Eron
Consegui aos poucos parar de pensar em Paula, porque as atividades e responsabilidades do dia a dia de um médico consomem, e eu andava consumido porque alguns dos meus pacientes não estavam reagindo bem a alguns tratamentos .
Meu dia foi tenso e tomou parte do meu pensamento, e ao final de mais um expediente, eu não estava pronto para ir para casa, eu não queria desacelerar, não tinha plantão, não poderia trocar com Raimundo, pois este já tinha trocado o dele antes e tinha que fazer seu plantão hoje. Faz parte do acertado com o hospital.
Eu estava livre , mas estava me amarrando para ir para casa. Era sempre a mesma coisa, Glória e as suas futilidades, e minha mãe dava corda , porque depois da morte de meu pai , ela ficou um pouco fora do ar , ele dava um bom suporte para as manias dela , e sem ele, Glória foi ficando no lugar, mas aguentar as duas de vez , não dá, prefiro mil vezes pagar as viagens, embora mamãe tenha ficado com um bom fundo financeiro, sem falar nos imóveis, que não eram poucos e que rendia bastante ao final de um mês, sem falar nas tantas e tantas aplicações, mas ... , mesmo assim, quando papai morreu, ela não queria ficar só numa casa enorme, então, eu concordei em ir para lá, provisoriamente, mas fomos ficando, Glória, gostava do conforto e aconchego da casa e v de minha mãe o que era raro, tratando-se de nora e sogra.
Minha mãe, na companhia de Glória, melhorou é claro, mas , como todo lado da moeda , ela tornou-se uma influência maligna, porque a minha esposa vivia sem produzir nada que fosse útil, a não ser tomar parte da vida alheia. Me pego pensando às vezes ,se não era melhor ter ficado solteiro amargando a minha dor de corno e a decepção por não ter sido o pai do filho de Paula. Por não ter sido o seu amor , o seu homem. Me traiu pelas costas, e agora aparece que nem uma assombração ,incendiando o que acreditava estar apagado.
Saio de meus devaneios quando ouço o som do meu celular que enfiei no bolso da calça.
-Alô
- Oi Glória, diga .
No outro lado da linha ela apenas comunica:
- Amooorr, nos encontre no Velas, vamos jantar hoje . Às oito.
À propósito, você já está atrasado.Um beijo.
Um beijo?, mas quem ela pensa que é para direcionar o que eu quero fazer . Ela sabe se eu quero ir para a porcaria do velas?
Meu Deus, se antes eu desconfiava que estava em uma furada agora tenho plena convicção. Eu vou ter que dar um jeito nisto ou então vou me enterrar vivo e eu não mereço.
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Céu de Esperas (Concluído)
RomansaEron e Paula. Um casal apaixonado mas que a vida separou. Qual será o desfecho de suas trajetórias? Será que Deus dará uma chance para eles? Será que a dor do abandono é maior que o amor que os unem? Esse romance é espiritual. Confira você mesmo o...
