— Você não seria capaz de me bater... seria? — A voz de Amelia rompeu o silêncio como uma prece temerosa, tão suave quanto um sussurro, mas carregada de um peso antigo e profundo.
Noah sentiu o mundo ao seu redor girar por um breve instante. Aquela pergunta, dita em tom quase inocente, reverberou em sua mente como um trovão nostálgico. De imediato, foi arrastado de volta à infância, como se os anos tivessem desaparecido.
Recordou-se, com clareza cruel, da primeira vez que ouvira aquelas mesmas palavras. Não de Amelia, mas da boca trêmula de sua mãe. Ela o envolvia com os braços frágeis, protegendo-o do castigo iminente que viria por uma simples carta mal escrita. A mensagem, endereçada ao arrendatário Sr. Brabel, havia sido redigida com toda a dedicação de um menino que apenas queria agradar ao homem que, até então, julgava ser seu pai. Mas aquilo não bastara. Nunca bastava. Lembrava-se do cheiro da tinta, da textura do papel... e do estalo que cortou o ar quando o punho de seu "pai" encontrou o rosto de sua mãe.
Naquele instante, o mundo de Noah mudara para sempre. Gravou em sua memória não apenas o som da agressão, mas o olhar de sua mãe — um misto de dor, coragem e um amor avassalador. Desde aquele dia, prometera a si mesmo, com a convicção férrea de um coração em formação, que jamais permitiria que mulher alguma passasse por aquilo novamente. Jamais seria semelhante àquele homem.
E o mais cruel de tudo... foi descobrir, anos depois, que aquele monstro nem sequer era seu pai de sangue. Que o verdadeiro pai, o homem que deveria tê-lo guiado com honra e gentileza, fora traído — assassinado — pelo próprio irmão. Como? Como um homem tão inteligente, tão íntegro, pudera ser tão enganado? Como baixara a guarda diante da serpente que viera a destruir tudo?
Mil perguntas brotavam em sua mente, cada uma mais angustiante que a outra, e nenhuma com resposta.
Mas uma coisa era certa.
Ele ainda estava ali. Com Amelia. E precisava ser melhor por ela.
Voltou o olhar para sua esposa, tão vulnerável e, ao mesmo tempo, tão forte ao desafiá-lo com palavras que poderiam desmontar qualquer um.
— Nunca faria isso — respondeu, com a voz embargada. — Nunca levantaria a mão contra uma dama. E, sobretudo... nunca contra minha esposa.
— Então me escute — insistiu ela, dando um passo à frente, os olhos brilhando de determinação. — Feche essa porta. Fale comigo. Guardar esse sentimento dentro de si... não vai fazê-lo desaparecer.
Ele a fitou longamente, lutando contra a tormenta que rugia dentro de si. As palavras dela eram como âncoras lançadas em meio ao caos. Lentamente, seus pés se moveram. Com um gesto resignado, Noah fechou a porta, selando o mundo exterior. Quando se virou, sua visão embaçada pelas lágrimas encontrou a expressão suave de Amelia. Era como olhar para o sol após dias de tempestade.
— Graças àquele homem — começou, a voz rouca de dor —, vi minha mãe apanhar inúmeras vezes por tentar me proteger. Ele dizia que eu era inútil. Que não servia para nada. E quando nasceu minha irmã... fiz um acordo com ele. Prometi me afastar, desde que ele parasse de feri-las. O desgraçado aceitou. E eu... eu cumpri minha parte.
Ele respirou fundo, como se aquilo arrancasse pedaços de si.
— Você consegue imaginar o que é deixar tudo o que se ama nas mãos de um tirano? Eu tentei. Juro que tentei. Mas agora, essa maldita carta... revela que ele nunca foi meu pai. Que matou meu verdadeiro pai. Que destruiu tudo... e ainda por cima vestiu a máscara do patriarca. Não posso aceitar! Eu o odeio com cada fibra do meu ser!
Ele mal terminara a frase e já sentia o calor dos braços de Amelia ao seu redor. O gesto dela era simples, mas poderoso. Como se dissesse: você não está sozinho.
— Mantenha a calma, Noah — ela murmurou. — Eu jamais poderei sentir o que você sentiu. Mas posso estar ao seu lado. E vou estar. Sempre que me permitir. Prometo ajudá-lo a enfrentar o que vier, mesmo que eu não saiba todas as respostas.
O calor do abraço, o som suave da voz dela, o perfume delicado que exalava... tudo nele se dissolvia diante da presença de Amelia. O medo, a culpa, a raiva... foram sendo substituídos por algo novo. Algo que pulsava com urgência.
