Capítulo-34

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Eron

Consegui aos poucos parar de pensar em Paula,  porque as atividades e responsabilidades  do dia a dia de um médico consomem,  e eu andava consumido porque alguns dos meus pacientes não  estavam reagindo  bem a alguns tratamentos .

Meu dia foi tenso e tomou parte do meu pensamento, e ao final de mais um expediente,  eu não  estava pronto para ir para casa, eu não  queria desacelerar,  não  tinha plantão, não  poderia trocar com Raimundo, pois este já  tinha trocado o dele antes e tinha que fazer  seu plantão  hoje. Faz parte do acertado  com o hospital.

Eu estava livre , mas estava me amarrando para ir para casa. Era sempre a mesma coisa, Glória  e as suas futilidades, e minha mãe  dava corda , porque depois da morte de meu pai , ela ficou um pouco fora do ar , ele dava um bom suporte para as manias dela , e sem ele, Glória  foi ficando no lugar, mas aguentar as duas de vez , não  dá,  prefiro mil vezes pagar as viagens,  embora mamãe  tenha ficado com um bom fundo financeiro, sem falar nos imóveis,  que não  eram poucos e que rendia bastante ao final de um mês,  sem falar nas tantas e tantas aplicações, mas ... , mesmo assim, quando papai morreu,  ela não  queria ficar só  numa casa enorme, então,  eu concordei em ir para lá, provisoriamente, mas fomos ficando, Glória,  gostava do conforto e aconchego da casa e v de minha mãe   o que era raro, tratando-se  de nora e sogra.

Minha mãe,  na companhia de Glória,  melhorou é  claro, mas , como todo lado da moeda , ela  tornou-se uma influência maligna, porque a minha esposa vivia sem produzir nada que fosse útil,  a não  ser tomar parte da vida alheia. Me pego pensando às  vezes ,se não  era melhor ter ficado solteiro amargando a minha dor de corno e a decepção por não  ter sido o pai do filho de Paula. Por não  ter sido o seu amor , o seu homem. Me traiu  pelas costas, e agora aparece que nem uma assombração ,incendiando o que acreditava estar apagado.

Saio de meus devaneios quando ouço  o som do meu celular que enfiei no bolso da calça.
-Alô
- Oi Glória,  diga .

No outro lado da linha ela apenas comunica:

- Amooorr, nos encontre no Velas, vamos jantar hoje . Às  oito.
À  propósito,  você  já  está  atrasado.Um beijo.

Um beijo?, mas quem ela pensa que é  para direcionar o que eu quero fazer . Ela sabe se eu quero ir para a porcaria do velas?

Meu Deus, se antes eu desconfiava que estava em uma furada  agora tenho plena convicção. Eu vou ter que dar um jeito nisto ou então  vou me enterrar vivo e eu não  mereço.

Céu de Esperas (Concluído)Onde histórias criam vida. Descubra agora