"Eu sei de todas as suas tristezas
e alegrias,
mas você nada sabe,
nem da minha fraqueza,
nem da minha covardia"
Legião Urbana
Dois dias passaram e Victoriano, apesar de dedicar grande parte do seu tempo a sua nova namorada, estava irritado com a volta da mãe de Vicente. Dona Bernarda. No passado, ela era contra que o filho passasse a fazenda "Las Dianas" para Victoriano e isso foi a causa de várias discórdias, inclusive pelo fato de Loreto se associar a ela. Dona Bernarda declarou guerra a Victoriano, prometeu tomar a fazenda dele e Loreto está novamente ao lado dela. Pelo que parece, ele saiu da prisão exatamente devido a essa aliança e o clima estava negro entre eles.
Nessa manhã, depois de mandar as meninas ao colégio, resolvi ir cavalgar depois de grande insistência de Rosa. Estou muito deprimida devido ao novo romance assunido do patrão e Rosa sabe ou desconfia.
Victoriano me deixava cavalgar com os cavalos que eu quisesse, mas sempre saio com Lupita, ela é de um marrom claro com uma manchas brancas e sua crina é branca também, quase cinza. Ela é tão linda. Sai pela estrada em direção a cachoeira, senti o vento esvoaçando meus cabelos, o cheiro da terra que subia com os chuviscos de chuva. Induzi Lupita a aumentar a velocidade e fechei os olhos por um minuto, disfrutando o vento gelado da manhã em minha pele e os pingos de chuva molhando meu rosto. Então, parei debaixo de uma grande árvore e esperei o chuvisco passar, olhando a natureza preservada daquela área, me sentindo leve e, por um momento, livre da dor que ainda assolava meu coração.
Ao voltar a fazenda, avistei alguém conhecido de longe e não pude acreditar. Dei Lupita para um dos cuidadores e andei em direção aquele homem, ainda de costas, mas seu cabelo negro, sua baixa estatura e seu modo de se mexer me faziam lembrar de alguém. Ele conversava com Romero e ao me aproximar não suportei esperar mais.
- Benigno? - ele parou de falar e Romero olhou para mim. Benigno se virou para me olhar lentamente, quando me viu, sorriu. Ele parecia emocionado e correu para me abraçar forte.
- Inês, pensei que nunca mais te veria. - se afastou e agora chorava, ele tocou meu rosto com uma das mãos e sorriu. - Onde você esteve? Eu te procurei tanto...
Conversamos por um bom tempo, ele me contou sobre a morte da mulher dele e de seus dois filhos, eu, contei sobre a minha vida; acabei falando de mais e ele me pressionou para contar a verdade a Victoriano. Mas, cortei a conversa e me despedi. Nos demos um abraço e ele me deu um beijo na bochecha, não queria entrar naquele assunto. Quando me virei em direção a entrada do casarão avistei Victoriano ao longe, olhando em nossa direção. Pelo jeito a conversa demorou mais do que pensei e já era meio dia, caminhei até "meu amor" e meu chefe.
- Pelo jeito já viu Benigno... - ele nem me deu boa tarde, seria o normal já que ele não me viu pela manhã.
- Boa tarde... - ele me olhava sério. - Teve um mal dia? Que cara é essa?
- eu falei, enquanto ele olhava em meus olhos e respirou fundo, tirando os olhos de mim e passando a olhar Benigno ao longe.
- Não. Foi ótimo. - voltou a me olhar. -Só que... Esquece, Inês. - ele saiu em seguida sem se despedir.
- Victoriano! - o segui até o escritório. - O que você tem? Que bicho te mordeu? - ele se sentou em sua mesa e não olhava para mim.
- Melhor não falar disso. - respirava fundo, parecia irritado.
- Não me trate assim. Por favor. - ele me olhou por uns segundos no fundo dos meus olhos.
- Então, esse é o Benigno que foi seu namorado na adolescência... - ele não perguntou, ele afirmava e poderia pensar que estava com ciúmes. Respirei fundo tentando controlar meu coração que palpitou só de pensar nessa possibilidade.
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Inês
FanfictionCertas coisas não fazem muito sentido, como por exemplo, como uns nascem para sofrer e outros para serem felizes... Muitas coisas na vida são mistérios e a minha está cheia deles, muitos dos quais eu morrerei sem desvendar. Por algum motivo, aparent...
