CAPÍTULO 24

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Uma leve, porém determinada, pressão lhe apertava a cintura. Amelia levou instintivamente as mãos até o local, encontrando os dedos de seu marido, que a seguravam com firmeza possessiva. O toque a recordava, com pungente clareza, da noite de amor que haviam compartilhado — uma entrega apaixonada e arrebatadora, depois de cinco longos meses de mágoas e silêncio.

Sabia, com uma certeza que lhe aquecia o peito e a fazia estremecer, que não suportaria afastar-se dele novamente. Fora essa convicção, tão profunda quanto inevitável, que a levara a ceder na noite passada. E agora, envolta pelo calor de seu toque e pela promessa velada em seus olhos, esperava com esperança e desejo redescobrir, com a ajuda de seu delicioso e teimoso duque, tudo aquilo que o orgulho lhes custara.

— Sabes, minha adorável tentadora, que ao brincar com fogo aumentam-se as chances de se queimar — murmurou Noah com a voz rouca, rente ao ouvido dela. O calor de sua respiração, somado à ousadia de sua mão que descia vagarosamente até apertar-lhe uma das nádegas, fez o corpo de Amelia tremer por inteiro. Seus pelos se arrepiaram como se o próprio vento da noite tivesse percorrido sua pele nua. — Agora, minha querida, não mais te deixarei escapar.

— Nunca serei tua querida, seu libertino arrogante! — respondeu ela, com os lábios retorcidos num sorriso de desafio.

Noah, rindo com um brilho travesso no olhar, inclinou-se sobre ela. Seus lábios encontraram os dela com brutalidade doce, mordiscando-os com precisão antes de mergulhar num beijo voraz, faminto, como se o tempo perdido só pudesse ser redimido naquele instante.

E então, tudo começou outra vez.

Quatro meses depois

— O que faz aqui?! — a voz de Amelia, elevada pela surpresa, ressoou ao ver o marido tranquilamente sentado à mesa da biblioteca, um livro aberto nas mãos.

— Ah, minha adorável esposa — respondeu Noah, sem levantar os olhos da leitura, exibindo aquele tom de galante provocação que ela conhecia tão bem — já lhe confessei que sou um homem de gostos refinados. Aprecio livros. E, salvo engano, bibliotecas foram criadas precisamente para esse fim.

— IDIOTA! — exclamou ela, arqueando uma sobrancelha. — Sei perfeitamente a utilidade de uma biblioteca. Já que está aqui, poderia ao menos prestar-se a um serviço útil e alcançar-me aquele volume de capa azul na primeira fileira. Desde que este pequeno ser resolveu crescer como um melão dentro de mim, já não alcanço coisa alguma.

— Pois não, alteza — respondeu ele, erguendo-se de imediato. Pegou o livro com eficiência e, ao entregá-lo, roubou-lhe um beijo tão rápido quanto ousado.

No instante seguinte, uma dor lancinante atravessou o corpo de Amelia, fazendo-a curvar-se. Em seguida, um jorro de líquido escorreu por entre suas pernas.

Inferno. A criança estava prestes a nascer.

— NOAH! — gritou ela, os olhos arregalados de dor.

O marido foi imediatamente ao seu encontro, segurando-a pela cintura com firmeza e dando-lhe o apoio necessário.

— O que está acontecendo, Amelia?! — perguntou, a voz tomada de pânico.

— O nosso filho... Ele vai nascer... AGORA! — arfou, contorcendo-se com uma nova contração.

Sem hesitar, Noah envolveu-a nos braços, erguendo-a com destreza. Uma das mãos firmava-se sob suas coxas, a outra apoiava suas costas com delicadeza, mas sem vacilar. Tomado por uma urgência quase selvagem, carregou-a pelos corredores da casa até o quarto de sua mãe.

— MAMÃE! O BEBÊ ESTÁ CHEGANDO! — bradou ao adentrar o aposento.

Sarah, com a serenidade de quem já havia atravessado aquela estrada, respondeu com voz firme:

Distinta FaíscaOnde histórias criam vida. Descubra agora