Olhou-a demoradamente, como se a visse pela primeira vez. Seus olhos estavam entreabertos, as bochechas levemente coradas. Um rubor doce e provocante. Aproximou-se, beijando-lhe o pescoço com reverência, saboreando cada centímetro de pele como se ela fosse a dádiva mais rara da Terra. A respiração dela se acelerou, e ele sentiu a pele dela arrepiar sob seus lábios. Os dedos dela se entrelaçaram aos seus, puxando-o com suavidade para mais perto, até que seus corpos se tocassem por completo.
— Você me deixa louco, sabia? — murmurou, a voz carregada de desejo, mas também de devoção.
Sentiu a perna de Amelia enlaçar a sua cintura e com a mão livre desceu em direção da coxa dela a apertando e acariciando, pegou a outra perna a encaixando a seu corpo para logo após prender o corpo de sua amada entre a parede gelada e seu corpo.
Tal atitude provocou um choque em Amelia a fazendo se encurvar mais ainda em sua direção ao sentir o bico dos seus dela contra seu peitoral não pode mais resistir, precisava estar dentro dela o mais rápido possível se não acabaria desmontando de prazer ali mesmo.
Rapidamente abaixou suas calças e logo em seguida rasgou as roupas íntimas de sua esposa de forma brutal, se posicionou entre as pernas dela que ainda se encontravam enlaçadas a sua cintura e adentrou-a com toda virilidade pulsando por ela.
Arrancou um gemido maravilhoso de prazer de Amelia isso apenas o motivou a aumentar as investidas contra a mesma que não tendo onde se apoiar apenas apertava as pernas com mais força ao redor de sua cintura e o puxava pela nuca para ela. Aumentou os movimentos e pode sentir a mesma com um suspiro de prazer derramar-se sobre ele, estava perto do prazer elevado por isso deitou Amelia no chão e duplicou os movimentos de vai e vem dentro dela e após dois minutos derreteu dentro da mesma.
Olhou para Amelia que o beijou ferozmente em resposta para logo em seguida o virar contra o chão e ficar por cima dele iniciando uma leve cavalgada que chegava a tortura-lo. Colocou as mãos em sua cintura afim de aumentar o ritmo a mesma pegou suas mãos e as segurou acima de sua cabeça, saindo completamente de cima de sua virilidade e voltando novamente de maneira mais lenta e torturante que alguém havia feito.
Ela sorriu, maliciosa.
— Uma nova partida começou, meu querido. Mas, dessa vez... sou eu quem controla o jogo.
Noah a ergueu com cuidado e a deitou sobre a poltrona diante da lareira, como quem deposita uma joia rara sobre um altar. As chamas dançavam ao fundo, lançando sombras douradas sobre seus corpos entrelaçados. Cada toque era uma promessa, cada beijo, uma confissão silenciosa. Não havia pressa, apenas descoberta. Amelia guiava o ritmo com um misto de ousadia e doçura, e Noah seguia seus passos com reverência, como um homem que enfim encontrara sua redenção.
Horas depois, a mansão dormia em paz. Mas no quarto de hóspedes, onde antes reinava o silêncio da distância emocional, agora havia calor. Amelia repousava aninhada no peito de Noah, os cabelos em desordem, o rosto tranquilo. Os dedos dele descansavam sobre a cintura dela com possessividade terna.
A tarde havia sido mais do que prazerosa. Fora libertadora. Descobrira que podia sim seduzir, encantar, provocar. Que tinha dentro de si um poder que jamais ousara explorar. E agora, usaria cada centelha dele — não por vaidade, mas por amor.
Antes de adormecer, Noah sussurrara algo que ainda fazia seu coração disparar: que no dia seguinte a levaria para para escolher vestidos, chapéus, luvas e rendas... tudo do jeitinho que ela desejasse.... Pela primeira vez, sentia-se verdadeiramente livre para escolher modelitos e cores que a valorizassem, que representassem quem ela realmente era.
E agora, mais do que nunca, ela queria brilhar.
Por ela. Por ele. Por eles.
E quando o sol nascesse, não seria apenas um novo dia.
Seria o nascimento de uma nova mulher.
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Distinta Faísca
RomantizmNoah August William Harrison futuro Duque de Wiltshire e atualmente Conde de Trowbridge nunca se importunou por ter uma vida libertina livre de preocupações. Gostava da vida que tinha e nem se importava com o casamento, afinal sua família possuía um...
