Capítulo 55

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Eron e Paula e Cláudia

Estávamos tentando comer alguma coisa quando uma batida na porta nos sobressaltou, porque vivíamos assim ultimamente.

Eu praticamente , meio que me mudei para a casa de Paula; eu queria  cuidar dela, que aceitou sem resistência,  estávamos tão  infelizes sem Jonas,  mas alguém  ali tinha que ser mais forte e tentar procurar uma sobrevivência  para que a luta em busca de nosso filho continuasse .

Não  nos tocávamos,  embora o desejo permanecesse em nós,  mas, não  era a nossa prioridade,  não  tínhamos  reatado, éramos como estranhos e ao mesmo tempo , éramos  íntimos,  cada qual com a sua dor .

Não  ousávamos ter pensamentos que não  fosse o de achar Jonas,    era um ato de receio , como se não  tivéssemos direito a uma felicidade. Estávamos  unidos por uma causa e esta  causa era o nosso filho.

Eu, Eron, amava muito Paula, mas  não  tinha força  para toca-la como queria , e quando este desejo aflorava , eu o espantava da minha mente .

O nosso objetivo era outro e estávamos  cada  vez mais focado nas notícias  que poderiam chegar a qualquer hora.

Quando ouvimos o som da campahia,  fui  alargando os passos  até  chegar a porta e com surpresa vi  minha mãe  , pálida e ofegante como se tivesse fugindo .

- Mãe?

- O que faz aqui?

Cláudia não  pediu licença  para entrar e foi entrando , me desconcertando , porque a casa era de Paula , ela ali era uma intrusa , e que com toda a certeza Paula não  a queria por perto.

Minha mãe  , no meio da sala, começou  a chorar atraindo Paula que vinha de dentro e assustou- Se com a inesperada visita.

Paula olhou aquela mulher ali na sua frente tão devastada de emoções  , e observou-a quando está se voltou para ela e disse:

- Me perdoe,  eu sei que vocês  sabem o que fiz , estou muito arrependida , nada que eu faça vai remediar o mal , mas  preciso lhe falar .

Uma chuva de tosses acometeu Cláudia  fazendo com que Eron tomasse a frente para ampara-la enquanto Paula ,inerte não sabia o que fazer ou sentir diante da sua sogra , que tanto mal lhe causara.

Tão  debilitada, Cláudia  aceitou a água que Eron lhe deu e  segurando-o pelo Braço,  olhos turvos pelas lágrimas,  falou:

- Meu filho  é  Glória que está  por trás  do sumiço  de seu filho , ela é  a responsável,  eu sei.

Eron sentiu arrepios por toda a nuca e viu Paula empalidecer e arregalar os  olhos , partindo para cima de Cláudia .

- Maldita! Diga o que vocês  fizeram com o meu filho .

Sem mais suportar e se importar com o que era certo ou não   Paula começou  a bater em Cláudia e só  parou quando Eron a afastou , sacudindo-a para voltar a si.

-CALMA!  Deixe ela falar .

Paula , voltando à si do estado colérico,  fitava Cláudia com profundo ódio,  enquanto a senhora recuperava o folêgo e procurava controlar a sua respiração.
- Eu sei que não  sou bem vinda,  me perdoem,  mas , sei que minha hora está  chegando e preciso contar o que sei.

Eron viu sua mãe voltar a tossir , uma tosse seca nervosa,  que o preocupou , bem como sentiu o odor de urina que exalava de seu corpo esquálido , maltratado pela depressão  que ele sabia que estava sofrendo e se viu mais do que penalizado por ela.

Era a sua mãe,  a mulher que lhe colocou no mundo e que estava ali arrependida e pedindo socorro. Como negar? Ele a amava também.

- Mãe,  tenha calma, sente-se aqui, falou enquanto Paula a encarava cheia de raiva .

Cláudia chorava sabendo que nada podia remediar o que viria em seguida, e de repente além da tosse, se sentia tonta e com uma dor indescritível no peito, um abafamento fora do normal, então como que prevendo o que poderia lhe ocorrer , abriu a boca e em meio a crises de tosse , falou:

- Glória   deixou o menino em um sítio  fora da cidade com um casal e pretende que este casal leve o garoto a uma mulher que receberá  um bom dinheiro para matar o garoto e depois vender seus órgãos.  É  preciso ir atrás  dela, pois está recebeu uma intimação para ser ouvida , assim como eu e não  sei o porquê   a não ser que desconfie de alguma coisa , não  sei ao certo.
Cláudia,  parou de falar , pois a dor em seu peito estava aumentando.

Eron, sabia que elas seriam investigadas porque ele próprio  tinha falado o que foi feito lá  atrás  , no passado, e infelizmente a sua mãe tinha que pagar, e nem Paula sabia que ele tinha rompido o trato e falado tudo que sabia  à  polícia,  afinal de contas era a vida de seu filho que estava em jogo.

-O que mais sabe?, ande diga-me?

A voz de Paula saiu rouca, mas carregada de toda a mágoa de uma vida triste , de que um passado ocasionou e minha mãe,  não  conseguiu mais falar, uma vez que estava ficando  com o rosto azulado; então,  eu sabia o que estava se passando com ela, corri em seu socorro,  massageeei seu peito e gritei para Paula me dar as chaves do carro para que eu pudesse levá-la ao  pronto socorro mais próximo,  ela estava infartando e eu tinha que agir .

Céu de Esperas (Concluído)Onde histórias criam vida. Descubra agora