Capítulo 66

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Eu não quero contribuir ainda mais pra sua dor, eu estou orando para que o tempo faça uma mudança na sua vida

Eu estou percebendo o quanto você fez diferença na minha vida, e eu não quero passar isso com mais ninguém

Está ouvindo? Ninguém me merece

E eu vou lutar por isso. Não vou desistir de um amor como esse

Eu finalmente encontrei alguém que pode me fazer sentir assim

POV Barbara Palvin

O sentimento de incapacidade e vazio preenchia meu peito como nunca antes. Era inexplicável a sensação de ter o visto, o tocado e o abraçado. Foi estranha a sensação que tive assim que o vi há dois dias atrás quando que ele tentou, fortemente, me mostrar seu ponto. Me mostrar os milhões e milhões de motivos para ter me abandonado ainda criança, como se eu pudesse esquecer assim, em uma passe de mágica.

Mas as coisas não funcionam assim. E talvez nunca irá funcionar.

Não tem como e não existe um botão no meu cérebro capaz de esquecer tudo que vi há anos atrás, tudo que passei, tudo que senti, tudo que aprendi sozinha e tudo que já roubei de pessoas trabalhadoras. Era impossível. Talvez seja tão impossível quanto o chamar de pai. Ele não era meu pai. Não de criação, não o que me deu amor e carinho, não o pai que sempre esteve ali, presente pra mim nos momentos difíceis e alegres. Ele podia ser meu pai de sangue, mas não de amor. Talvez eu não o considere de sangue, também.

A impotência que senti quando o vi depois de anos, foi estranha. E, se Justin não estive lá me segurando e me apertando tentando demonstrar que tudo estava bem, eu teria desmoronado e me transformado na antiga Barbara com uma garrafa de qualquer bebida alcoólica tentando esquecer de todos os problemas.

Era como se eu vivesse em um mundo paralelo à esse, cujo minha vida fosse perfeita e que agora eu tinha acabado de cair nesse mundo onde minha vida não passou de uma mentira muito bem contada. Isso ao menos faz sentido? Porque, pra mim, faz. E muito.

Talvez tenha sido bom por algum lado que não conseguia enxergar direitamente. Talvez tenha sido bom ter o enfrentado e descoberto mais sobre a minha antiga vida, saber mais sobre minha antiga família, mais sobre minha mãe, mais sobre mim mesma e saber os motivos que o levaram a fazer isso comigo cujo ainda não fez nenhum sentido pra mim.

Não dava. Simplesmente não dava para aceitar. Ou o perdoar.

Quando se tem um filho, você luta por ele, certo? Você não o abandona, não o deixa a mercê desse mundo sujo e cheio de maldade. Você luta por ele, não se importando com as consequência. Você o protege, você o ama mais do que a si mesmo, você diz para ele o quanto ele é importante e o quanto você tem sorte de o ter.

Você não abandona a pessoa que você ama e nem a faz sofrer.

Infelizmente, a semelhança entre nós dois era obviamente nítida. Não dava para negar que eu era a sua filha. Seus olhos azuis eram da mesma tonalidade que os meus, e o formato também. Talvez eu tenha puxado a boca, mas não o nariz. A cor de seus cabelos também diziam muito, era um castanho claro iguais aos meus.

Eu definitivamente era a sua filha.

Os pesadelos haviam me abandonado também, como se meu subconsciente estivesse mais aliviado por eu ter feito o que ele queria desde o princípio: enfrentar tudo o que estava acontecendo. Mas não de cabeça erguida, e sim do jeito que eu conseguia. Eu não sonhava mais com ele me puxando para longe de Justin, não sonhava com aquela sala que fui amarrada por horas e descobri toda a verdade que havia sido escondida. Não sonhava mais sobre estar sozinha em um quarto sem porta e janelas. Não sonhava com ele matando Justin bem na minha frente. Não sonha mais com nada.

Looking For YouWhere stories live. Discover now