POV. Dipper
Acordei na minha cama, com as lembranças do que eu havia feito horas antes ainda frescas na memória.
Sorri, umedecendo os lábios.
Eu tinha conseguido exatamente o que queria.
Bill dormia serenamente ao meu lado. Agora que havia me livrado daquele desejo de luxúria, meus pensamentos estavam mais claros, minha mente finalmente limpa daqueles impulsos idiotas. Olhei para a janela e, pela posição do sol, percebi que já estava anoitecendo.
Levantei-me sem esforço algum e fui até o banheiro. Enchi a banheira e joguei alguns sais de banho antes de entrar.
Agora, finalmente, eu podia começar a planejar minha vingança contra os dois amantes estúpidos.
Mabel seria quem mais sofreria — disso eu tinha certeza. A traição de Saito já era algo esperado. Eu o conhecia bem, sabia que ele não prestava. Mas eu, idiota como sempre, acreditei fielmente que poderia mudá-lo.
Fiz uma careta de desagrado ao lembrar o quanto eu havia sido insignificante. Era digno de pena.
Saito não sofreria tanto. Admito que fui culpado por tudo ter dado errado. Ele só estava comigo por gratidão, pena… e porque eu o mantinha.
Eu o conheci quando tinha quinze anos. Ele era maltratado pelo pai: apanhava, passava fome. Eu fui o único que teve coragem de fazer alguma coisa.
Investiguei o pai dele por semanas. Decorei toda a sua rotina. Entrei na casa enquanto ele estava no trabalho. Se aquele homem tivesse chegado e me encontrado ali, poderia até ter me matado — mas eu não me importei.
Mesmo assim, fui.
Tirei Saito do porão onde o pai o mantinha preso e o escondi. Eu já tinha provas suficientes para acusá-lo. Paguei, com meu próprio dinheiro, um advogado e lutei para que todos vissem quem aquele homem realmente era.
Fui ameaçado. Fui espancado. E continuei.
Depois de incontáveis idas ao hospital e discussões intermináveis, eu consegui.
Eu o libertei das garras daquele psicopata.
Nós já tínhamos algo antes de tudo isso. Antes mesmo de começarmos a namorar, ele admitiu que só havia se aproximado de mim porque eu parecia o tipo de pessoa que não suporta ver injustiça. Praticamente confessou que me usou para se livrar do pai — e que já havia tentado fazer o mesmo com outras pessoas.
Mas eu fui o único que fez algo.
Ele me disse, com todas as letras, que não prestava. Que eu me machucaria se continuássemos juntos. Eu não quis ouvir.
Disse que, se ele não tivesse me amado no começo, eu faria com que se apaixonasse por mim.
Eu estava tão apaixonado que não liguei por ter sido usado. Não liguei quando precisei fazer tudo por nós dois. Não liguei em trabalhar como um condenado enquanto ele ficava em casa.
Eu era feliz.
Contanto que ele estivesse ao meu lado, aquilo era suficiente.
Ele tentou terminar comigo uma vez. Entrei em pânico. Chorei. Implorei para que não me deixasse. Disse que faria o que ele quisesse, que seria o que ele quisesse.
Agora eu vejo.
Aquilo não era amor.
Era algo distorcido. Doentio.
Eu acreditava que ele dependia de mim, que sem mim ele não conseguiria seguir em frente. Mas a verdade era outra.
Quem dependia dele… era eu.
Eu estava obcecado.
Vivia para ele. Ele era tudo para mim.
Eu teria morrido por ele. Se tivesse me mandado pular de um prédio, eu teria pulado — feliz — só para agradá-lo.
Saí da banheira rapidamente. Não gostava daquela linha de pensamento.
Voltei para o quarto. Bill já não estava mais na cama.
Suspirei alto enquanto me vestia e descia as escadas. Não ouvi o coração de Bill batendo.
Será que ele saiu?
A pergunta ecoou na minha mente.
Um pouco decepcionado com o sumiço do idiota triangular, resolvi sair da mansão por um tempo.
Acho que finalmente chegou a hora de descobrir onde, exatamente, eu estava.
---
POV. Bill
— Horas antes —
Acordei com o movimento da cama. Abri os olhos bem a tempo de ver o Pine Tree entrando no banheiro.
Garoto frio. Nem para dar bom dia.
Um pouco irritado, levantei-me. Com um estalar de dedos, já estava completamente arrumado e em perfeita condição. Estava prestes a sair do quarto do nanico quando uma carta surgiu flutuando à minha frente.
Peguei-a e abri.
---
— Carta on —
Para o idiota egocêntrico,
Convido você a vir até a minha mansão (que é muito melhor que a sua) para tomar um chá. Agora.
Se não puder, responda imediatamente. Diferente de você, eu tenho mais o que fazer da minha vida.
Do seu irmão mais bonito, rico, poderoso, lindo e gostoso,
Phill.
— Carta off —
Revirei os olhos.
— E eu é que sou egocêntrico…
Estalei os dedos e apareci na mansão de Phill.
— Ora, que surpresa! — disse ele. — Pensei que não viria.
Virei-me. Phill tomava chá sentado a uma mesa de vidro. À primeira vista, parecia frágil… mas era absurdamente bonito.
— Bom — respondi —, eu tinha tempo.
— Sério, é? — Ele sorriu de forma sarcástica.
Sentei-me na cadeira à sua frente e servi um pouco de chá.
— O que você quer? — perguntei, sério.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Ódio. (Completo)
RomansaTraído pela própria irmã, Dipper vê seu mundo desmoronar. Anos depois, Bill Cipher retorna após ter passado esse tempo aprisionado na forma de uma estátua - e oferece ao garoto exatamente o que ele mais deseja: vingança. O que Dipper não esperava er...
