" A distancia faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande."
Roger Bussy-Rabutin
A tarde era de um sol agradável e a brisa fria proporcionava o ambiente perfeito para um piquenique no jardim. Era um domingo, os funcionários voltados, em sua maioria, para suas a própria família e nós, Inês, eu e as meninas, fizemos um piquenique. Não no chão como é de costume, mas a mesa estava farta e as meninas, Casandra e Diana, brincavam de bicicleta sem parar.
Eu e Inés estavamos sentados bebendo uma limonada bem gelada e observando as crianças em silêncio. Não era incômodo para nós, na verdade, estar juntos tornava tudo familiar.
Olhei para Inês que sorria ao ver uma pequena discussão entre as meninas. Tão linda, seu chapeu marrom fazia sombra em toda a face, mas seus belos olhos brilhavam como uma constelação. Sua pele suave e seu sorrio encantador e perfeito faziam seu rosto brilhar como um raio de sol. Meu coração apertou. Era amor. Um sentimento que durou anos e não sai de mim. Ela vestia um vestido branco ombro a ombro, cabelo preso deixando a mostra o pescoço e as poucas sardas que me enlouqueciam. Quis beijar uma por uma e senti-la arrepiar. Até que ela sentiu meu olhar fixo nela e me olhou como interrogando o motivo de estar vidrado nela.
- Você é linda. - o sorriso dela desapareceu. - Mais linda ainda irritada.
- Você é um louco. - eu gargalhei.
- Por você. Duvida que te amo? - ela retirou os olhos de mim e voltou a ver as meninas. - Duvida da luz das estrelas... É... Duvida que o sol queime... - ela me olhou com um sorriso lateral e tímido. - Como é mesmo?
- Você é péssimo poeta. - ela sorriu e eu senti o corpo tremer.
- Então, me ajuda... - ela se apoiou na mesa e me encarou sensual. Ela sempre é... Com esses olhos.
- Duvides que as estrelas sejam fogo. Duvides que o sol se mova... - disse ela mas completei a fazendo se calar.
- Duvides que a verdade seja mentira, mas não duvides jamais que te amo. -
Nos olhamos profundo por uns minutos e estendi a mão até ela a qual me deu a dela e acariciei suavemente, sem deixarmos de nos olhar mutuamente e quis beijá-la, tomá-la em meus braços e amá-la.
- Eu te amo. Não me olhe assim, com esse olhar desconfiado. Me dói a alma. - ela abaixou a cabeça, depois se levantou e veio até mim sentando em meu colo e abraçando meu pescoço com os dois braços.
- Me dói saber que a sua semente está crescendo em um ventre que não é o meu. Sempre doeu. Com Diana Maria... Eu a amava. Era como compartilhar isso com ela, mas com Débora... - ela suspirou. - É como uma facada em meu estômago.
A beijei. Ela não negou, retribuiu apaixonadamente e esquecemos das crianças. Os lábios dela são macios como ameixas maduras, mas doces como pêras e seu hálito é como um perfume que me excita. Desci a mão até próximo a suas nádegas e ela sessou o beijo. Só então vi Diana sentada na cadeira ao nosso lado, com as braços cruzados sobre a mesa e o queixo sobre eles, sorrindo como na manhã de natal ao abrir os presentes.
- Sempre quis isso. - disse Diana assustando Inês que levantou de imediato do meu colo.
- Desculpe, Diana. Você não deveria ver isso. - Me levantei e peguei Inês no colo. Ela gritou e corri com ela até a piscina. As meninas nos seguiram dando gargalhadas e Inês me ameaçava de morte, mas caímos na piscina e nos beijamos embaixo d'água. Cassandra colocou a boia nos braços e Diana as dela e ambas pularam na água. Era a vida que sempre quis.
Eu e Inês nadavamos dentro d'água e nos beijamos novamente, mas ao me afastar, Inés não era Inês. Ela desapareceu e vi Débora em minha frente, sorrindo. Subi para a superfície da água e ela me seguiu. Limpei o rosto e era ela mesma, a qual se jogou em mim. As crianças sorriam como se nada, mas era Débora não Inés.
Foi quando me apavorei e abri os olhos vendo um creado-mudo de madeira velha a minha frente. Não estou em minha casa. Me virei e olhei o teto. Me perguntei, mentalmente, onde eu estava.
Me senti tonto ao tentar levantar e permaneci deitado, mas uma voz chamou minha atenção.
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Inês
FanfictionCertas coisas não fazem muito sentido, como por exemplo, como uns nascem para sofrer e outros para serem felizes... Muitas coisas na vida são mistérios e a minha está cheia deles, muitos dos quais eu morrerei sem desvendar. Por algum motivo, aparent...
