. Coloquei meus pés ali e instantaneamente já me senti melhor. Melhor de tudo, melhor de todos, melhor dos ocorridos, melhor da vida. Me senti bem, em paz. Ainda mais quando notei o moreno ali, de costas para mim sem ainda ter me visto, observando aquela beleza paradisíaca.
Me sentei ao seu lado, como fiz da primeira vez que o vi naquela praia, mas dessa vez quem não proferiu palavras fui eu. As guardei para mim. Não queria me precipitar nem estragar nada. A noite estava bonita demais para deixar ser arruinada por palavras tolas e rasas. Preferi ficar quieta.
Ele notou minha presença, mas deixou passarem alguns minutos antes de se virar para me olhar. Já estava achando rude da sua parte, quando meus olhos batem contra os seus. Ele estava chorando.
Podia ver em seus olhos negros como era claro o seu arrependimento. Eu sabia, sabia que estava certa. Meu coração não mente, não erra, jamais. Aquele garoto só estava perdido, e eu sei aqui dentro do meu peito que sou eu quem estou designada a ajuda-lo. Ele precisa de mim. Não o deixarei partir, não devo e nem posso.
Jack abre sua boca na intenção de falar, mas nada diz. Se engasga em meio aos soluços e abaixa a cabeça, constrangido. Mas não se engane, meu precioso, choro não é sinal de fraqueza. Não para mim.
Olho fundo em seus olhos, fundo em sua alma, e pela primeira vez realmente enxergo alguma coisa.
Ele me deixa entrar, me deixa o penetrar. Mas dessa vez não é no sentido denotativo, no sentido da malícia, no sentido erótico. Penetro nele, no seu coração, no abismo da tua mente. E então eu entendo. Finalmente entendo.
Não, não sei o que ele tem, não sei o que lhe aconteceu de fato. Mas sei como se sente. Sei que se arrepende, sei que não é sua culpa. Não posso culpa-lo. Não consigo. Deveria estar brava. Deveria manter a minha distância, da maneira que todos me disseram para fazer. Deveria estar em casa, e não aqui com o cara que chegou tão perto de abusar da minha fragilidade. Deveria, mas na verdade estou aqui, e isso basta.
Minha mão vai, por impulso, para seu rosto. Sua pele quente se arrepia em contato com meus dedos frígidos secando suas lágrimas. Ele se aconchega contra minha palma, da maneira que uma vez eu tinha feito.
Minha vida mudou tanto, em tão poucos dias, graças a estes garotos. E mesmo com tudo o que vem acontecendo, não posso deixar de me sentir mais feliz. Eu me apeguei emocionalmente a cada um deles, inclusive ao par de olhos negros a minha frente.
Minha outra mão sai do chão e pousa em sua nuca, sentindo não mais arrepios, mas conforto, e o puxo para mim. Não, não beijo. Não é isso que almejo. O puxo para meus braços, contra meu peito, seu coração contra meu coração batendo em um só ritmo por debaixo de nossas vestimentas. A minha camiseta e o seu moletom. Ambos se aquecendo, ambos se confortando, ambos se perdoando e dando início a algo maior.
Não foram necessárias palavras. Aquele abraço já disse tudo o que jamais poderia ser dito. Tinha um motivo para alguém como G estar em minha vida, e eu pretendia abraçar ele com toda a sua louca personalidade. Afinal, é quem eu sou. E, se eu não tentar mudar a vida do meu ponto de vista, de que é que adianta viver?
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do better + jack johnson
Fanfiction[Onde J se apaixona pela inocência de T.] "Quando você vê tanto amor, quando já não me cabe no peito, não importa se estamos em outra galáxia. Você sempre está aqui." Iniciada em 24/02/17
