Capitulo -8

8 1 0
                                        

Passaram -se uma semana desde que soube que teria um bebê. O primeiro passo então  seria comunicar a Eron. Depois eu falaria com meu pai e minha mãe,  o que eu não poderia  era ficar naquela agonia. Não  tinha jeito, eu tinha que contar,  o bebê  estava aí.

Fui falar com Eron , tinhamos  marcado de nos encontrar depois da minha aula  de direito  constitucional,  ali  nos bancos da capela , era um dos lugares que não  ficava muita gente. Ele me avistou e foi logo me abraçando:
- Minha gatinha, e aí?

Eu estava nervosa e o fitei com agonia nos olhos, o que ele percebeu :
- Que  está havendo?
Reuni todas as forças  que eu tinha no momento e disse :
- Eu estou grávida!
- Oi?
- Eu disse que estou grávida! minha menstruação  não  veio, eu desconfiei e fui no médico,  e a médica  confirmou, eu sinto muito ...

Eron estava ali parado na minha frente com uma expressão de sabe-se lá  o quê,  porque ficou mudo.
A mudez de Eron me deixou constrangida , e com o silêncio  ele me fez acreditar que o bebê  não  era bem vindo.
Fiquei ali esperando ele sair do emaranhado de emoções  que estava sentindo e esperei, esperei até  que ele se deu conta de que eu estava ali e disse :
-Vamos ter este filho, vamos casar!
-Eron eu lhe falei com certo alívio:
-  Não  é  tão  simples assim, ainda tenho que falar com meu pai, ele sequer sabe que estou namorando, estou meio perdida.
- Não fique, eu vou falar com ele.
- Não! Eu falarei primeiro com ele, e você fala com seus pais, vai ser melhor assim.
Eron me beijou como forma de compreensão  e alisou a minha barriga.

Fomos para um motel, após eu matar a aula de sociologia que seria em seguida e ele a de administração.  Nos amamos o resto da manhã  todinha, sem pudor ,numa comemoração  mútua, porque nosso filho estava a caminho.

Em casa, a noite eu me contorcia toda ,esperando  um melhor momento para falar, com meu pai,  porque eu já  tinha falado para Lícia e para minha mãe  que chorou muito, achando que eu estava desgraçada  ,   mas estava contida e temerosa por meu pai. Eu tinha que ter coragem.

Meu pai estava como sempre vendo o jornal, eu então   caminhei até  a televisão  e a desliguei  deixando ele assombrado .Era chegada a hora.
, respirei fundo e falei :
- Pai, preciso conversar. Meu pai me  olhou impaciente , mas eu, de repente, por meu filho me tornei corajosa e disse:
- Pai, eu estou namorando, um bom rapaz, rico e de boa família. Quero a sua permissão para me casar com ele.
Eu contorcia as minhas mãos ,mas segui em frente, mesmo com a cara feia que meu pai fazia para mim, sem entender como eu estava namorando.
-Como, eu, não  estou sabendo que minha filha está  namorando? Falou alto,e eu fiquei nervosa , porque odeio  quem fale alto , e ele estava assim,e dizia:
- Porque, pelo que sei ,eu sou o dono desta casa.!
Ele me olhava com os olhos esbugalhados,  e Lícia  escondia  o rosto entre as mãos, era o seu jeito de reagir quando temia algo ruim. A minha mãe  era o retrato do medo.
- Pai, falei -  Eu ainda não  terminei. Eu estou grávida!
-O Quê?
Falei baixinho novamente, mas firme:
- Eu estou grávida do Eron.
Meu pai ficou vermelho que nem tomate,  parecia que teria um ataque.
O silêncio  da sala explodiu; meu pai vociferava:
-Gravida, Grávida, PRENHA, EMBUCHADA.
Meu pai enlouqueceu. Fez um escândalo  e quando me vi  ele estava em cima de mim me esmurrando e blasfemando:
- Maldita,!  Indecente, ! você  é  a vergonha da família. Rua!
Foi horrível,  ele me chutava e minha mãe  e minha irmã tentavam  me defender , para eu não  apanhar mais.
Meu medo  se transformou  em ódio e depois em raiva e por fim em decepção.
É  claro que eu não  esperava que ele me apoiasse,  mas ele fez pior, me colocou para fora de casa .
-FORA!
Meu pai , em uma força  fora do normal, empurrou minha mãe, me pegou pelos cabelos e me arrastou para fora de casa. Que escândalo, ! porque os vizinhos ouviram. Ele me chamou de puta e fechou a porta.
Eu chorava muito , muito mesmo a um canto da escada, até  que vi alguém  se agachar e me oferecer a mão.
Era Glória,  que me pegou e me levou para a sua casa. Eu era só  pranto.

Céu de Esperas (Concluído)Onde histórias criam vida. Descubra agora