XXII - Amor Ou Ressentimento

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"Como você pode pedir pra eu falar do nosso amor, que foi tão forte e ainda é mas cada um se foi?"
Tristesse - Milton Nascimento

A escuridão era o único que Inês via. Há horas ela estava trancada no quarto sem ver um raio de sol, mas ouvindo o mundo e os pensamentos que ela não podia calar. A cama estava aconchegante, quente na medida certa e ela estava encolhida abraçando as próprias pernas como quem sente cólicas, mas o que doía era seu coração. Em meio ao breu ela sentia as lágrimas rolarem, mas ela não entendia de que eram. De alegria, tristeza, ódio, amor ou ressentimento? Inês apenas sabia que doía, seu coração estava despedaçado e ela sabia o motivo. Na verdade o motivo era obvio mas ainda assim Inês não estava preparada para o resultado daquele exame de DNA. Os 99,999% causaram uma confusão na cabeça dela, foi como um turbilhão, um surto de sentimentos diversos e contraditórios que a paralisaram e era assim que ela estava, era isso tudo que ela pensava, era isso tudo que ela sentia e esse "tudo" era complicado de explicar. Os lábios de Inês ficaram em silencia todo o dia, mas sua mente não. Lágrimas iam e vinham, Rosário chamava e desistia de chamar e quando o outro dia amanheceu Inês sabia que só existia um lugar para ir.

FAZENDA LAS DIANA'S

Na mesa estavam todos da casa, Victoriano em sua cadeira de chefe, Débora em sua direita, Diana em sua esquerda, Cassandra ao lado de Diana e Alexandre ao lado de Debora. Eles não conversavam, apenas comiam e se miravam as vezes, mas existia algo que incomodava Diana, um sentimento proibido que ela escondia e o clima ruim, em parte, vinha de seu afastamento repentino de Alexandre o qual estava triste com a situação. Victoriano era calado mesmo e não via a hora de ir para a empresa e ver se aconteceu mais algum furto nas finanças. Sim. Há meses a empresa anda sendo roubada e ninguém consegue descobrir por quem.

Alexandre foi o primeiro a sair.

- Com licença, preciso ir. - disse Alexandre ao se levantar e limpar a boca com um guardanapo de pano branco.

- Onde vai filho, hoje é sábado não tem aula. - perguntou Victoriano.

- Vou cavalgar, pai. Preciso pensar. - respondeu Alexandre.

- Diana não vai dessa vez? - indagou Victoriano sabendo que eles amavam cavalgar juntos.

- Não. - disse Diana, os "irmãos" se miraram sem graça e rapidamente. - Vou ao shopping com umas amigas.

Cassandra olhava a situação e desconfiava que algo estranho estava acontecendo mas não conseguia descobrir nem imaginar o que era.

- Eu irei ver Patricio, pai. Já falei com a nana. - Victoriano suspirou e assentiu.

Alexandre foi o primeiro a sair , depois Diana e Cassandra, ficando apenas Debora e Victoriano.

- Vou com você para a empresa hoje, mi vida. - disse Debora, Victoriano permaneceu calado e ambos saíram em direção a empresa.

A manhã passou rápido, a pouco tempo atrás Debora avisou que voltaria a fazenda e victoriano estava terminando de assinar uns papeis e ver a quantia roubada nesse dia. Foram 100 mil dessa vez, desse jeito estariam falidos em poucos meses. Victoriano passou a mão na cabeça e se levantou para olhar a paisagem de seu patrimonio pela parede de vidro atrás da mesa do escritório. Ele suspirou, pensando em quem poderia furtar seu dinheiro com tanta habilidade e facilidade, pensou nos últimos dias, em sua familia, em seus segredos e pensou que tudo era um castigo.

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