A noite caiu sobre nós, deitadas naquele gramado, juntas, conectadas. Callie tinha seus dedos entre meus fios de cabelo em uma carícia lenta e eu mantia o mesmo carinho nela. Nossos olhos alinhados. Dali podíamos ouvir apenas o som dos grilos, das nossas respirações, e do vento. Um arrepio percorreu todo meu corpo quando uma rajada de vento totalmente gelado passou por minhas costas. Callie me apertou mais contra seu corpo e sorriu.- Podemos ir embora agora? Você está com frio.
- Estou bem - Insisti. Mas minha voz saiu trêmula com o frio. Ela gargalhou e cobriu meu corpo com o seu. Sorri,agradecida pelo calor.
- Que tipo de pessoa eu seria se deixasse minha noiva aqui nesse frio?
- Me chama assim de novo.
- Minha n-o-i-v-a - Ela falou com um sorriso enorme. Coloquei uma mecha do seu cabelo atrás da orelha e a beijei da forma mais delicada que pude.
- Eu me sinto tão viva - Suspirei - E te amo tanto.
- Hmm, eu também. Mas eu vou precisar quebrar o clima porque nós realmente precisamos ir. Temos...
- Sofi. Eu sei - Fechei os olhos com força. É claro que eu não havia esquecido da minha garotinha nem por um segundo.
Mas estava tão nervosa com os momentos que se aproximavam. O resultado final.
Geralmente, eu dominava capítulos finais, ou etapas finais de um livro. Dessa vez, eu não tinha controle sobre isso, e odiava a sensação. Odiava a sensação de não saber o que aconteceria no final do meu próprio livro, e odiava todas as possibilidades que passavam por minha cabeça, sempre pendendo para o lado trágico.
- Eu sei o que você está pensando - Callie sentou sobre minhas pernas e puxou minhas mãos para que eu sentasse também. Ela segurou meu rosto, olhando em meus olhos quando eu tentei desviar, e então sorriu fraco, os olhos brilhando - Eu e você estamos aqui. Aconteça o que acontecer, estaremos juntas, vamos enfrentar isso.
Depositei um beijo carinhoso em seu pulso e sorri fraco. Meu coração se aquecendo com amor como em todas as vezes que Callie me fazia sentir amada daquela forma. Estava tudo bem. Meu porto seguro estava bem ali, e não iria a lugar algum.
Xxx
Chegamos em casa ás oito da noite, depois de termos jantado em um lugar simples perto de casa. Uma chuva fraca havia começado, e assim que entramos, ela fez questão de me dar um banho quente. Carinho. Apenas carinho em cada toque.
Aproveitei cada momento ao lado dela, os olhares carregados de amor, os toques de cuidado quando sua mão deslizava o sabonete de morango por meu corpo. Nós iríamos até o hospital depois daquilo e eu queria guardar o máximo de boas memórias antes de ver o resultado final da história.
Saímos do banho enroladas em nossos roupões, sorrindo sobre algum comentário sobre sermos noivas. Depois de nos vestirmos, fui arrumar uma pequena mochila caso Sofia precisasse de roupas, e Callie foi pegar alguma coisa sua no guarda roupa.
E então, de repente ela gritou, alto o suficiente para que eu virasse o rosto imediatamente para ver o que estava acontecendo. Ela estava parada, com uma mão sobre a boca, e a outra segurando o que parecia uma foto.
- Callie? Amor, v-você quase me matou.
- Que horas são? - Ela perguntou, a mão ainda sobre a boca, abafando a voz estridente.
- Nove - Respondi depois de checar meu relógio de pulso.
- Estamos atrasadas ou...
- C-como eu pude esquecer? - Ela continuou com a mão sobre a boca, e inclinou a outra para que eu pudesse ver a foto.
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The Restart
Romansa"Como uma pessoa pode causar o mesmo efeito em outra depois de anos? Depois de decepções, de lágrimas, de gritos e términos, depois de seguir em frente e quase acreditar na ilusão de ter superado Calliope Torres ainda me deixava nervosa como uma men...