Passaram -se uma semana desde que soube que teria um bebê. O primeiro passo então seria comunicar a Eron. Depois eu falaria com meu pai e minha mãe, o que eu não poderia era ficar naquela agonia. Não tinha jeito, eu tinha que contar, o bebê estava aí.
Fui falar com Eron , tinhamos marcado de nos encontrar depois da minha aula de direito constitucional, ali nos bancos da capela , era um dos lugares que não ficava muita gente. Ele me avistou e foi logo me abraçando:
- Minha gatinha, e aí?
Eu estava nervosa e o fitei com agonia nos olhos, o que ele percebeu :
- Que está havendo?
Reuni todas as forças que eu tinha no momento e disse :
- Eu estou grávida!
- Oi?
- Eu disse que estou grávida! minha menstruação não veio, eu desconfiei e fui no médico, e a médica confirmou, eu sinto muito ...
Eron estava ali parado na minha frente com uma expressão de sabe-se lá o quê, porque ficou mudo.
A mudez de Eron me deixou constrangida , e com o silêncio ele me fez acreditar que o bebê não era bem vindo.
Fiquei ali esperando ele sair do emaranhado de emoções que estava sentindo e esperei, esperei até que ele se deu conta de que eu estava ali e disse :
-Vamos ter este filho, vamos casar!
-Eron eu lhe falei com certo alívio:
- Não é tão simples assim, ainda tenho que falar com meu pai, ele sequer sabe que estou namorando, estou meio perdida.
- Não fique, eu vou falar com ele.
- Não! Eu falarei primeiro com ele, e você fala com seus pais, vai ser melhor assim.
Eron me beijou como forma de compreensão e alisou a minha barriga.
Fomos para um motel, após eu matar a aula de sociologia que seria em seguida e ele a de administração. Nos amamos o resto da manhã todinha, sem pudor ,numa comemoração mútua, porque nosso filho estava a caminho.
Em casa, a noite eu me contorcia toda ,esperando um melhor momento para falar, com meu pai, porque eu já tinha falado para Lícia e para minha mãe que chorou muito, achando que eu estava desgraçada , mas estava contida e temerosa por meu pai. Eu tinha que ter coragem.
Meu pai estava como sempre vendo o jornal, eu então caminhei até a televisão e a desliguei deixando ele assombrado .Era chegada a hora.
, respirei fundo e falei :
- Pai, preciso conversar. Meu pai me olhou impaciente , mas eu, de repente, por meu filho me tornei corajosa e disse:
- Pai, eu estou namorando, um bom rapaz, rico e de boa família. Quero a sua permissão para me casar com ele.
Eu contorcia as minhas mãos ,mas segui em frente, mesmo com a cara feia que meu pai fazia para mim, sem entender como eu estava namorando.
-Como, eu, não estou sabendo que minha filha está namorando? Falou alto,e eu fiquei nervosa , porque odeio quem fale alto , e ele estava assim,e dizia:
- Porque, pelo que sei ,eu sou o dono desta casa.!
Ele me olhava com os olhos esbugalhados, e Lícia escondia o rosto entre as mãos, era o seu jeito de reagir quando temia algo ruim. A minha mãe era o retrato do medo.
- Pai, falei - Eu ainda não terminei. Eu estou grávida!
-O Quê?
Falei baixinho novamente, mas firme:
- Eu estou grávida do Eron.
Meu pai ficou vermelho que nem tomate, parecia que teria um ataque.
O silêncio da sala explodiu; meu pai vociferava:
-Gravida, Grávida, PRENHA, EMBUCHADA.
Meu pai enlouqueceu. Fez um escândalo e quando me vi ele estava em cima de mim me esmurrando e blasfemando:
- Maldita,! Indecente, ! você é a vergonha da família. Rua!
Foi horrível, ele me chutava e minha mãe e minha irmã tentavam me defender , para eu não apanhar mais.
Meu medo se transformou em ódio e depois em raiva e por fim em decepção.
É claro que eu não esperava que ele me apoiasse, mas ele fez pior, me colocou para fora de casa .
-FORA!
Meu pai , em uma força fora do normal, empurrou minha mãe, me pegou pelos cabelos e me arrastou para fora de casa. Que escândalo, ! porque os vizinhos ouviram. Ele me chamou de puta e fechou a porta.
Eu chorava muito , muito mesmo a um canto da escada, até que vi alguém se agachar e me oferecer a mão.
Era Glória, que me pegou e me levou para a sua casa. Eu era só pranto.
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Céu de Esperas (Concluído)
RomanceEron e Paula. Um casal apaixonado mas que a vida separou. Qual será o desfecho de suas trajetórias? Será que Deus dará uma chance para eles? Será que a dor do abandono é maior que o amor que os unem? Esse romance é espiritual. Confira você mesmo o...
