Até mesmo o som pareceu reagir a chegada de Natálie, a música travando e parando de tocar.
Todo mundo se virou, o rosto de cada um expressando surpresa. Ninguém via Natálie desde Byron Bay.
Podia parecer meses, mas havia se passado apenas uma semana.
Ela olhou ao redor, mexendo na manga da blusa enquanto olhava todos que estavam ali. Pareceu momentaneamente perdida, como se não visse quem queria.
Zabdiel saiu da sombra do pilar, e mesmo de longe deu para ver o corpo dela relaxando. Quando eu entrei no campo de luz, ela me encarou, o sorriso que estava brotando em seu rosto sumindo. Devolvi seu olhar de tristeza com um de raiva, dando passos na direção contraria a ela, seguindo para a piscina.
Abri meu roupão durante o caminho, o jogando em uma das cadeiras e correndo para a piscina, dando um pulo na água, entrando de forma silenciosa, sentindo meu corpo voar naqueles instantes antes do choque com a água fria.
Anos de natação me davam a experiência para um salto perfeito.
Não voltei para a superfície, nadando metros até a parte mais funda da piscina, em que ninguém chegaria a ficar perto da superfície mesmo em pé no fundo.
Quando cheguei ao final da piscina, tendo atravessado ela por ter saltado na ponta oposta, meus pulmões gritavam por ar. A pressão aumentou, meus ouvidos dando pequenos estalos. A água se provou ser mais morna do que fria, o arrepio passando.
Por mais que eu quisesse continuar ali, fingindo que a água ao meu redor era o oceano, que eu estava a quilômetros de distância, eu precisava voltar para cima. Em meus pensamentos, eram as águas de Byron Bay que me molhavam.
Voltei a superfície, sentindo meu cabelo grudar na nuca, sentindo falta dos fios longos abaixo da cintura.
Chris estava na ponta da piscina em que emergi, segurando um roupão e uma toalha. Ele me ajudou a sair, passando o roupão ao meu redor e me entregando a toalha, que eu usei para secar o rosto.
— Obrigada — falei, minha voz saindo entrecortada.
Olhei para frente, vendo que Zabdiel e Natálie tinham sumido, e todos pareciam perdidos, olhando para mim e para dentro da casa.
Barbara bateu seu copo em uma mesa e marchou em direção da casa, deixando todo mundo assustado, nos fazendo correr atrás dela.
— Isso é sério? — ela quase gritou, acendendo a luz da sala de estar, onde Zabdiel e Natálie estavam. — Você chega aqui e simplesmente finge que a gente não existe?
Joel tentou segurar ela, mas Barbara se afastou dele, levantando as mãos como se dissesse "não toca em mim".
— Não vai falar nada? — Barbara cruzou os braços e encarou Natálie, que parecia quase transparente de tão branca. — Tá bom, eu falo. — Ela andou até Joel, que tinha se afastado e estava encostado no batente da porta de correr, e colocou as mãos no bolso dele. Ele tentou impedir ela, claramente confuso, mas não adiantou. Barbie pegou a carteira dele e puxou uma camisinha de lá. — Isso — falou alto, se virou para Natálie — é uma camisinha. — Ela jogou a camisinha nela, e andou até Zabdiel, fazendo o mesmo que havia feito em Joel. Todo mundo ficou chocado, enquanto ela pegava a carteira dele e também tirava uma camisinha de lá. — É pra usar! — Praticamente jogou a camisinha na cara dele. — É pra usar essa merda quando você vai transar com gente que não conhece! É POR CAUSA DE UMA MERDA DE UMA CAMISINHA QUE VOCÊ NÃO OLHA NA CARA DOS SEUS MELHORES AMIGOS! — Zabdiel entrou na frente de Barbara quando ela tentou ir para cima de Natálie, a segurando. — VOCÊ TROCOU A GENTE POR CAUSA DE UM HOMEM. UM HOMEM QUE NEM É SEU! — Ela empurrou o peito de Zabdiel.
— Barbara, chega — disse Zabdiel.
— Pelo amor de DEUS. — Barbara olhou Natálie atrás de Zabdiel. — REAGE, PELO AMOR DE DEUS! PARA DE AGIR COMO SE AINDA TIVESSE DOZE ANOS.
— Barbara... — repetiu.
— Não! — Ela apontou o dedo para ele. — Não se mete. Você não é o melhor amigo dela. Você não estava aqui quando ela caiu da escada e quebrou o braço. Você não estava aqui quando ela repetiu de ano e mudou de escola e todo mundo atravessava a cidade para ver ela na hora do almoço. Você não estava aqui quando nós fugimos de madrugada para vermos filmes escondido na casa do Zac. Você não estava aqui quando ela chorou quando perdeu o primeiro namorado. Você não estava aqui quando nós roubamos uma loja de doce. Você não esteve aqui na ultima meia década. Não era para você que ela deveria correr agora! — A frase ela apertava o dedo no peito do Zabdiel, o fazendo recuar. — Não era para ele que você deveria correr quando as coisas ficam complicadas — repetiu, olhando para Natálie. — Você afastou todo mundo, sabendo o quanto nós lutamos nos últimos anos para nos mantermos unidos, quando prometemos sempre estar um ao lado do outro, você foi contra seis anos de amizade por seis semanas de sexo! — Ela ficou cara a cara com Natálie, a encarando.
A tensão parecia um fio estendido por toda a sala, que se rompeu quando a mão de Natálie levantou em direção ao rosto de Barbara.
Mas sua mão parou no ar, com o pulso envolvido pelos dedos firmes de Barbara, as unhas grandes e coloridas se firmando na pele pálida de Natálie.
— Não tente mostrar garras agora, porque cobra, de sangue frio, não tem. — Barbara soltou o pulso de Natálie, como se ela fosse alguma coisa detestável. — Eu te liguei todos os dias, todos os dias, na última semana. Eu estive ao seu lado quando descobriu que estava gravida, quando foi ao meu quarto de noite chorando. Eu prometi que estaríamos juntas nessa. Mas você preferiu correr para o braço do homem que colocou uma criança em você e dorme com outra a noite. Meus parabéns. Ligue para ele da próxima vez que precisar de uma amiga.
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Thunder Bay
Fiksi PenggemarA areia deu lugar a neve, o mar deu lugar a lagos congelados, e Byron Bay deu lugar a Thunder Bay. Com um mês restante de férias, Lara e seus amigos viajam a uma monótona cidade no litoral norte do Canadá. As consequências de suas ações e escolhas n...
