"I want to hide the truth
I want to shelter you
But with the beast inside
There’s nowhere we can hide
No matter what we breed
We still are made of greed
This is my kingdom come
This is my kingdom come"
Pidge Pov's
Eu sempre estive ao lado de Keith, sempre o apoiei quando ele precisava, e é por esse motivo que eu não contava minhas coisas para ele...
- Pidge! O jantar tá pronto!- Berrou meu pai.
Tinham tantas coisas que eu não queria contar para não preocupa-lo, ele já tinha muita coisa na cabeça.
Desci as escadas cuidadosamente, seguida por Matt, nós dois permaneciamos de cabeça baixa.
- Vocês aprontaram algo hoje?- Quase grita, em tom repreendedor.
De início nós não dissemos nada, mesmo que não tenhamos aprontado algo.
- Não... Pai...- Diz Matt.
- Acho bom...- Ele nos olhou de cima a baixo. E se sentou na mesa, nós fizemos o mesmo.
Começamos a comer, sem dizer uma palavra.
- Qual de vocês vai limpar a bagunça que ficou a adega de vinho?- Perguntou nosso pai.
"Aquela que você quebrou inteira?"
Pensei.
- Por que não vai você, pra variar..?- Sussurrou Matt, para si mesmo.
- Como é?- Gritou.- Eu cuido da porra de uma casa inteira, e vocês não podem fazer uma merda de favor?!
- D-Desculpa pai.- Disse rapidamente, antes que a situação piorasse.- Nós vamos ajudar você...
Talvez eu não tenha contado, mas quando nossos pais se separaram, meu pai acabou ficando mais... Amargo... Brigando conosco do nada, nos repreendendo por coisa alguma...
Após o jantar, eu e Matt fomos limpar a adega de vinho, que meu pai tinha quebrado por inteira... Ou quase, tinha sobrado apenas um vinho, o vinho preferido da minha mãe. Por que esse tinha sido o único que ele não quebrou? Achei que ele quisesse manter distância de tudo sobre ela...
Limpando o lugar com meu irmão, eu acabei esbarrando em uma prateleira, justo naquela com a última garrafa de vinho.
- PIDGE CUIDADO!- Gritou Matt, me puxando para o lado.
A prateleira caiu, quebrando-se por completo, quebrando inclusive a garrafa.
- Ai merda...- Disse, logo em seguida prendendo a respiração, por ouvir passos pesados vindo na direção da adega.- Se esconde!
Ele me jogou dentro de um armário aleatório, e fechou a porta, eu o vi indo até o meio do lugar, mesmo com a porta fechada eu enxergava boa parte da adega.
- Onde tá sua irmã?!- Berrou.
- F-Foi pro quarto...
- Então foi você que derrubou essa merda?!- Berrou novamente.
- F-Fui...- Disse Matt, e engoliu seco.
- VOCÊ SABE QUANTO PREJUÍZO VOCÊ ME DEU, SEU FILHO DA PUTA?!- Ele ficava mais agressivo a cada palavra.
- D-Desculpa P-Pa--
Ele foi interrompido com um tapa no rosto. A última coisa que vi, foi meu pai indo pra cima dele, antes de fechar meus olhos e tapar neus ouvidos.
Quando eu era pequena, eu tinha muito medo dos trovões... Minha mãe me ensinou uma música para fazer passar o medo. Uma pequena melodia nasalada, acompanhada de uma letra cantada mentalmente: "Não há, o que temer... A chuva, vai passar... Os trovões, não assustam... Nada, acontecerá..."
Sempre quis saber se era uma boa atriz, e acabei descobrindo que sim, quando aquele tipo de coisa começou a acontecer. Quando você se acostuma, fingir começa a ser fácil.
Mesmo depois que a briga pareceu acabar, eu ainda assim fiquei alí um tempo, sem abrir os olhos, e sem tirar a mão de meus ouvidos. Devo ter ficado dentro daquele armário por uns sete minutos, e quando saí ninguém estava no lugar. Tinha muito vinho espalhado, e algumas gotas de um liquido que não parecia ser vinho...
Fingir não é o difícil, o difícil era na verdade admitir estar no inferno.
Voltei à sala devagar, dando passos longos, mas cautelosos, até conseguir chegar à escada. Subia os degraus, temendo que rangessem.
Pensei em ir direto ao meu quarto, mas percebi que a porta do quarto de Matt estava entreaberta, com uma luz bem fraca, muito provavelmente vinda do banheiro.
Entrei no lugar escuro, indo em direção à fonte da luz.
- Matt..?- Sussurrei, colada à porta
- O-Outch..!- O ouvi grunhir, fazendo algo em frente ao espelho.
- Matt, tá tudo bem..?- Disse me aproximando.
- Tá sim, Pidge.- Respondeu com uma voz rouca e embargada, sem se virar.- Volta pro quarto, o papai pode pegar você aqui...
- Matt...- O chamei, colocando a mão em seu ombro.- Olha pra mim...
Ele lentamente virou a cabeça, me permitindo ver vários cortes no seu rosto, alguns nos seus lábios um pouco inchados, e um olho roxo. Ele virou seu corpo, e cruzou os braços, em uma de suas mãos tinha um frasco de remédio, na outra um algodão sujo de sangue, e em cima da pia alguns curativos e ataduras.
- Diga... Pidge...- Fala com a voz embargada.
Não poupei minhas lágrimas, eu o abracei forte, e ele me abraçou de volta.
- Eu não... Queria que me visse assim...
- Por que fez isso..?- Perguntei.-Por que?!- Repetia.- Não quero que faça essas coisas..! Nunca mais!
- Pidge...
- Prometa pra mim... Prometa pra mim que não vai apanhar no meu lugar! Nunca mais!
- ...- Ficou em silêncio por um tempo.- ... Não é certo fazer promessas que não podemos cumprir... Irmãzinha...
Nós dois desabamos em lágrimas, ajoelhados no chão, ainda assim, sem fazer um barulho sequer... O medo, a tristeza, a raiva, e o orgulho, é isso que você sente no inferno... Ao menos, é o que parece...
×X×
Eyyy
Não me matem por não atualizar faz tempo e derrepente eu apareço com um capítulo sem Klance e com essa tristeza aí ;u;
O que acharam?
Críticas?
Elogios?
Dúvidas?
Dicas?
Digam pourra, divulguem myself pros seus amiguinhos. :)
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Together Again - Klance
FanfictionKeith é um garoto de 16 anos que sofre com crises depressivas, é antisocial e não costuma confiar nas pessoas, tudo por conta de um passado nada bom. Lance é um outro garoto de 16 anos, que tenta sempre ser otimista e sorridente, gosta de fazer bem...
