POV: Dipper
— Então, Pine Tree — disse Bill —, que tipo de acordo você quer?
Passei a mão pelo rosto, secando as lágrimas, e me levantei.
— Eu quero poder — respondi. — Poder para fazer eles pagarem. Quero poder para me vingar.
O ódio me cegava. Talvez, se tivesse tido tempo para me acalmar, eu não estivesse prestes a fazer aquilo.
Bill sabia disso.
O sorriso dele se alargou, quase felino.
— Interessante… — murmurou. — E o que vai me dar em troca?
— O que você quiser.
— Feito.
Bill estendeu a mão envolta em chamas. Apertei sem hesitar.
— O acordo está selado, Pine Tree. Não há volta.
— Eu não quero voltar.
— Ótimo.
Ele soltou minha mão. O sorriso desapareceu, e sua expressão se tornou pensativa.
— Para conseguir o que você quer, eu já tenho uma ideia.
— O quê?
Minha voz saiu rouca, e meus olhos ardiam por causa do choro.
— Você tem que morrer.
O quê…?
— O quê?! — exclamei. — Ficou louco, Cipher?!
— Sempre fui, baby — respondeu com um sorriso torto. — Mas, se quer o que pediu, é isso que precisa acontecer.
— Eu não confio em você — rosnei. — Está tentando me enganar de novo!
Por que sempre tentam me enganar?
Por que insistem em me fazer de idiota?!
— Não me desrespeite, Pine Tree — disse Bill, a voz fria. — Eu nunca te enganei.
Mentiroso.
Todos são mentirosos.
Dei uma risada irônica e me aproximei dele.
— E aquela vez em que você roubou o meu corpo?!
Antes que eu pudesse reagir, Bill me empurrou contra uma árvore. Gemi de dor e senti sua mão se fechar ao redor do meu pescoço.
— Primeiro — disse ele, sério e furioso —, não esqueça com quem está falando, garoto. Segundo: eu cumpri a minha parte no acordo.
Lutei para respirar.
— Mentira…
Ele me soltou. Caí no chão, arfando. Bill me encarava com raiva — e desprezo.
— Sobre o lance do corpo — continuou —, eu disse que ia ajudar. Nunca disse como. Eu te ajudei, garoto. Quando o Estranhageddon começou, eu podia muito bem ter te transformado em ouro. Mas não fiz. Podia ter colocado sua irmãzinha em um lugar de onde nunca mais seria encontrada. Em vez disso, deixei ela naquela cidade idiota. Por que você acha que eu fiz tudo isso?
— Porque você não me considerava uma ameaça — respondi, encarando-o.
Era a única explicação que eu tinha. Eu não queria admitir que ele realmente tivesse me ajudado.
— Se eu não considerasse você e a besta da sua irmã uma ameaça — rebateu Bill —, eu não teria colocado nenhum de vocês na bolha para começo de conversa. Vamos, Pine Tree. Pensa um pouco. Eu estou certo.
— Tá bem — suspirei. — Eu desisto. Você cumpriu seus acordos.
Ele sorriu, vitorioso. Revirei os olhos.
Foi então que uma ideia surgiu.
— Eu preciso morrer de alguma forma específica?
— Não — respondeu Bill. — Seu coração só precisa parar de bater. O que está pensando?
— Vou me matar.
Ele arqueou uma sobrancelha, esperando que eu explicasse.
— Você tem papel e caneta aí?
Bill estalou os dedos. Eles surgiram na minha mão.
— O que você vai fazer, Pine Tree?
— Uma carta de suicídio.
Comecei a escrever.
— Esse vai ser o primeiro passo da minha vingança contra a Mabel.
— O que a Estrela Cadente fez para te deixar com tanta raiva?
Terminei a carta.
— Ela me traiu.
— E pretende brincar com a mente dela usando essa carta…
— Exato.
— Que cruel, Pine Tree.
— Cruel foi o que ela fez comigo.
Bill sorriu de forma perversa e fez uma adaga surgir.
— Vai doer.
Sorri de volta.
— Não mais do que a dor que eles me fizeram passar.
Afundei a lâmina no meu peito.
Quase imediatamente, o sangue começou a escorrer. Retirei a adaga, e o sangue jorrou. Caí de joelhos no chão.
Olhei para Bill.
Ele parecia feliz — quase ansioso.
Foi a última coisa que vi.
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Ódio. (Completo)
RomanceTraído pela própria irmã, Dipper vê seu mundo desmoronar. Anos depois, Bill Cipher retorna após ter passado esse tempo aprisionado na forma de uma estátua - e oferece ao garoto exatamente o que ele mais deseja: vingança. O que Dipper não esperava er...
