Capítulo 85 - Último

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POV Barbara Palvin

Eu podia sentir algo penicando meus dois braços de uma forma um pouco dolorosa assim que eu tentava mexê-los de forma lenta, podia sentir que eu estava deitada em uma cama macia com um edredom fofo tampando boa parte do meu corpo e podia ouvir, ao fundo, duas pessoas conversando, mas não fui capaz de entender uma palavra sequer do que estavam falando, já que era como se eu estivesse num túnel escuro e enorme e a pessoa mais próxima de mim estivesse no final dele, há quilômetros de distância de mim.

Mas parei de tentar desvendar o que estavam falando assim que um filme começou a passar pela minha cabeça de forma rápida, me fazendo lembrar de tudo o que aconteceu, de tudo o que senti, de tudo que vi, de cada coisa que se passou pela minha cabeça, do quanto aquele corte na minha barriga estava ardendo, do meu medo, da minha angústia, do seu olhar em mim, da minha dor tanto física quanto psicológica, de todos os mínimos momentos que vivi naquele lugar, de praticamente tudo. E isso era estranho na minha perspectiva, já que eu não conseguia sentir mais nada disso, como se eu estivesse sedada psicologicamente e fisicamente.

Tudo isso foi só um sonho, certo? Nada foi real.

Minha mente me levou de novo para seja lá o lugar que eu estava agora, ainda conseguindo ouvir as duas pessoas conversando sem algo menos um segundo de intervalo, sendo uma das vozes mais alta que a outra, como se essa pessoa estivesse brava e inconformada com algo. Mas eu não conseguia identificar de quem era aquela voz, pelo menos não ainda e talvez eu nem queira agora, por ter medo. Eu tinha medo. Medo de voltar para aquele pesadelo e viver tudo de novo, repetidamente. Eu não queria.

Mas eu também sabia que eu deveria abrir os olhos e descobrir onde eu estava e de quem aquelas vozes pertenciam, já que podiam ser de qualquer um. E foi o que fiz.

Abri os olhos lentamente sentindo a claridade que invadia aquele lugar me incomodar um pouco, mas não o bastante para me impedir de olhar ao redor, tendo certeza que eu estava deitada em uma cama de hospital com vários monitores dos meus dois lados, fazendo um barulho totalmente irritante. E então, levei meu olhar para as duas pessoas que ainda conversavam, não demorando muito para perceber que a voz mais calma era de uma médica ruiva e que a voz mais alterada e grossa era de Michael.

O que aconteceu?

Desviei o olhar dos dois e continuei olhando ao redor, não conseguindo entender nada do que eles falavam, como se meu cérebro não quisesse processar nenhuma das suas falas, o que me fez agradecer mentalmente, já que aquilo não me interessava naquele momento. Então levei meu para o meu lado direito, vendo três poltronas vazias um pouco distante da cama que eu estava, o que me fez franzir o cenho em pura e completa dúvida.

Cadê o Justin?

- Justin... -Chamei seu nome fraco, sentindo minha garganta seca e fazendo os dois na minha frente paparem de conversar no mesmo segundo e me olharem assustados.

- Barbara... -Michael disse mais calmo caminhando na minha direção e ficando do meu lado, pegando na minha mão. - O que você está sentindo? Você está se sentindo melhor? -Perguntou colocando sua mão livre em meu cabelo, me fazendo olhar para o seu rosto e piscar duas vezes por eu ainda estar o vendo um pouco embaçado.

- Michael... -Tentei engolir. - Cadê o Justin? -Perguntei sussurrando, mas alto o suficiente para ele e a médica ouvirem, o que fez ele tirar o pequeno sorriso do rosto e olhar para a médica me fazendo olhá-la também, a vendo assentir e fechar o prontuário em suas mãos.

- Bom, eu sou a Addison Montgomery, médica e cirurgiã neonatal e serei sua médica hoje. -Sorriu sem mostrar os dentes, me deixando confusa, o que me fez olhar para Michael em pânico, sentindo sua mão apertar a minha, querendo me passar calma. - Como você está se sentindo, senhorita Palvin?

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