Nossa...então essa era a verdade por trás de minha existência, uma trágica existência. Não podia eu crer em um fato tão lamentável por trás de minha origem. Após essa revelação a qual me foi feita mediante a leitura da carta, a minha história assemelhava-se a um triste roteiro de uma novela, estava totalmente arrasada com isso.
Saber que minha mãe biológica deixou-me, fez-me sentir muito abatida, mas também o que não me deixava abatida naquela altura. Não pude conter minhas lágrimas outra vez, era inevitável e impossível segurar essa carga de sentimentos que despertaram-se naquela hora, onde tudo dentro de mim era tão frágil e em que tudo me afetava.
Aos poucos meus joelhos aproximam-se do chão de meu quarto, minhas lágrimas outra vez escorriam por minha face, em
nenhum período do meu dia consegui evitá-las, na manhã caíram, à tarde caíram e agora à noite caem novamente, o choro havia tornado-se constante e continuo em minha vida, não se desgrudava de mim como uma sangue-suga que estava lá para sugar toda minha felicidade e deliciar-se disso, como se roubar a felicidade de uma pobre menina sentimental fosse algo divertido e sadio.
Quando meus joelhos tocaram o chão disse em voz alta:
-Não pode ser verdade! Não pode! Diga-me que é só um pesadelo ruim!-Exclamei tristemente.
Naquela altura da minha vida era muito surpreendente o fato de haver mais alguma notícia negativa para derrubar-me e pôr-me mais para o fundo do poço. Creio que meus problemas me levaram a um nível mais além do fundo do poço, talvez eu estaria na sombra do fundo do poço. Uma sombra muito mais escura do que o mais profundo dos mares, onde luz alguma conseguiria penetrar, era uma sombra que ofuscava todas minhas lágrimas das pessoas ao meu redor, que não viam nem reparavam em minha situação, era como se fosse invisível no mundo, pelo menos assim sentia-me.
Daí um feixe de luz resplandeceu em minha mente, algo que à iluminou instantaneamente, talvez o primeiro e real pensamento positivo que tive até então.
Outra vez li a carta e vi que lá estava escrito "era uma jovem mãe que não tinha condições para cuidar de sua filha...", então pensei positivamente pela primeira vez em muito tempo. Ela não abortou-me, não jogou-me fora em qualquer lugar, deixou-me na casa de alguém que sabia que cuidaria de mim. Não foi algo realmente tão mau, porém havia sido um gesto de "amor", pois não queria deixar-me em necessidades.
Todavia minha verdadeira mãe não era uma desalmada sem coração, pois teve um mínimo de preocupação para comigo, não deixando-me em uma vida de poucas condições e estruturas financeiras.
Um pouco confortante, porém não totalmente satisfatório, pois uma incógnita surgiu de meu pensamento, era uma incógnita de poucas palavras porém muito difícil de ser respondida e executada, que era... Quem é minha verdadeira mãe? E onde ela está agora?
Era difícil resolvê-la pois não tinha nenhuma informação registro a qual me desse uma pista de seu paradeiro. Mas estava eu decidida em encontrá-la e conhecê-la?
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Luzes da Cidade
RomansDo pó ao pó, digamos que não é fácil aceitar que nascemos para morrer. Mas é isso que Andressa descobriu e da pior forma possível terá de lidar com essa realidade. Uma trágica e triste visão sobre o que é viver com poucas razões. Ela irá sobreviver...
