XXVIII - Amor Implícito

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"Sozinho, meu pensamento focaliza em alguém. Deixo-o livre, e de repente meu coração aperta. Mas não estou triste, pelo contrário, deixo escapar um sorriso."

Bob Marley

Quando o silêncio chegou, Victoriano suspirou e voltou a sentar em sua cadeira. Nesses instantes, apoiou a cabeça nas mãos e lembrou da atrapalhação em sua vida. De como foi burro em se envolver com essa mulher. Então, uma doce voz chamou a atenção dele.

- Você está bem? - Victoriano levantou a cabeça e viu aqueles olhos verdes, aquela mulher linda a sua frente e seu coração acelerou ao mesmo tempo que apertou de tristeza.

- Sim, estou bem. - Victoriano sorriu levemente e Inês se aproximou dele. Tocou seus ombros e alisou com uma das mãos suas costas, dando apoio a ele.

- Seja o homem forte que sei que você é. - disse ela.

Ele tocou a mão esquerda de Inês com sua mão direita, ambos suspiraram por causa daquele toque; despertava sentimentos profundos.

- Eu serei forte até ter o que vale a pena de volta. - disse Victoriano, pegando a mão de Inês, a trazendo para o lado dele e beijando a mão dela enquanto ambos se encaravam e mergulhavam um no outro com desejo de nunca sairem dali.

- Melhor eu ir... - disse Inês com um timido sorriso e retirando a mão delicadamente de entre as mãos de Victoriano. - Patrício me espera.

Victoriano abaixou a cabeça, sentindo que ela queria fugir dele e isso doía muito.

- Hoje é um dia especial? - disse Victoriano tentando ser simpático e não a pressionar com assuntos de amor, mas o sorriso dele foi o suficiente para demostrar o quanto ele estava triste.

- Quer ir conosco? - perguntou Inês e ela se arrependeu de imediato, mas já era tarde.

- Realmente quer isso? - indagou Victoriano estranhando o convite. Inês encolheu os ombros e sorriu. Victoriano a encarou e retribuiu o sorriso ao ver a cara de sapeca de Inês.

Ela estava sendo divertida, tentava animá-lo e isso alegrou o coração de Victoriano. Seria esse um começo? Se perguntou ele enquanto o via sorrir e mirava seus olhos verdes brilhantes.

- Anda! Levanta! Precisamos adiantar. - disse Inês andando até a porta.

Victoriano a observou andar, admirou o corpo dela e relembrou a última noite de amor dos dois, em segundos ele viu flashes do corpo dela nu, relembrou a sensação de tocá-lo, beijar a pele e sentir o cheiro dela. Lembrou do gosto e da maciez dos lábios dela...

- Vem ou não? - Inês o despertou daqueles pensamentos e Victoriano sorriu novamente ao ver a cara de nervosa dela.

- Você fica mais linda ainda irritadinha. - ele sorriu e Inês ficou corada. - Encantadora quando cora.

- Deixe de galanteios e vamos. - Inês deu as costas e respirou fundo escondido dele, pensando na loucura que fez em convidá-lo. "Você foi burra Inês! Ficou com peninha dele? Tonta!" pensou ela.

- Espera, Inês? - gritou Victoriano ainda fechando a porta do escritório e Inés parou no meio do corredor sem olhar para trás, tentando parecer normal, ou seja, não corada. - Vou no seu ou vamos no meu juntos?

Inês fechou os olhos e somente os abriu ao virar o rosto em direção a Victoriano para o encarar.

- Vamos em carros separados até minha casa, lá, quando pegarmos Patrício, vamos juntos no seu carro. -
Victoriano deu um largo sorriso.

InêsHistórias para pegar e não largar. Descubra agora