XXXV - A Volta Eterna

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"A gente briga, a gente se ama, a gente vai e a gente volta. A gente é da gente e da gente ninguém tira." P.S. Eu Te Amo

Ao voltar ao hotel, Inês nem mesmo tomou banho. Caiu no sono e nesse dia, novamente, não jogaram cartas. Victoriano a cobriu com o lençol dela e a observou carinhosamente, sem saber que ela ainda estava consiente, somente com os olhos fechados. Ele alisou os cabelos dela e suspirou frustrado.

- Não sei mais o que fazer para que você volte para mim. Morrerei esperando você. Não terei mais mulher nenhuma, você roubou tudo de mim... Até a capacidade de sucumbir a luxuria. Você é meu ponto cego, meu vicio, minha prisão e minha liberdade. Sem você eu não vivo.

Victoriano suspirou, se ajeitou na cama e apagou o abajur. Foi só então que Inês abriu os olhos e deixou umas lágrimas rolarem.

Inês chorou tentando segurar os soluços. Ela o amava, amava tanto... Porque ainda não estavam juntos? Ela nem se lembrava mais. Foi quando ela chorou até dormir.

No dia seguinte Inês despertou e de primeira procurou por Victoriano ao seu lado mas não o achou, ela levantou em um súbito e chamou por ele mas ninguém respondeu, foi então que ela viu um grande buquê de lirios brancos e ao lado um lindo vestido vermelho, longo. Ela pegou o bilhete no buquê e leu:


" Minha amada esposa, como regra de nossa amada filha hoje é o dia do jantar de gala e eu decidi que hoje seja um dia para pensarmos. Só nos veremos a noite. Sei que estará linda nesse vestido... É um presente meu. Eu escolhi.

Te espero no restaurante de gala do hotel ás 20 horas.

P.S.: nessa caixa preta tem um único colar que quero que você use hoje.

Te amo."


Aquele "te amo" no final deixou Inês emocionada. Os dias que passaram realmente mostrou o quanto ela é feliz ao lado dele, o quanto ela se sente completa. O quanto ela o ama... Inês andou até a janela que dava para uma vista do mar e se deixou levar pelas lembranças.

O encontro na feira, as aulas para aprender a fazer queijo, o namoro, a noite de amor no seleiro. Depois a parte terrível com Loreto, essa lembrança trouxe lágrimas aos olhos dela... A perda de Alexandre, os anos no hospicio, o quase estupro, as noites na rua, o anjo Diana Maria, os anos como babá e governanta... Deborah, os erros de Victoriano, as noites de amor, o sequestro por Loreto, o trauma do quase estupro, então enfim o retorno de uma esperanza de viver o amor com Victoriano. Logo depois tudo foi destruido, a descoberta do filho de Deborah, depois de ter um irmão, a descoberta de estar gravida... A escolha de esquecer o amor da vida dela. A volta ao México, as brigas com Victoriano, o sequestro de Patricio, descobrir que Diana é sua sobrinha, o reencontro com Alexandre... O casamento com Victoriano. Inês pensou em tudo que aconteceu. Ela é uma sobrevivente, uma mulher forte, decidida, batalhadora, que superou os mais terríveis traumas, com fé e amor. Estava na hora de virar a página e ser feliz. Então pensou em Victorino, seu sorriso único, a gargalhada grossa e que chama o outro a rir junto, a levantada de sobrancelha quando ele é surpreendido, os braços fortes, ao beijos quentes, as caricias, os olhos verdes nos dela... Seria um dia para pensar realmente.

Victoriano passou o dia passeando pela costa da praia, pensando que essa era a noite da decisão. Esse casamento continuaria uma farsa ou o plano de Diana havia surgido efeito? Somente Inês podia responder e a espera para essa noite seria longa.

NOITE

Um vestido vermelho era de renda cordonê em estilo sereia. Desenhava as curvas de inês e abria em "A" do joelho aos pés. A alça tinha uns dois dedos de largura e descia para afrente em um decote em "V" e para as costas também em "V" até o inicio o sacro. Em seu pescoço, estava um simples colar de ouro branco com apenas um diamante branco como pingente. Os cabelos de Inês estava preso em um coque banana e a maquiagem marcavam em preto seus olhos, ressaltando os verdes deles.

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