01. A primeira briga.

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20 DE JULHO

AI MEU DEUS. E se ele também estiver me ignorando? Ou fugindo? Será que ele precisa de um tempo?

— ALÔÔÔ! — Barbara balançou a mão na frente do meu rosto, chamando minha atenção. Balancei a cabeça, afastando os pensamentos, e a olhei. — Você não pode ficar entediada durante uma crise.

— Uma crise sua — a lembrei, afastando sua mão e indo até minha cama, me sentando.

— Exatamente. É ainda mais importante.

Barbara voltou a fazer o que estava fazendo nos últimos quarenta minutos: a andar em círculos pelo quarto.

— Você vai fazer um buraco no chão — resmunguei.

Ela estava levemente chateada e altamente brava, por assim dizer. Nada simples ao padrão Barbara, em que levemente quer dizer altamente e altamente quer dizer super hiper mega gigante.

Ela estava puta. Putassa. Muito puta.

Chris e o Joel são os culpados. Por mim, era eles quem deveriam ouvir ela falando por tanto tempo. Eu sentia que meus miolos iram explodir. Se um namorado já dá dor de cabeça, dois então nem se fala. Dor de cabeça não pra quem namora, mas quem é amigo da pessoa que namora.

Aguentar a Barbara reclamando de duas pessoas é foda.

— Só... liga para eles — falei pela décima vez.

Eu tinha parado de prestar atenção quando ela começou a explicar como ela acabou ficando com Joel e Chris ao mesmo tempo, primeiro separado, depois junto. O último caso ela quis dizer juntos, juntos mesmo. Tipo, os três.

Eu não estava lá muito interessada em saber que o Chris era alguém que a fazia se sentir viva e o Joel era alguém que a fazia se sentir amada. Quer dizer, eu costumo me interessar pelos problemas e histórias dos meu amigos, é claro. Mas a Barbara já estava começando a me irritar.

— Mas para quem eu ligo primeiro?

Respirei fundo, me controlando para não mandar ela a merda. Não seria legal da minha parte. A questão é que os pensamentos de Barbara se tornaram os meus.

Era domingo, dez da noite. Nós tínhamos chegado em Boston na manhã de sábado, e até agora nenhum dos meninos tinha dado notícia. Tipo, nenhum mesmo.

Chris e Joel não mandaram nada a Barbara.

Erick também não disse nada a Kim.

E Zabdiel não tinha dado sinal de vida.

As meninas estavam começando a ficar paranoicas. Quer dizer, custava mandar ao menos uma mensagem para dizer que estava tudo bem?

Eu até entendia o sumiço deles, porque eu mesmo não estava afim de ver a cara do Zabdiel por um bom tempo. Tínhamos passado quase dois fucking meses juntos, todo mundo morando na mesma casa, se vendo todos os dias. Era justamente por isso que eu já não aguentava mais olhar para a cara da Barbara e ouvir a voz dela depois de quase uma hora. Eu precisava respirar longe deles, e eles também.

O problema é que ver a cara do Zabdiel eu não to afim mesmo, mas já o corpo dele... Eu não iria me importar de passar as mãos nos braços, apertando eles e sentindo em como os anos de academia os deixavam firmes, mas não definido para ficar feio. Ou passar os dedos pelas costas, sentindo os músculos que sempre ficavam tensos quando eu o tocava.

Ai meu Deus. Eu precisava dar.

Cruzei as pernas e olhei para o chão, fingindo não estar pensando em nada indecente.

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