Eron e Paula e Cláudia
Estávamos tentando comer alguma coisa quando uma batida na porta nos sobressaltou, porque vivíamos assim ultimamente.
Eu praticamente , meio que me mudei para a casa de Paula; eu queria cuidar dela, que aceitou sem resistência, estávamos tão infelizes sem Jonas, mas alguém ali tinha que ser mais forte e tentar procurar uma sobrevivência para que a luta em busca de nosso filho continuasse .
Não nos tocávamos, embora o desejo permanecesse em nós, mas, não era a nossa prioridade, não tínhamos reatado, éramos como estranhos e ao mesmo tempo , éramos íntimos, cada qual com a sua dor .
Não ousávamos ter pensamentos que não fosse o de achar Jonas, era um ato de receio , como se não tivéssemos direito a uma felicidade. Estávamos unidos por uma causa e esta causa era o nosso filho.
Eu, Eron, amava muito Paula, mas não tinha força para toca-la como queria , e quando este desejo aflorava , eu o espantava da minha mente .
O nosso objetivo era outro e estávamos cada vez mais focado nas notícias que poderiam chegar a qualquer hora.
Quando ouvimos o som da campahia, fui alargando os passos até chegar a porta e com surpresa vi minha mãe , pálida e ofegante como se tivesse fugindo .
- Mãe?
- O que faz aqui?
Cláudia não pediu licença para entrar e foi entrando , me desconcertando , porque a casa era de Paula , ela ali era uma intrusa , e que com toda a certeza Paula não a queria por perto.
Minha mãe , no meio da sala, começou a chorar atraindo Paula que vinha de dentro e assustou- Se com a inesperada visita.
Paula olhou aquela mulher ali na sua frente tão devastada de emoções , e observou-a quando está se voltou para ela e disse:
- Me perdoe, eu sei que vocês sabem o que fiz , estou muito arrependida , nada que eu faça vai remediar o mal , mas preciso lhe falar .
Uma chuva de tosses acometeu Cláudia fazendo com que Eron tomasse a frente para ampara-la enquanto Paula ,inerte não sabia o que fazer ou sentir diante da sua sogra , que tanto mal lhe causara.
Tão debilitada, Cláudia aceitou a água que Eron lhe deu e segurando-o pelo Braço, olhos turvos pelas lágrimas, falou:
- Meu filho é Glória que está por trás do sumiço de seu filho , ela é a responsável, eu sei.
Eron sentiu arrepios por toda a nuca e viu Paula empalidecer e arregalar os olhos , partindo para cima de Cláudia .
- Maldita! Diga o que vocês fizeram com o meu filho .
Sem mais suportar e se importar com o que era certo ou não Paula começou a bater em Cláudia e só parou quando Eron a afastou , sacudindo-a para voltar a si.
-CALMA! Deixe ela falar .
Paula , voltando à si do estado colérico, fitava Cláudia com profundo ódio, enquanto a senhora recuperava o folêgo e procurava controlar a sua respiração.
- Eu sei que não sou bem vinda, me perdoem, mas , sei que minha hora está chegando e preciso contar o que sei.
Eron viu sua mãe voltar a tossir , uma tosse seca nervosa, que o preocupou , bem como sentiu o odor de urina que exalava de seu corpo esquálido , maltratado pela depressão que ele sabia que estava sofrendo e se viu mais do que penalizado por ela.
Era a sua mãe, a mulher que lhe colocou no mundo e que estava ali arrependida e pedindo socorro. Como negar? Ele a amava também.
- Mãe, tenha calma, sente-se aqui, falou enquanto Paula a encarava cheia de raiva .
Cláudia chorava sabendo que nada podia remediar o que viria em seguida, e de repente além da tosse, se sentia tonta e com uma dor indescritível no peito, um abafamento fora do normal, então como que prevendo o que poderia lhe ocorrer , abriu a boca e em meio a crises de tosse , falou:
- Glória deixou o menino em um sítio fora da cidade com um casal e pretende que este casal leve o garoto a uma mulher que receberá um bom dinheiro para matar o garoto e depois vender seus órgãos. É preciso ir atrás dela, pois está recebeu uma intimação para ser ouvida , assim como eu e não sei o porquê a não ser que desconfie de alguma coisa , não sei ao certo.
Cláudia, parou de falar , pois a dor em seu peito estava aumentando.
Eron, sabia que elas seriam investigadas porque ele próprio tinha falado o que foi feito lá atrás , no passado, e infelizmente a sua mãe tinha que pagar, e nem Paula sabia que ele tinha rompido o trato e falado tudo que sabia à polícia, afinal de contas era a vida de seu filho que estava em jogo.
-O que mais sabe?, ande diga-me?
A voz de Paula saiu rouca, mas carregada de toda a mágoa de uma vida triste , de que um passado ocasionou e minha mãe, não conseguiu mais falar, uma vez que estava ficando com o rosto azulado; então, eu sabia o que estava se passando com ela, corri em seu socorro, massageeei seu peito e gritei para Paula me dar as chaves do carro para que eu pudesse levá-la ao pronto socorro mais próximo, ela estava infartando e eu tinha que agir .
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Céu de Esperas (Concluído)
RomantikEron e Paula. Um casal apaixonado mas que a vida separou. Qual será o desfecho de suas trajetórias? Será que Deus dará uma chance para eles? Será que a dor do abandono é maior que o amor que os unem? Esse romance é espiritual. Confira você mesmo o...
