16 | A AJUDA QUE EU NÃO QUERIA.

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Only fake flowers
are flawless.

Only fake flowersare flawless

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⚠️aviso de gatilho.

- M A D D I E -
17 de novembro, terça.

O Problema com os suplementos são os efeitos colaterais. Eles tiram seu apetite com maestria, mas eles também te fazem um perfeito zumbi. Ficar em literalmente qualquer coisa era uma tarefa difícil, só não mais difícil do que controlar o mau humor absurdo que vinha presente no meu dia-a-dia.

O negócio é que quando os usa, você não sabe se passaram duas horas ou duas semanas. Os dias ficam repetitivos e rápidos e você vaga por eles como se fosse um fantasma em piloto automático, falando as mesmas coisas, sem pensar direito.

Às vezes seu cérebro se distancia tanto que as pessoas soam como se você estivesse em baixo d'água. No tempo que eu passei tomando as pílulas – não sei dizer quanto tempo – eu senti como se eu estivesse andando de patins por um lago congelado, deslizando, como se eu fosse uma profissional no esporte, isso é, até você levar uma queda feia.

Traduzindo: você só "acorda" quando algo dá errado.

E algo sempre dá errado.

Em um dia nada especial, durante o intervalo, depois de recusar qualquer tipo de comida e levar uma encarada feia de Dakota, que já tinha me dado mil broncas por estar aérea, eu avisei que iria ao banheiro.

Logicamente levei minha bolsa, já pensando em escorregar uma ou duas pílulas para dentro de mim, sem que ninguém visse.

— Mas que merda? — Balbuciei, tentando achá-las na minha bolsa lotada.

Depois de um tempo me irritei e comecei a jogar tudo de um lado para o outro da bolsa, minha respiração já estava meio descontrolada e eu parei tudo quando escutei uma batida na porta da cabine. Quase pulei de susto.

— Tá tudo bem aí dentro? Quer que eu chame alguém na enfermaria? — A voz normalmente enjoada de Polly soou doce e preocupada.

Eu olhei para todas as minhas coisas espalhadas pelo chão e arregalei meus olhos, caindo em duas realizações: aquilo tinha fugido do controle e que meus suplementos não estavam lá.

Comecei a juntar os papéis, canetas, remédios, maquiagens e livros desesperada e jogando tudo na bolsa, ignorando completamente Polly do lado de fora. Percebi que meus olhos estavam cheios de lágrimas, mas eu não chorava ainda. Funguei involuntariamente e abri a porta, dando de cara com um par de olhos azuis gigantes me analisando.

— Maddie... Tá tudo...

Eu saí com pressa, antes dela completar a frase e respondi de costas:

— Tudo sim, obrigada.

Não tava tudo bem. Minhas pílulas estavam em casa. E eu estava com medo.

Medo de desmaiar de fome, medo de fazer alguma merda maior ainda, medo de alguém achar.

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