Um ano se passou e as coisas estavam voltando ao normal, Marina optou por não dar mais aula de dança por não ter mais coragem de entrar na rua em que tudo aconteceu. Seus traumas embora não desaparecessem, estavam mais fáceis de suportar, e com um tempo depois de muitas conversas e acompanhamento psicológico, Marina pode entender que não tinha culpa de nada, apesar de ser algo aparentemente óbvio de entender, não era fácil ao lembrar das palavras da Isabelly a todo momento.
Júlia também passou por uma fase muito difícil, momentos de revolta que causaram angústia em toda a família, algo que só foi amenizado após muita terapia. Além do mais, não é fácil perder um familiar amado, ainda mais sendo a mãe em que ela tinha tanto apego.
— Marina, você comprou meu chocolate?
— Você fez o dever de casa? — Marina perguntou tirando as compras das sacolas e colocando os itens no armário.
— Eu vou terminar, falta só um pouquinho.
— Quando terminar eu te dou, combinado?
— Mas é muito chato e estou cansada.
— Marina parou o que estava fazendo para olhá-la.
— Está com dificuldade ou preguiça?
— As duas coisas.
— Vá para o quarto terminar que subo em um instante para te ajudar, depois do jantar te dou o seu chocolate.
Júlia revirou os olhos e saiu em direção ao quarto. Marina terminou de organizar as compras e se encostou na bancada da cozinha vendo Rebeca entrar.
— Boa noite, tudo bem por aqui? — Disse Rebeca beijando-a carinhosamente nos lábios.
— Sim.
— E essa cara?
— Acontece que eu fui ao supermercado comprar sal, e comprei tudo menos o bendito sal. Como pode? Preciso voltar no supermercado ou ninguém vai jantar nessa casa hoje.
— Mary, não se preocupe com isso, eu vou tomar banho e saímos para jantar. Não precisa cozinhar.
— Aí amor, melhor.
Marina subiu para o quarto da Júlia e se sentou ao seu lado olhando o dever de casa. Analisou calmamente tirando suas dúvidas e lhe ajudando até que ela terminasse tudo.
— Tome um banho e se arrume, vamos sair para jantar.
— O que aconteceu com o estrogonofe?
— Eu esqueci de comprar o sal. Fica para o almoço de amanhã.
— Quando a Van volta das férias?
— Em alguns dias. Está dizendo que minha comida é ruim?
— Não! Mas a Van não é esquecida como você.
— Já para o banho mocinha.
Marina observou-a desaparecer em sua visão. Na mesa de cabeceira da Júlia, estava um quadro com uma fotografia da Isabelly abraçada a ela, seu rosto fino e seus cabelos loiros como ouro e um sorriso bonito estavam estampados naquela imagem, ninguém jamais poderia imaginar que ela morreria tão nova e de uma forma tão improvável.
— Mary. — Rebeca a chamou lhe despertando do transe momentâneo.
— Desculpa, eu me distrai.
— Olhando para a foto mais uma vez... eu sei. Vamos, estou morrendo de fome.
Marina sorriu e abraçou Rebeca indo em direção a seu quarto para tomar banho e saírem.
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Luxúria
RomanceRebeca é uma mulher casada a 7 anos com Isabelly e apaixonada por sua esposa, além de ser dona de uma construtora conceituada e de uma fortuna razoável. Marina é uma engenheira bem sucedida em sua carreira e recém casada com Carlos. Mas será que o...
