Amelia abriu os olhos lentamente, piscando algumas vezes para se acostumar com a luz dourada da tarde que penetrava suavemente pelo quarto. Sentiu o calor confortável dos lençóis contra sua pele nua e, por um breve momento, acreditou que tudo não passava de um sonho nebuloso. No entanto, ao permitir que seu olhar deslizasse para o lado, deparou-se com Noah, completamente relaxado, dormindo serenamente ao seu lado. Seu coração deu um salto, e um rubor cálido subiu por suas bochechas ao se dar conta da própria nudez.
O calor da lembrança da manhã passada espalhou-se por seu corpo como uma chama branda, e, pela primeira vez em toda a sua vida, sentiu-se bela. Então, era aquilo o dever matrimonial mencionado por sua mãe? A vergonha que Daisy Campbell demonstrara ao tentar explicar-lhe tais responsabilidades fazia agora completo sentido. A mãe sempre fora reservada para tratar de assuntos mais íntimos e, quando Amelia, ainda menina, vira um casal de empregados trocando um beijo apaixonado e perguntou a ela do que se tratava, Daisy desconversara rapidamente. Foi somente através das páginas dos livros de romance que Amelia pôde descobrir, sozinha, o que realmente se passava entre um homem e uma mulher.
No entanto, nada, absolutamente nada, poderia tê-la preparado para a realidade arrebatadora que vivera ao lado de seu marido. O modo como Noah a tocara, como a devorara com os olhos e com os lábios, como fizera cada parte dela se sentir desejada... Era algo que jamais poderia ter imaginado. E agora ali estava ele, dormindo, a expressão tranquila suavizando seus traços firmes e imponentes. Como podia um homem parecer ainda mais bonito enquanto repousava?
Ela mordeu o lábio inferior, subitamente tomada pela insegurança. Teria ele reparado nos defeitos de seu corpo? Mesmo após tudo o que haviam compartilhado, o receio da imperfeição ainda a assombrava. Sentindo um súbito desejo de fugir para a privacidade de seu próprio quarto, Amelia ergueu-se com cuidado, recolhendo sua camisola do chão. Movia-se com extrema cautela, evitando qualquer ruído que pudesse despertá-lo, mas, no exato momento em que se aproximava da porta, tropeçou em uma dobra do tapete. O tombo foi inevitável, e o som do impacto ecoou pelo quarto.
Seu coração acelerou, e ela permaneceu estendida por alguns instantes, sentindo a humilhação lhe inundar as veias. Com a respiração presa no peito, ergueu lentamente a cabeça na direção da cama, apenas para constatar que Noah já não estava mais deitado. Antes que pudesse reagir, uma voz rouca e carregada de diversão soou acima dela:
— Onde a senhorita pensa estar indo?
Um arrepio percorreu sua espinha ao ouvir aquela entonação aveludada, e seu corpo inteiro estremeceu. Amelia virou lentamente a cabeça para frente e deparou-se com os pés descalços de Noah. Oh, céus! Como sairia dessa agora?
— Aguardo uma resposta, minha querida esposa — ele insistiu, com um tom levemente divertido.
Droga! Teria que encará-lo! E, pelo que podia perceber pelo canto dos olhos, ele estava completamente nu. Amelia sentiu um calor insuportável se espalhar por seu rosto, e, num impulso desesperado, cobriu os olhos com a mão esquerda enquanto tentava se erguer apoiando-se na mão direita. No entanto, mal conseguira se colocar de pé quando ouviu a gargalhada de Noah ecoar pelo quarto.
Antes que pudesse protestar, sentiu suas mãos sendo gentilmente sobrepostas pelas dele e, num movimento rápido, foram afastadas de seu rosto. Seus pulsos agora estavam presos acima da cabeça, a respiração de Noah quente contra sua pele.
Num gesto instintivo, Amelia fechou os olhos com força, como se isso pudesse protegê-la da situação embaraçosa. Mas logo sentiu o braço firme de Noah deslizar por sua cintura e puxá-la contra ele. O contato ardente de suas peles fez seu corpo reagir de maneira incontrolável, e sua respiração tornou-se errática.
Mantendo suas mãos presas com o braço esquerdo, Noah começou a traçar um caminho de beijos desde a testa de Amelia, descendo lentamente por sua face e chegando ao pescoço, onde depositou pequenas mordidas e chupões suaves. Ela se arqueou involuntariamente contra ele, um gemido quase inaudível escapando de seus lábios entreabertos.
Quando Noah finalmente capturou sua boca, o fez com uma intensidade avassaladora. Seu beijo era faminto, possessivo, e Amelia se viu correspondendo com igual fervor. Em um ato impensado, enlaçou uma perna ao redor da cintura dele, aproximando-se ainda mais. Mas, ao perceber o gesto ousado, recuou bruscamente, soltando a perna com rapidez, o que fez Noah soltar um leve riso contra seus lábios.
— Sempre tão adorável... — murmurou ele, sua voz carregada de desejo.
Com um único movimento fluido, Noah a ergueu nos braços, fazendo-a arfar em surpresa. Amelia arregalou os olhos e, antes que pudesse protestar, já se via novamente deitada sobre a cama, com ele sobre ela. Dessa vez, porém, seus toques eram lentos, carinhosos, como se desejasse saborear cada instante. Ele tomou seus lábios com doçura, explorando o gosto açucarado de sua boca com uma devoção silenciosa.
Suas mãos deslizaram por suas coxas, apertando-as com reverência, e Amelia sentiu-se inteira, viva, entregue. No calor do entardecer, permitiu-se ser amada mais uma vez, afundando-se nos braços de seu marido e nos prazeres que ele lhe proporcionava.
Quando, enfim, repousou em seus braços, sentindo o peito forte de Noah subir e descer junto ao seu, um pensamento a atingiu como uma revelação inegável:
A duquesa de Wiltshire jamais poderia se sentir indesejável novamente.
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Distinta Faísca
RomanceNoah August William Harrison futuro Duque de Wiltshire e atualmente Conde de Trowbridge nunca se importunou por ter uma vida libertina livre de preocupações. Gostava da vida que tinha e nem se importava com o casamento, afinal sua família possuía um...
