"Quiero volver a ser quien te amaba como un juego de niños, volver al verde de tu mirada y secar la pena que hoy nos cala. Quisiera amanecer como antes, desnudo contigo, curando el amor, rompiendo el reloj, a golpe de calor y frío."
Pablo Alboran
Inês parou de encarar Victoriano e começou a comer seu omelete. Victoriano a acompanhou, ele estava triste, mas também esperançoso. Não era um fim definitivo, ele tinha uma chance e essa esperança o fez sorrir.
- Amizade colorida? - Inês o encarou séria, mas ao ver o sorriso dele ela gargalhou e ele a acompanhou, mas quando estavam no auge do riso, Inês parou e disse:
- Não.
Victoriano parou de rir e fez carinha de triste, como bebê mimado e Inês não conseguiu não rir. Ambos voltaram para a cidade como amigos, não mais ódio, mas também nem tanto amor.
Ao chegar na divisa da cidade, a música que tocava começou a ficar baixa e os pensamentos mais altos, então Inês desligou o som, abriu as janelas e expirou o ar puro daquela região ainda pouco habitada.
- E Alexandre? - Victoriano suspirou, estava esperando essa pergunta e não sabia o que dizer, ele sentia medo da reação do filho, afinal, foi Victoriano que mentiu para o proprio filho.
- Tenho medo da reação dele. - Inês mirou Victoriano rapidamente vendo seu rosto triste de perfil e ela suspirou antes de olhar a janela e colocar o cotovelo nela para apoiar o queixo com a mão.
- Sinto muito, mas não me importa seu medo, eu quero abraça-lo e dizer que sou a mãe dele e o ouvir me chamar de mãe, vê-lo me olhar como a mãe dele... - Victoriano encostou o carro em um súbito e desceu sem dizer nada, assustando a Inês.
- Victoriano.... - ele não respondeu e Inês desceu do carro o seguindo para a frente deste e parando do lado dele enquanto o por do sol iniciava e ambos o contemplavam. - Quero que ele saiba... Conto eu ou você?
- Me dê um tempo... - Inês manteve silencio. Era uma decisão certa, mas ao mesmo tempo pesava colocar seu filho contra o pai, porque era isso o mais provável.
- Porque eu deveria pensar em você agora, se você não pensou em mim antes? Nem mesmo em seu próprio filho, na falta que uma mãe deve fazer para ele... Você foi injusto não só comigo mas também...
- EU SEI! - disse Victoriano levantando a mão em direção a Inês para ela se calar, mas logo se arrependendo do tom de sua voz e suspirou. - Desculpe... Eu fui grosso, mas eu sei... Eu admito, tá? O fato é que não posso voltar no tempo e as consequências são pesadas e arriscadas demais. Corro o risco de nunca receber o perdão do meu filho. Eu não pensei que um dia teria que revelar essa verdade. Agi por impulso e ao mesmo tempo com a certeza que isso morreria comigo.
- Mas, você se esqueceu que não era o único que sabia disso e graças a Deus que não, por que caso contrário, você iria para o inferno, Victoriano. Isso é uma monstruosidade.
- Eu só peço um tempo... Seis meses? - ele a olhou mas Inês observava o sol deixando a mostra o mais perfeito verde de seus olhos.
- Uma semana... disse ela sem o olhar e ele deslumbrando aqueles lindos olhos e a beleza dela sob a luz do por do sol.
- Preciso de mais tempo... Por favor... - Inês suspirou, abaixou a cabeça e pensou em tudo que aprendeu na igreja e decidiu ser benevolente.
- Um mês Victoriano. Sem mais. - ela o encarou e cruzou os braços. - No fim do prazo, se ele não me procurar, depois de ouvir a verdade de você, ele te procurará, depois de ouvir a verdade de mim.
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Inês
FanfictionCertas coisas não fazem muito sentido, como por exemplo, como uns nascem para sofrer e outros para serem felizes... Muitas coisas na vida são mistérios e a minha está cheia deles, muitos dos quais eu morrerei sem desvendar. Por algum motivo, aparent...
