CAPÍTULO 13

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Noah só podia ser grato a Imogen, que, conhecendo seus gostos melhor do que ele mesmo, havia orientado as cozinheiras a prepararem seus pratos favoritos. A refeição era um verdadeiro deleite: uma generosa porção de macarronada ao molho inglês, acompanhada por uma bela e bem-feita empanada da Cornualha. Sentado à mesa, saboreando cada garfada, seus olhos se voltaram para sua esposa. Uma ideia, brilhante e repentina, surgiu em sua mente—uma oportunidade perfeita para passar mais tempo com ela e, quem sabe, finalmente desvendá-la.

— Sabe, Mel, pensei em algo — começou ele, pousando os talheres e inclinando-se ligeiramente na direção da esposa. — Gostaria muito de levá-la na minha próxima visita aos arrendatários. Acho que talvez lhe interesse aprender um pouco sobre economia.

Amélia, que distraidamente mexia na borda do prato, ergueu os olhos para o marido, surpresa.

— Você me subestima muito, caro marido maravilhoso! — exclamou ela, com um sorriso travesso. — Aí vai um novo segredo: quando me enfiava na biblioteca de meu pai, eu adorava ler seus livros sobre economia e investimentos.

Noah arqueou uma sobrancelha, intrigado.

— Mesmo?

Ela assentiu, inclinando-se ligeiramente para frente, como se estivesse prestes a revelar uma conspiração.

— Uma vez, fui pega no flagra. Meu pai ficou furioso! Segundo ele, economia não era um assunto para mentes femininas. As mulheres, segundo sua visão estreita, simplesmente não eram capazes de compreender tais questões. — Amelia revirou os olhos, o tom carregado de sarcasmo. — O engraçado é que ele estava redondamente enganado! Peguei aquele livro escondido, junto com um sobre finanças e investimentos, e o tapado nem percebeu que estavam faltando. Devorei ambos em um único mês. E mais! Consegui resolver um problema com um dos arrendatários sem que meu pai jamais desconfiasse.

Ela terminou seu relato soltando uma risada divertida. Noah, por sua vez, a observava com admiração crescente.

— Eu me orgulho de você — declarou ele, sinceramente. — Agora, mais do que nunca, quero levá-la comigo. Assim, poderá me ajudar a administrar nossas terras e a investir de forma inteligente.

Amélia piscou, surpresa. Seus olhos brilharam, e Noah percebeu que estavam levemente marejados.

— Você fala sério? Vai mesmo querer minha ajuda?

— Claro! Já ouviu aquele ditado? Duas cabeças pensam melhor que uma.

Ela sorriu, mas ainda havia um resquício de hesitação em sua expressão.

— Sim, mas não é comum um homem pedir ajuda à sua esposa nesses assuntos.

Noah riu baixinho, inclinando-se na direção dela.

— Pois saiba que eu não sou um homem comum, minha querida. E espero que nunca se esqueça disso.

Ele se levantou, deixando Amelia sentada, mergulhada em pensamentos. Sem dizer mais nada, dirigiu-se para um cômodo que não pisava desde os treze anos de idade. No fundo, sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria que enfrentar o passado.

Ao chegar à porta de madeira de carvalho, hesitou por um breve instante antes de segurar a maçaneta fria. Respirou fundo e, aplicando uma força considerável, empurrou a porta para dentro. O quarto estava exatamente como ele o deixara. Impecável. Intocado pelo tempo.

A emoção o atingiu em cheio. Sua mãe, certamente, havia zelado por cada detalhe, na esperança de que um dia ele voltasse. Mas Noah sabia que não podia retornar. Um acordo feito com seu pai após um incidente fatídico o mantivera afastado daquele lugar por anos. Agora, ali dentro, sentia-se novamente como aquele menino indefeso que um dia fora. As lembranças vieram como uma avalanche e, antes que pudesse detê-las, lágrimas já escorriam por seu rosto.

Distinta FaíscaOnde histórias criam vida. Descubra agora