Capítulo: 22

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  Quando Dulce estacionou o carro na garagem, na tarde de domingo, sentia-se mais leve. A aventura do final de semana a fez perceber que ela precisava se distrair para manter a sanidade mental.
   Na saída do Razor's, se não fosse pelo alto teor alcoólico em seu sangue, teria ficado apavorada com Ruby a direção do BMW. Lembrava-se de ter rido muito cada vez que a motorista inexperiente dava uma guinada chegando até, para o desespero de Beatriz a derrubar latões de lixo no curto trajeto até o hotel.
   Apesar das diferenças de idade e personalidade as três tinham usufruído a companhia uma da outra. Provavelmente, pelo fato de terem mais em comum do que qualquer outro trio do planeta.
    No dia seguinte, determinadas a descobrir pistas sobre a quarta mulher misteriosa, haviam telefonado Lara todas as locadoras de carro da cidade logo pela manhã. Porém nenhuma delas forneceu informações úteis.
   Christian não estava em casa, e Dulce não se importou com a solidão e o silêncio ao chegar fatigada pela viagem. Ele havia deixado um bilhete sobre a mesa pedindo que telefonasse para o escritório.
    Certa de que Alfonso não trabalhava nos finais de semana, julgou seguro ligar para lá.

-- Financeira Herrera, Alfonso falando...

-- Achei que não trabalhasse nos fins de semana.

-- Passei por aqui pra pegar um formulário. Está livre?

-- Se está querendo saber se estou na cadeia no momento, a resposta é Não!

-- Ótimo. Eu tenho que ir a Shakerag para avaliar uma coleção de jóias de gostaria de ter uma segunda opinião. Posso apanhá-la em dez minutos?

-- As meninas vão? - Ela quis saber, consiente do perigo de está só com ele.

-- Não. Elas foram para a casa da minha mãe. - Ele hesitou antes de insistir: - Vamos?

-- Não sei Alfonso. Acabei de chegar e estou exausta.

-- Pode ir dormindo no caminho...

   Trinta minutos mais tarde, Dulce estava a caminho de Shakerag, esquecida do cansaço. Como era possível que um homem tivesse tanto poder de persuasão sobre ela? Pensou com certo nervosismo.

-- Meu pai sempre me disse para não confiar em homens que dirigem caminhonetes. - Ela murmurou, como se pensasse em voz alta.

-- Vou acrescentar esse item na lista de recomendações para as meninas.

  Dulce riu e olhou para a fotografia das meninas sorrindo, presa no painel.

-- Sente falta delas não é?

-- Não sei como minha vida podia fazer sentido antes de tê-las comigo. São engraçadas as artimanhas do destino para nos fazer melhores do que éramos. - Ele desviou os olhos da estrada para fitá-la. - O mesmo se aplica a vc. Não sei o que fez no fim de semana, mas a cor voltou ao seu rosto.
    Dulce entendeu a insinuação discreta, porém resistiu ao impulso de contar sobre o que ela, Ruby e Beatriz haviam feito.
   Conversaram sobre amenidades durante o restante do trajeto até que Algonso parou diante da loja de penhores em Shakerag.

-- O que acha? - pediu a opinião dela quando o proprietário da loja estendeu as peças sobre o balcão.

-- Bem, não sou profunda conhecedora de jóias, mas o bracelete de safira é lindo.

-- Tem mesmo olho clínico, doutora. - Ele elogiou sorrindo.

    Dulce o observou apanhar a pulseira e mas seis peças enquanto conversava com o vencedor como se fossem velhos amigos. Era fascinante a capacidade de Alfonso em lidar com pessoas. Todos pareciam orbitar ao redor dele... Inclusive ela própria.
   No caminho de volta, Algonso parou em um restaurante à beira da estrada e comprou galinha frita e refrigerantes. Sugeriu que fizessem um piquenique no parque das imediações, e Dulce mais uma vez não teve como recusar o convite.
    Sentaram-se na relva, semiescondidos por uma árvore frondosa, e colocaram a embalagem com a comida entre eles.

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